Há algo que acontece comigo toda vez que caminho pela rua e cruzo com um gato. Não importa se ele está empoleirado em um muro, espiando por uma janela ou simplesmente sentado na calçada vendo o mundo passar. Eu paro. Cumprimento. Estendo a mão devagar, espero para ver se ele se aproxima e, se o fizer, eu o acaricio. Não é uma decisão consciente: é automática. Isso também me acontece com cachorros ou com qualquer outro animal que cruze o meu caminho.
Durante muito tempo, pensei que era apenas uma mania pessoal. Mas acontece que não. A psicologia e a neurociência estudam exatamente esse gesto há anos —esse impulso quase irresistível de buscar contato com um gato— e o que descobriram diz muito mais sobre quem somos do que parece à primeira vista.
No caso desse vínculo, o primeiro ponto a entender é que o gato tem a última palavra. Não é como acariciar um cachorro, que geralmente vem até você sozinho e com entusiasmo. Os gatos são seletivos, imprevisíveis e muito menos invasivos em suas demonstrações de afeto. Por isso, o que a ciência diz sobre essa troca tem uma complexidade particular.
Um estudo mediu os níveis hormonais de tutores e gatos durante sessões de 15 minutos de contato físico em casa. Os resultados foram claros: quando o contato era relaxado —carícias, abraços suaves, colo—, os níveis de ocitocina subiam tanto nas pessoas quanto nos animais. Mas havia uma condição indispensável: a interação não podia ser forçada. Os gatos precisavam ter a liberdade de se afastar se ...
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