Médica que operou advogada de MC Poze já foi condenada por morte de paciente em 2018
De acordo com Justiça, a médica possui especialização em otorrinolaringologia e não em cirurgia plástica; ela já teve clínica fechada
A médica Geysa Leal Corrêa, que fez a lipoaspiração da advogada do MC Poze do Rodo, Silvia de Oliveira Martins, já foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro pela morte de outra paciente, em 2018. A representante legal do cantor morreu no último domingo, 17, por complicações após o procedimento.
Conforme o processo, a profissional chegou a ter a clínica a fechada pela Vigilância Sanitária por irregularidades. Não há especialidades dela registradas no Conselho Federal de Medicina.
Geysa foi condenada em primeira instância a dois anos de prisão em regime aberto pela morte de Adriana Ferreira Capitão Pinto. A decisão é de 2022. De acordo com a ação, a paciente tinha 41 anos, era saudável e ativa. Ela passou pelo procedimento de hidrolipo de abdômen com flancos e enxertia nos glúteos, realizado pela médica no dia 16 de julho de 2018.
A mulher recebeu alta no dia seguinte, pois não houve nenhuma intercorrência. Alguns dias se passaram e a vítima avisou à médica, via WhatsApp, que apresentou inchaço nas pernas. Segundo o processo, a profissional "minimizou a informação" e ainda a desencorajou de buscar "qualquer auxílio médico".
A paciente morreu seis dias depois da cirurgia, e teve como causa provável da morte um tromboembolismo pulmonar. A Justiça entendeu que o procedimento foi realizado em "local inapropriado" e sem a adoção dos cuidados pós-operatórios cabíveis, e ainda levou em consideração que a profissional não é habilitada para tal operação.
Após ser condenada a dois anos de prisão por homicídio culposo, a médica teve a pena convertida em prestação de serviços à comunidade e ao pagamento de um salário mínimo a uma entidade assistencial. A defesa de Geysa recorreu, mas teve o pedido negado em segunda instância. A desembargadora Suimei Cavalieri manteve a condenação, conforme decisão de 27 de julho de 2023.
A magistrada afirmou que a médica não possui qualificação necessária para realizar o procedimento. Além disso, foram constatadas irregularidades em sua clínica em Niterói, que chegou a ser interditada pela Vigilância Sanitária. Cavalieri levou em consideração que a profissional tem especialidade em otorrinolaringologia, e não em cirurgia plástica.
O Terra tentou contato com a defesa da de Geysa, mas não teve retorno até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.
Morte de advogada
Silvia de Oliveira Martins, de 40 anos, morreu no último domingo, 17, após ter complicações devido a uma lipoaspiração. A informação foi confirmada ao Terra pelo Hospital Oeste D'Or, em Campo Grande, no Rio de Janeiro. A unidade afirmou que Silvia deu entrada na unidade após complicações, e se solidarizou com a família e amigos pela perda.
Durante a tarde de domingo, o cantor MC Poze do Rodo, de quem Silvia era representante, homenageou a defensora, conhecida nas redes sociais como Silvia Olly. "Oh, tia. Vai com Deus. Poxa, a senhora era nevoeiro do jeito nosso de ser", escreveu Poze nos stories.
Familiares da vítima acusam Geysa Leal Corrêa de ter ignorado o resultado de um exame de sangue feito antes do procedimento. Silvia apresentava altas taxas VHS e PCR, que podem indicar uma inflamação ativa no organismo. Segundo o Extra, Silvia chegou a confrontar a médica sobre os resultados, mas foi tranquilizada e informada de que não seria "nada de mais".
"As alterações no exame de sangue mostravam que ela tinha taxas altas de VHS e PCR, ou seja, um quadro inflamatório. Poderia ser até consequência de um resfriado ou gripe, mas já era suficiente para a médica vetar a cirurgia. Silvia falou com ela, mas recebeu um 'não é nada de mais' como resposta. Confiamos que a lipo realmente não apresentava perigo", contou a cuhada de Silvia, Adriana Macena, que é enfermeira.