Os pesquisadores Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Prêmio Nobel de Medicina por revolucionarem a neurociência usando uma microalga sensível à luz. O trio tornou real a teoria de controlar neurônios com feixes luminosos de forma precisa e rápida, técnica que fundamenta grande parte dos estudos cerebrais modernos e traz avanços promissores, como a possibilidade de restaurar a visão em pessoas cegas.
Estamos numa das semanas mais importantes do ano no mundo científico e cultural: a semana da entrega dos Prêmios Nobel. E, como manda a tradição, tudo começou com a leitura do veredicto do júri na área de medicina e fisiologia, que este ano concedeu o Prêmio Nobel a Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel.
Há razões
Por trás de um prêmio tão importante quanto o Nobel, devem existir razões logicamente convincentes para sua concessão, e, nesta ocasião, o marco que ele reconhece é significativo por tudo o que representou desde então. Este trio de pesquisadores lançou as bases, há muitos anos, sobre as quais se fundamenta grande parte da pesquisa atual no campo da neurociência, chegando até mesmo a abrir a possibilidade de uma pessoa cega enxergar.
Nossos limites
Durante grande parte da história da neurociência moderna, o enorme desafio não foi apenas observar o cérebro, mas intervir nele com precisão suficiente para estabelecer relações de causa e efeito no comportamento. Em 1979, o cientista Francis Crick teorizou que decifrar o cérebro exigiria um método capaz de ativar e desativar tipos específicos de neurônios em uma velocidade ultrarrápida, sugerindo que o sinal ideal para isso seria a luz.
E essa ideia, que o próprio Crick considerava fantasiosa, tornou-se realidade graças a uma simples alga verde e rendeu a ele o Prêmio Nobel.
A história dessa grande descoberta começa com um achado fundamental sobre a fototaxia, o comportamento que permite que microalgas verdes com ...
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