Em 1759, piratas compraram uma ilha dos EUA. Desde então, falam uma versão tão inglesa do inglês que ninguém os entende

O Hoi Toider é um testemunho vivo da história de Ocracoke, um reflexo da mistura entre marinheiros, piratas e nativos estadunidenses

2 ago 2026 - 12h46
(atualizado às 13h10)
Ocracoke
Ocracoke
Foto: Nicolaas Baur (Wikimedia), bobistraveling (Flickr) / Xataka

As línguas (e seus dialetos) são, possivelmente, uma das grandes maravilhas da nossa civilização. Basta olhar para os latinos do sul da Flórida, que há anos misturam inglês e espanhol, criando uma nova forma de falar. Não muito longe dali, mas alguns séculos antes, piratas chegaram para estabelecer algo inédito nos EUA: o inglês elisabetano. Séculos depois, eles ainda continuam difíceis de entender.

Na remota ilha de Ocracoke, na Carolina do Norte, sobrevive um dialeto único nos EUA: o Hoi Toider, uma mistura de inglês elisabetano, sotaques irlandeses e escoceses do século 18 e a gíria dos piratas que invadiram a ilha há vários séculos. Trata-se da única variante do inglês nos EUA que não é identificada como estadunidense, uma relíquia linguística preservada graças ao isolamento geográfico da ilha e à sua história singular.

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Ocracoke, uma ilha de 24,9 km², foi durante séculos um refúgio de piratas, marinheiros ingleses e nativos Woccon, que interagiram e formaram uma comunidade com seu próprio patrimônio cultural e linguístico. Um dos personagens mais emblemáticos foi William Howard, ex-pirata e antigo integrante da tripulação de Barba Negra que, após receber um perdão real, comprou a ilha em 1759 e ajudou a estabelecer uma sociedade que, em isolamento quase total, preservou seu próprio dialeto.

O isolamento da ilha não influenciou apenas a língua, mas também o modo de vida. Até 1938, a localidade não tinha eletricidade e o serviço de balsa só começou em 1957. Isso permitiu ...

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