Aumento de incêndios e ondas de calor ameaça a qualidade do ar e a saúde, alerta agência da ONU

O aumento dos incêndios e das ondas de calor ameaça os esforços para melhorar a qualidade do ar e pode trazer consequências para a saúde das populações, alertou nesta segunda-feira (7) a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em seu boletim anual sobre a qualidade do ar, a agência da ONU chama a atenção para o aumento dos "incêndios florestais extremos", com consequências provocadas pela toxicidade da fumaça.

7 set 2026 - 09h31
Resumo
O avanço do aquecimento global, com mais ondas de calor e incêndios florestais, degrada a qualidade do ar e ameaça a saúde pública mundial, alerta a OMM. Queimadas geram partículas finas (PM2,5) altamente tóxicas que penetram na corrente sanguínea e viajam longas distâncias, enquanto o calor extremo impulsiona o ozônio troposférico, ligado a mortes respiratórias. Segundo a agência da ONU, modelos atuais subestimam a letalidade da fumaça, dificultando o cumprimento das metas globais de ar limpo.

O aquecimento global intensifica os fenômenos extremos: as ondas de calor se agravam e os incêndios se tornam mais frequentes. "A qualidade do ar e a mudança climática não devem ser tratadas como temas separados. Se uma se deteriora, a outra também se deteriora", afirma o cientista Lorenzo Labrador, da rede de Vigilância da Atmosfera da OMM.

No boletim, a OMM destaca dois dos principais poluentes atmosféricos: as partículas finas e o ozônio troposférico. A entidade também analisa alguns aerossóis, em especial o carbono negro e os microplásticos. A organização acompanha a evolução das partículas finas PM2,5 (com diâmetro não superior a 2,5 micrômetros), comparando sua concentração em 2025 com a observada no período de 2003 a 2024.

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Segundo Labrador, as partículas finas produzidas pela queima de vegetação durante incêndios florestais são "muito mais tóxicas" em comparação com as emitidas por automóveis, por exemplo. Elas representam um risco à saúde porque podem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea.

"Nas áreas onde ocorrem incêndios florestais, observamos elevados níveis de poluição por partículas finas", explicou Labrador. "Embora as regulamentações adotadas na Europa e na América do Norte tenham reduzido as emissões de partículas finas PM2,5 provenientes da indústria e dos transportes, a exposição às PM2,5 associadas aos incêndios aumentou", afirmou a OMM.

Longo alcance

As partículas também afetam a saúde de populações muito distantes das áreas atingidas pelo fogo, pois são transportadas pelos ventos. O cientista também lamentou que as avaliações atuais dos riscos relacionados à qualidade do ar não levem em conta de forma adequada essa maior toxicidade da fumaça dos incêndios.

Segundo a OMM, um estudo epidemiológico mostrou que os modelos convencionais baseados nas concentrações de PM2,5 podem subestimar em até 93% a mortalidade atribuída aos incêndios. "Será cada vez mais difícil cumprir as diretrizes da Organização Mundial da Saúde para a qualidade do ar, pois as condições meteorológicas favoráveis a incêndios extremos tendem a se intensificar no futuro", afirma o relatório.

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O documento também destaca outra importante fonte de poluição atmosférica com impactos relevantes sobre a saúde: o ozônio troposférico, cuja formação é favorecida por ondas de calor, como as registradas nos últimos meses na Europa. O problema tende a crescer porque "as ondas de calor criam as condições para a formação desse ozônio", afirmou Labrador.

Doenças respiratórias

Segundo a OMM, o aumento das temperaturas, a estagnação da atmosfera e a intensa radiação solar favorecem a formação de ozônio próximo à superfície durante as ondas de calor, como demonstraram estudos recentes realizados no sudeste dos Estados Unidos, na Europa e na China.

A exposição prolongada ao ozônio troposférico está associada ao aumento da mortalidade, principalmente por doenças respiratórias. A maior presença desse poluente pode provocar dezenas de milhares de mortes adicionais, alerta a organização.

O relatório também chama atenção para os microplásticos presentes na atmosfera, cuja concentração e cujos efeitos ainda são difíceis de medir com precisão, e para o carbono negro (fuligem), emitido especialmente por incêndios florestais. Ao se depositar sobre superfícies cobertas de neve e gelo, esse material reduz sua capacidade de refletir a luz solar e contribui para o aquecimento global.

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Com AFP

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