Enquanto todos observam o poder digital e financeiro se concentrar nas mãos de um punhado de milionários no Vale do Silício, a Escócia se destaca por algo muito mais físico, mas que serve como exemplo de que essa concentração de poder em poucas mãos ocorre há séculos: a terra. Apenas 421 proprietários de terras controlam cerca de 50% das terras rurais privadas do país. É um número difícil de encontrar em outros lugares e torna a Escócia praticamente única na Europa.
O que impressiona não é apenas a concentração de terras em poucas mãos, mas sua persistência. Enquanto grande parte do continente fragmentou a propriedade após revoluções, reformas agrárias ou guerras, a Escócia chegou ao século XXI com uma estrutura territorial que praticamente não mudou em séculos, mantendo, porém, sua estrutura feudal.
Anomalia com raízes históricas
A chave para essa anomalia territorial está intrinsecamente ligada à sua história. A Escócia nunca experimentou uma ruptura radical com seu sistema de grandes propriedades. O poder dos clãs tribais, primeiro, e da aristocracia rural, depois, consolidou enormes extensões de terra sob um único proprietário. Enquanto outros países europeus redistribuíam terras entre seus cidadãos, na Escócia o direito à propriedade permaneceu quase intacto.
Estudos históricos revelam que, no final do século XIX, a terra estava concentrada em poucas mãos, e a chegada do Estado moderno não alterou substancialmente esse mapa. O resultado é que a Escócia entra no século XXI ...
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