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Espetáculo gratuito é inspirado em histórias de moradores do Campo Limpo

Grupo Bando Trapos dá protagonismo à personagens reais da zona sul de São Paulo em novo espetáculo

11 jul 2023 - 05h00
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Bando Trapos, que nasceu em 2014, conta com sede no Campo Limpo,
Bando Trapos, que nasceu em 2014, conta com sede no Campo Limpo,
Foto: Will Cavagnolli

Encenação intimista, música ao vivo e histórias inspiradas em personagens reais que habitam bairros cortados pelo Rio Pirajussara. Esse é o resumo do espetáculo do grupo Bando Trapos, com estreia marcada para o dia 14 de julho no Espaço Cultural CITA, no Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. 

Após a estreia, o espetáculo “Pirajussara: Vozes à Margem” vai circular até 30 de julho em outros espaços nas periferias da capital. Todas as atividades são gratuitas. (Confira a programação completa abaixo.)

“A proposta é mostrar a poética do cotidiano de um povo e suas histórias. São tramas envolvendo dores, risos e festejos, é um teatro de manifestações", diz Cleydson Catarina, diretor do espetáculo.

A peça traz as vivências de moradores da região do Campo Limpo e Taboão da Serra, município da Grande São Paulo. 

Os atores Daniwel Trevo, Dêssa Souza, Joka Andrade, Patricia Ashanti, Stefany Veloso e Welton Silva dão vida às histórias que são entrelaçadas por aparições de Pirajussara, uma mulher-cabocla-rio que traz seu olhar de natureza para essas narrativas. 

A trilha sonora é executada ao vivo com a participação dos músicos Marcelo Lima e Yuri Carvalho, além dos próprios atores que se revezam no manejo de instrumentos como violão, sanfona, tambor, rabeca e atabaque.

Atores interpretam personagens reais que habitam bairros cortados pelo Rio Pirajussara.
Atores interpretam personagens reais que habitam bairros cortados pelo Rio Pirajussara.
Foto: Will Cavagnolli

Personagens do cotidiano

O grupo está há mais de 10 anos atuando na área do Campo Limpo e foi imprescindível para a ressignificação do Espaço Cultural CITA. A sede fica em frente a uma praça que é lugar de convivência para os moradores, o que acaba resultando em trocas no dia a dia, combustível vital para a pesquisa da cia e o espetáculo.

"A encenação é intimista e o público é apresentado aos personagens que estão mais perto do que se imagina”, comenta Cleydson. 

Em cena está Dona Branca que é inspirada em Dona Deyse, moradora na rua dos fundos da sede do Bando Trapos. Sua casa fica no meio de uma chácara, onde ela planta, cria bichos e tem uma relação de constante resistência contra a especulação imobiliária.

Espetáculo traz a poética do cotidiano de um povo e suas história
Espetáculo traz a poética do cotidiano de um povo e suas história
Foto: Will Cavagnolli

Outra personagem, Dona Zu, tem como ponto de partida a história de Beth, uma moradora do Campo Limpo, que na década de 1990 transformou a própria casa em uma escola de teatro.

Já Dona Rosa é espelhada na trajetória de Ione, moradora do Parque Marabá, em Taboão da Serra, que como outras mulheres das periferias se casou cedo demais e seus sonhos não cabiam no casamento. No espetáculo, o grupo dá luz a momentos da infância e ao empoderamento da personagem enquanto mulher autônoma. 

E tem o Pirajussara como ponto central de todas as histórias. "É uma personagem que representa a natureza, é um tipo de entidade cuidadora e comentadora dessas histórias. É testemunha de tudo e de todos, dialoga com encantamento, a questão do território indígena, ancestralidade", enfatiza a atriz Dêssa Souza. 

Outra figura importante é Rua de Feira, que simboliza o próprio bairro, a própria rua, o movimento de pessoas, os barulhos dos carros misturados com os cantos dos pássaros que embalam Campo Limpo.

Sobre o bando

O Bando Trapos, que nasceu em 2014, conta com sede no Campo Limpo, por isso a forte influência de elementos da cultura popular vivenciadas no bairro. 

Bando Trapos trabalha com a escuta e troca com moradoras do bairro
Bando Trapos trabalha com a escuta e troca com moradoras do bairro
Foto: Will Cavagnolli

Em 2017, foram contemplado com a segunda edição do Fomento à Periferia para a cidade de São Paulo. Ao longo deste projeto, realizou um ciclo de encontros mensais em que recebiam um coletivo parceiro que se apresentava, e em seguida rolava um bate-papo.

Os encontros foram um ponto de coleta de histórias vividas por moradores do bairro. Foi-se criando um ciclo de escuta e transformação destas histórias em cenas, que quando prontas, eram assistidas pelo próprio público que as narrou.

No início de 2019, a partir de cinco cenas produzidas nesse processo de troca direta com o público, foi encenado o experimento cênico “Vozes do Campo Limpo”, que circulou pelo bairro em locais próximos às moradias das pessoas que narraram suas histórias.

Com o olhar do diretor Cleydson Catarina, o grupo preparou um processo de continuidade dessa criação. O experimento deu nome ao projeto realizado com o apoio da 4ª edição do Fomento à Cultura da Periferia, proporcionando um maior aprofundamento da dramaturgia, sob a orientação de Rudinei Borges. 

O grupo tem no repertório os seguintes espetáculos: “Mephisto Injustiçado” (2013); “Foi o que ficou... do Bagaço” (2015), “O Pequeno Circo de Trapos” (2017), “As Desaventuras de Uma Sopa de Pedra” (2017), experimento cênico “Vozes do Campo Limpo” (2019) e “Espetáculo Pirajussara: Vozes à Margem” (2021).

SERVIÇO 

Espetáculo Pirajussara: Vozes à Margem

  • Espaço Cultural CITA (zona sul)

Dias 14 e 28 de julho, sexta-feira, às 20h

Rua Aroldo de Azevedo, 20 - Jardim Bom Refúgio, São Paulo

  • Espaço da Brava Cia (zona sul)

Dia 15 de julho, sábado, às 20h

Rua Vitório 77 - Vila Prel, São Paulo 

Próximo ao Hospital do Campo Limpo (altura do n° 1750 da Estr. de Itapecerica)

  • Espaço Cultural Jardim Damasceno (zona norte)

Dias 22 e 23 de julho, sábado às 20h e domingo às 19h

Rua Talha-Mar, 105 - Jardim Damasceno, São Paulo

  • Associação Macedônia (zona sul)

Dia 30 de julho, domingo, às 19h

Rua Soriano de Albuquerque 163 - Jardim Macedônia, São Paulo

Fonte: Visão do Corre
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