A clássica cena de dois idosos que passaram a vida inteira juntos e, quando um falece, o outro o segue poucos dias depois porque "não aguentou a tristeza", parece algo que só acontece nos filmes. No entanto, o que sempre consideramos uma hipérbole romântica ou uma coincidência estatística tem, na verdade, um profundo respaldo fisiológico.
Um recente conjunto de dados científicos traz à mesa uma conclusão bastante impressionante, apontando que o luto intenso não dói apenas emocionalmente, mas aumenta drasticamente as chances de sofrer um evento cardiovascular fatal, o que dispara a mortalidade a longo prazo.
A confirmação mais robusta e recente vem de um estudo publicado na Frontiers in Public Health, que analisou 1.735 pessoas em situação de luto para descobrir o que acontecia a longo prazo com aquelas que não conseguiam superar uma perda de forma natural.
Os resultados
Os pesquisadores dividiram os pacientes em grupos de acordo com a intensidade e a duração do seu sofrimento. O que se observou foi justamente que aqueles que mostraram uma trajetória de luto alta e prolongada (chamada de luto prolongado) não só precisaram de muitas consultas médicas e psicofármacos, mas também apresentaram um maior risco de mortalidade do que os grupos de luto baixo.
Traduzido em números simples: as pessoas presas em um luto persistente tinham quase o dobro de chances de morrer na década seguinte à perda.
O coração se quebra
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