Cientistas analisaram fósseis e colônias vivas de corais em Galápagos para reconstruir as temperaturas do oceano Pacífico ao longo do último milênio. O estudo revelou que a oscilação do El Niño a partir de 1984 tornou-se 36,5% mais intensa do que a média observada entre os anos 1000 e 1850. Segundo os pesquisadores, essa disparidade térmica sem precedentes históricos aponta para a interferência direta da atividade humana no aquecimento global e acende graves alertas sobre o futuro climático.
Dizem que, nas praias das ilhas Wolf e Darwin, repousam blocos de corais mortos encalhados na areia. Eles estão lá há quatro mil e quinhentos anos, praticamente abandonados pelo tempo. À primeira vista, não parecem grande coisa: apenas pedras grandes, esbranquiçadas e porosas. Uma pessoa comum dificilmente gastaria mais de dez segundos olhando para elas antes de desviar e seguir caminhando. Mas Julia Cole definitivamente não é uma pessoa comum.
A cientista e sua equipe sabem muito bem o que estão procurando. Sabem, por exemplo, que esse tipo de coral se expande de um a dois centímetros por ano, acumulando carbonato de cálcio, e que a química dessa formação mineral reflete com exatidão a água em que ela se desenvolveu. E o principal: ao analisar essa estrutura minuciosamente, é possível ler um histórico extremamente detalhado sobre o passado dos oceanos.
Foi justamente esse o ponto de partida do estudo: os pesquisadores recolheram 13 perfurações combinando blocos fósseis com colônias vivas no arquipélago de Galápagos. Com a ajuda dessas amostras, aliadas a testemunhos geológicos e indicadores climáticos indiretos (proxies), a equipe conseguiu reconstruir um milênio inteiro de temperaturas no Pacífico equatorial.
Um salto térmico sem precedentes no milênio
O resultado trouxe péssimas notícias: a oscilação do El Niño a partir de 1984 é 36,5% maior do que em todo o intervalo entre os anos 1000 e 1850. E não existe explicação física para essa disparidade sem a interferência direta ...
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