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Hungria mistura rap e orquestra sinfônica em projeto inédito: 'foi um golaço'

Em entrevista, Hungria fala sobre a produção de “Atmosfera”, carreira, ascensão, como lida com o luxo e visão sobre música

14 ago 2023 - 05h00
(atualizado às 11h02)
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Hungria aposta em projeto que une a sonoridade de música clássica com o rap
Hungria aposta em projeto que une a sonoridade de música clássica com o rap
Foto: Divulgação

“Tudo o que acredito, não demora, eu conquisto”, cantou o rapper Gustavo Hungria Neves, mais conhecido como Hungria, 32, no hit “Um Pedido”. Desde então o artista tem conquistado sonhos e indo além dos limites do próprio gênero musical em que atua. 

Nascido na periferia de Brasília, filho de uma ex-empregada doméstica e de um funcionário público, Hungria trabalhou como garçom e hoje é um dos principais nomes da cena de música urbana do país. 

O cantor segue liderando o ranking de artistas do segmento com o maior número de inscritos no YouTube Brasil, com mais de 4 bilhões de visualizações em sua conta oficial. Fenômeno por onde passa, Hungria agora aposta em mais um projeto. A transição e mistura de estilos musicais ao longo de sua trajetória o levou até a idealização de “Atmosfera”, considerado o projeto mais importante da carreira. 

A experiência contará com um álbum visual de nove canções e shows inéditos. A primeira faixa, "Preta", regida pelo mundialmente renomado maestro João Carlos Martins, já foi lançada e está disponível nas plataformas. Outras cinco faixas inéditas, sendo elas “Seu Pai Falou”, “Melhor Lugar”, “Atmosfera”, “Amarula” com participação do DJ Alok, serão lançadas em breve. 

“Só era Nois”, “Temporal”, “Quem é o Boss” e “Coração de Carro Forte”, vão ganhar releituras, todas produzidas por uma orquestra sinfônica especial, composta por trinta e seis músicos da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), Orquestra Sinfônica Municipal e Fundação Filarmônica Bachiana.

Em entrevista exclusiva ao Visão do Corre, Hungria falou sobre a produção de “Atmosfera”, carreira, ascensão, como lida com o luxo e sua visão sobre a arte de fazer música. Confira:

Qual foi a inspiração para criar o projeto “Atmosfera” e como você imprimiu sua personalidade nas letras? 

Deus vem me abençoando com novas visões a cada momento. Quando tive a intenção de fazer esse projeto, de uma hora pra outra todo meio externo colaborou pra que isso acontecesse, meus produtores, meus amigos. Eu sou muito fã do sentimento que a musicalidade traz. Acho que a gente atinge o coração de quem tá ouvindo, de fato, quando a gente começa com com acorde legal, com os instrumentos trabalhando na mesma harmonia, no mesmo objetivo. 

A questão de agregar o meu gênero, o rap, em todo esse contexto de orquestra foi uma surpresa pra mim. Porque eu gravei primeiro as músicas em rap, depois pedi pra a orquestra fazer toda a partitura em cima pra ver como é que ficava. Fiquei realmente surpreso, todo sentimento que transbordava em cada canção.

Tive a certeza absoluta que o rap, o hip hop, é o gênero que se encaixa em qualquer outro estilo. Foi uma realização não só profissional, mas uma realização pessoal. Essa questão da musicalidade também envolve muito minha mãe, que é fã de orquestra e apaixonada pelo sentimento que a música passa.

Então, foi um desafio realizado com extremo sucesso. E o objetivo foi alcançado, o de passar uma mensagem forte e impactante. Aquela música por trás, a textura que soava a orquestra, foi um golaço. A gente ficou muito grato em alcançar esse formato. 

Projeto em vídeo foi gravado em Vinhedo (SP), ao ar livre, misturando castelos medievais e paisagens naturais
Projeto em vídeo foi gravado em Vinhedo (SP), ao ar livre, misturando castelos medievais e paisagens naturais
Foto: Divulgação

É perceptível que é muito confortável para você transitar pelos gêneros, né? E como foi juntar rap com orquestra, e ainda mais um feat com o maestro João Carlos Martins?

