Animal que encalhou várias vezes na costa da Alemanha e foi solto em alto-mar após resgate controverso nadou 215 quilômetros antes de morrer. Carcaça foi achada na Dinamarca.A baleia-jubarte conhecida como "Timmy" aparentemente sobreviveu por pelo menos mais quatro dias após ser solta em mar aberto. O secretário do Meio Ambiente do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no norte da Alemanha, afirmou nesta sexta-feira (12/06), que, de acordo com dados do rastreador, a baleia morreu "entre 6 e 7 de maio", após ser transportada por uma balsa para ser solta em mar aberto, no Mar do Norte, em 2 de maio.
"O sinal foi interrompido depois disso", disse Till Backhaus, integrante do governo estadual na região em que o animal esteve encalhado diversas vezes e do qual ele foi levado para ser solto em alto-mar. O rastreador fixado em sua barbatana dorsal parou de transmitir dados assim que ficou submerso. No total, a baleia percorreu 215 quilômetros após sua soltura. A causa exata da morte permanece incerta.
A carcaça de uma baleia foi encontrada em 14 de maio ao largo da ilha dinamarquesa de Anholt, no Kattegat, o estreito entre a Dinamarca e a Suécia. Pouco depois, autoridades dinamarquesas e alemãs confirmaram que o animal era Timmy.
Se a baleia-jubarte tivesse sobrevivido por mais alguns dias, muito provavelmente teria encalhado novamente mais cedo ou mais tarde, disse a bióloga marinha Tamara Narganes Homfeldt, da organização de conservação de baleias WDC, à agência de notícias alemã DPA. A causa, segundo ela, não foi tanto uma questão de desorientação, mas sim o estado de saúde precário da baleia: o animal debilitado provavelmente havia se dirigido para águas mais rasas e seguras.
As correntes no estreito de Kattegat e no Mar Báltico são normalmente bastante fracas; portanto, os movimentos e as distâncias registrados pelo transmissor até 6 de maio provavelmente se deveram inteiramente ao nado ativo da baleia, acrescentou a especialista.
Destino da baleia comoveu a alemães
A baleia-jubarte, medindo pouco mais de 12 metros de comprimento, foi avistada pela primeira vez no porto de Wismar, no início de março. Posteriormente, ela vagou pela costa alemã do Mar Báltico durante semanas, encalhando várias vezes ao largo das costas de Schleswig-Holstein e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Sua última localização registrada foi ao largo da ilha de Poel.
Embora especialistas já tivessem desistido de salvar o animal, que estava gravemente doente e debilitado após várias tentativas de resgate fracassadas, Backhaus autorizou uma polêmica operação de resgate por iniciativa privada em meados de abril. Timmy foi transportada para fora do Mar Báltico em uma balsa e solta nas águas abertas do Kattegat em 2 de maio.
Os dados de movimentação registrados pelo rastreador foram disponibilizados às autoridades de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e analisados. Segundo Backhaus, espera-se que dados adicionais - incluindo temperatura da água, profundidade de mergulho, alcance e velocidade de nado, bem como resultados de exames dos órgãos - sejam apresentados e analisados cientificamente nas próximas semanas ou meses.
Carcaça vai virar biodiesel
Um exame da carcaça realizado na Dinamarca, no início de junho, comprovou que o animal era uma fêmea, mas não revelou "nada de incomum" - "nem na parte externa nem no interior da baleia", disse Backhaus. Não foram encontrados ferimentos internos ou externos graves, nem vestígios de redes de pesca.
"Com base nas informações atuais, não há evidências concretas" de que o transporte ou a soltura do mamífero marinho tenham contribuído para sua morte ou o colocado em risco, afirmou Backhaus. "Em nossa opinião, a tentativa de resgate foi legal e profissionalmente justificável."
A carcaça da baleia-jubarte deve ser usada para produzir biocombustível. Segundo as autoridades dinamarquesas, o material restante será processado para a obtenção de farinha de carne e ossos, que também pode ser utilizada como biocombustível - por exemplo, na produção de cimento.
md/ra (DPA, AFP)
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