A enxaqueca é a segunda maior causa de incapacidade no mundo, afetando sobretudo mulheres jovens. Praticar exercícios físicos gera um paradoxo para os pacientes: embora ajude a prevenir crises a longo prazo, o esforço físico intenso pode desencadeá-las de imediato devido à liberação do neuropeptídeo CGRP. Por essa razão, cerca de 38% dos portadores já tiveram crises provocadas pelo esporte, levando mais da metade deles a abandonar as atividades físicas apesar de seus potenciais benefícios.
Sofrer de enxaqueca é, sem dúvida, uma situação que pode se tornar incapacitante; por isso, não cessamos nossos esforços para encontrar a melhor maneira de prevenir o surgimento dessas fortes dores de cabeça. Uma das técnicas de prevenção envolve a prática de exercícios físicos, embora sempre tenha existido um grande paradoxo: a longo prazo, o exercício pode prevenir as crises, mas, a curto prazo, pode desencadeá-las.
É um grande problema
Dedicar-se a descobrir formas de prevenir ou reverter as enxaquecas é fundamental, visto que se trata de um problema de saúde de primeira ordem. Para contextualizar, dados do estudo Global Burden of Disease de 2019 apontam a enxaqueca como a segunda maior causa de incapacidade no mundo e a primeira entre mulheres jovens.
Sendo mais específicos, sabemos que as mulheres suportam uma carga da doença 1,6 vez maior do que os homens, com o maior impacto concentrado na faixa etária dos 15 aos 49 anos.
O paradoxo do esporte
Para quem sofre de enxaqueca, praticar exercícios é um grande desafio — não por falta de vontade, mas por uma questão de sobrevivência. Um estudo realizado em 2013 em uma clínica especializada mostrou que 38% dos pacientes já haviam sofrido uma crise desencadeada diretamente pelo exercício, o que levou mais da metade deles a abandonar a prática esportiva.
Isso faz sentido, pois o esforço físico extremo provoca a liberação de um neuropeptídeo chamado CGRP, um conhecido vilão na fisiopatologia da enxaqueca. A isso somam-se outros fatores...
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