A gente vai entrar em outra realização pessoal e profissional. Para mim, João Carlos Martins é orgulho não só do Brasil, mas é um nome conhecido e respeitado mundialmente, por toda história que fez e que faz. Fiquei mais surpreso não só com a participação dele no clipe de "Preta", mas ficar perto dele e saber o tanto que o João Carlos Martins é mente aberta para o novo.

Ele disse uma frase que me marcou muito: “Villa-Lobos estava presente em tudo que era novo”. E ele também segue isso. Ele quer estar presente em tudo que é novo. Então, pela história e genialidade dele, estava meio receoso em saber a reação sobre meu rap. Fiquei totalmente surpreso com essa participação, e mais surpreso ainda em saber que ele já acompanhava o meu trabalho há alguns anos. Tenho certeza que é o começo de uma nova amizade, a gente se fala constantemente, comemora os números [do clipe] que crescem.

Você acha esse projeto uma ideia para alcançar novos públicos?

Acredito que sim, porque na verdade a gente amplia o nosso campo de alcance. As pessoas que acompanham João Carlos Martins, ou outras pessoas do gênero da música clássica, começam a ter um olhar diferente sobre o meu trabalho, consequentemente traz um respeito. “O João Carlos Martins aprovou esse trabalho, ele tá participando”. O olhar crítico já vai ver esse trabalho com uma certa aprovação. 

E as pessoas que têm uma mente mais fechada começam a abrir uma frestinha de espaço. Além disso, a gente vive um novo momento da música, de fazer música de verdade e a gente consegue transmitir verdade em qualquer ambiente musical. 

Em tempos de rede social, TikTok por exemplo, e uma indústria musical que pede uma adaptação e distribuição nessas plataformas, como é pra você fazer música de verdade, a música que é seu propósito?

A indústria tá indo pra esse caminho, né? Um mecanismo de uma música curta, refrão chiclete. Eu entendo esse movimento, mas o meu jeito de trabalhar é outro. No dia que mudar terá sido algo bem natural, tá ligado? Até então não senti a necessidade de alterar nenhum estrofe ou mudar a maneira de fazer uma rima e adequar alguma dança na minha música. 

Acho que a música quando ela tem por objetivo atingir o coração, a gente tem um compromisso com a verdade, sabe? Eu acho que meu som dá muito certo porque minha história de vida é parecida com a de mais ou menos de 80% dos brasileiros, só muda o cenário. Minha intenção, de fato, é fazer não só o corpo dançar, mas o coração palpitar de uma maneira diferente, levar uma fé, uma esperança, calmaria.

Se toda vez que eu for escrever uma música eu pensar que ela tem que fazer sucesso, vou começar a pecar. Nesse pensamento, eu acho que a música tem que fazer história. O sucesso é um estado de momento, é passageiro, e a história é permanente.

E você tem feito as duas coisas, né?

Graças a Deus. Acho que a gente conseguiu unir os dois (risos). 

Tem previsão de quando as demais faixas do álbum “Atmosfera” serão liberadas? O que os fãs podem esperar? 

Em duas semanas, no máximo, a gente solta outra faixa e depois vamos deixar disponível o DVD completo para todo mundo, no YouTube e demais plataformas. 

E esse nome, “Atmosfera”, faz total sentimento, é outra atmosfera de música, de pensamento e de acordes. Foi como eu me senti. Na verdade, quando eu escuto a minha música eu me coloco em terceira pessoa e magino o que as pessoas vão sentir também. Será um clima de atmosfera pra todos os ouvintes, uma experiência de musicalidade.

Toda equipe vibrou de uma maneira muito boa pra esse projeto acontecer, desde toda a área cenográfica, até todos os acordes que foram tocados ali. Então realmente é uma atmosfera diferente. 

O rap e o trap têm ultrapassado o sertanejo e assumiram recentemente os tops 10 nas plataformas de música. O que explicaria essa visibilidade do rap hoje em dia?

O rap sempre foi muito tocado, só não tinha essa visibilidade que tá tendo hoje. A realidade do nosso país sempre foi contada em cada letra do rap, em sua crítica política e social. 

Então, acho esse alcance, agora sendo o gênero mais tocado do país, quer dizer que as plataformas que antigamente fechavam as portas pro rap, seja a mídia televisiva ou a mídia radialista, enfim, começaram a abrir uma brecha dessa porta. E o rap mostra ainda mais sua força. A visibilidade de todas as plataformas contribuíram para esse acontecimento, o surgimento desses números. 

Artistas do eixo Rio-São Paulo acabam ganhando mais destaque. Como que vê o crescimento dos rappers locais, de Brasília? Quais as dificuldades para se estourar a bolha territorial?

Rio e SP são polos, não somente o centro da música, mas um centro econômico, né, mano? É onde o Brasil gira. É preciso estar. Não que a nossa cidade não colabore, mas poxa, como no meu caso, Brasília 63 anos e São Paulo tem mais 400. A evolução é indiscutível, em todas as áreas, como comércio, música e de avanço.

Eu me vejo tendo que sair de Brasília pra participar de grandes eventos e outras oportunidades. Não tem como a minha quebrada competir com uma quebrada que tá anos na frente.

Artista diz que as pessoas perdem tempo definindo seu estilo de som
Artista diz que as pessoas perdem tempo definindo seu estilo de som
Foto: Divulgação

Hoje, você diria ainda que faz um rap universitário, como já disseram? Como você define as suas músicas? Ou não define? Pode ser também (risos).

Eu defino a minha música como música. O cara que definiu assim devia estar na mesa de um bar e tava rolando sertanejo universitário, que era um sertanejo novo, aí acho que esse mano estava bebendo no baile, tocou um rap novo e deve ter falado “é rap universitário”. Nem fiz universidade pra ser rap universitáio, começa daí (risos).

Muitas pessos perdem tempo definindo meu estilo de som, se é um rap assim, se é um rap assado. Meu objetivo sempre foi fazer música. Enquanto eu tiver força de vontade, a ideia é fazer um som que atinja a seriedade.

Você cresceu numa periferia, com poucos recursos e vendo de perto a desigualdade. A música e um sonho te salvaram, te levaram ao topo. O que você diria para um jovem, rapper ou MC de quebrada, que sonha em viver de música?

Tem que estar preparado, pai. É um trabalho como qualquer outro. A gente trabalha de uma maneira mais amorosa, pois estamos fazendo algo que a gente ama. E lógico, é até falta de honestidade falar que o dinheiro não é daora. É daora sim! Porque eu vivo disso, não adianta só meu som ser bom, eu tenho compra pra fazer, minha família precisa de uma compra. Se você chegar lá no caixa do mercado e dizer “o fulano falou que minha música é boa”, a mulher vai falar que não interessa, a conta deu tanto.

Então, é importante passar pra essa rapaziada que vai ser difícil, mas vai valer a pena. O glamour vai ser consequência. E que toda dificuldade não venha frear a engrenagem desse nosso motor, que todo olhar torto não diminua o brilho do nosso olhar. E ser feliz. Se a vida é um rolê, a gente tem pouco tempo pra fazer o que a gente ama. 

Como tem sido para você viver essa ascensão social? Do salto de não ter nada para ter tudo? 

Realização, né? Ver milhares de pessoas no show cantando é uma parada muito f*da. Já passei várias necessidades, passei fome na real, comia o que tinha e já era. Hoje, chegar no lugar e não querer perguntar do preço, não se preocupar com quanto é que vai dar, pra mim é algo muito f*da também.

E tudo que eu faço é por mim e por minha família. Não teria sentido se essa parada fosse só pra mim. Quem pereceu junto comigo foi a minha família inteira. Toda vez que eu me vejo sendo o leão daquela casa, o rugido fica mais forte, de alegria e de satisfação.

Fonte: Visão do Corre
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