O bê-á-bá de Las Vegas

Na 'Cidade do Pecado', os cassinos são só um detalhe

12 set 2018
10h00
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Deserto, deserto e mais deserto. Visto da janela do avião, o trajeto para Las Vegas imprime todo o bucolismo do Oeste norte-americano. Até que a paisagem começa a mudar. Construções enormes. Prédios que imitam o skyline de Nova York - com direito a um Empire State -, uma pirâmide, a Torre Eiffel. Você chegou ao maior parque de diversões do mundo, também conhecido como Las Vegas.

Turistas posam em frente ao letreiro de bem-vindo a Las Vegas
Turistas posam em frente ao letreiro de bem-vindo a Las Vegas
Foto: Mike Blake / Reuters

Já em terra, no deserto de Nevada, você vai descobrir um oásis com vulcões que soltam fogo e fontes com jatos d'água que dançam conforme a música. Nada faz muito sentido por aqui e excessos são mais que bem-vindos nesta peculiar metrópole. O cenário megalomaníaco e as luzes que nunca se apagam são palco de uma cidade com excelentes restaurantes, hotéis e, claro, entretenimento - cassinos são só um detalhe.

Não se assuste: à primeira vista, todo o exagero de Las Vegas - que, sim, beira o brega - pode dar um nó na cabeça. A dica de ouro é entrar no clima. Claro que, quanto maior o limite do cartão de crédito, maior a diversão e as opções de serviços exclusivos.

De qualquer forma, em tempos de dólar nas alturas, é bom preparar o bolso. E também aquele protetor solar poderoso, hidratante e muito soro fisiológico: nos meses mais quentes, de junho a agosto, a sensação térmica pode chegar a 50 graus. Mas a experiência vale o show. Quer apostar?

ANTES DE IR

Aéreo: a Latam tem voo direto temporário São Paulo-Las Vegas até o fim de setembro e de dezembro a março de 2019, três vezes por semana, a partir de R$ 2.999,09.

Transporte: na Strip, táxi e Uber têm pontos determinados para buscar e deixar passageiros. Para percorrer a Las Vegas Boulevard, o Deuce Bus tem ar condicionado; o passe de três dias custa US$ 20. Entre as paradas estão a Freemont Street, no centro antigo, e o North Outlets, para comprinhas. No aeroporto, há empresas de shuttle para os hotéis da Strip, como Super Shuttle e BellTrans.

Site: visitlasvegas.com

1. Dormir + apostar

Fontes do Bellagio "dançam" a cada meia hora
Fontes do Bellagio "dançam" a cada meia hora
Foto: 4FR / iStock

Tudo acontece na Las Vegas Boulevard, avenida que cruza a cidade de ponta a ponta. No entanto, o burburinho se concentra numa faixa de quase 7 quilômetros, a Strip. É nesse trecho que estão as principais atrações da cidade, o que inclui os hotéis. Esses gigantescos complexos não guardam apenas quartos e cassinos, mas também teatros, lojas e restaurantes dos mais variados tipos (e estrelas). Parecem travar entre si uma eterna disputa para ver quem impressiona mais o visitante. Entre em todos e surpreenda-se com o que vai descobrir lá dentro.

No Venetian, por exemplo, um canal com gôndolas venezianas percorre todo o andar térreo (você pode embarcar em uma delas por US$ 29) e o lobby imita a Capela Sistina, com direito a afrescos fidelíssimos à obra de Michelangelo. O New York New York tem uma montanha-russa (as filas são constantes e é possível até casar nela). Já o Circus Circus, como o nome sugere, montou um enorme circo em meio às roletas. As fontes do Bellagio e do Wynn dançam de músicas clássicas a hits atuais. Já no Mirage, a coisa esquenta: um vulcão é parte da fachada e faz um show com chamas de verdade.

Ficar na Strip é a melhor opção para ter fácil acesso às atrações da cidade. Las Vegas tem fama de ter bons hotéis com preços mais acessíveis em comparação a espaços similares em outras cidades norte-americanas – mesmo em redes de luxo como Mandarin Oriental e Four Seasons. Atenção à resort fee, cobrança extra que pode chegar a US$ 45 extras por noite. 

Tentando a sorte. E o jogo? Bem, como é de se esperar, os cassinos, as roletas e as máquinas caça-níqueis estão por toda parte. Logo de cara, desembarcando no aeroporto McCarran, você já começa a ser seduzido pelas maquininhas, que têm os mais diversos temas: Game Of Thrones, Michael Jackson, Frank Sinatra, Marilyn Monroe... 

Nas roletas dos cassinos mais famosos, é fácil ver pessoas arriscando alto (nós vimos uma ficha de US$ 1 milhão na mesa em plena tarde de segunda-feira) no pôquer e nas roletas. É quase uma realidade paralela: sem janelas, sem relógios, sem contato com o mundo exterior. Para quem está jogando nas mesas, é comum os cassinos oferecerem drinques de graça. 

Como marinheiro de primeira viagem, decidi tentar a sorte. Lembre-se daquela velha máxima: a casa sempre ganha. Comecei com lucro de US$ 13, me empolguei, e, ao final, perdi US$ 7. Nas apostas de Las Vegas, o dinheiro some com a mesma rapidez com que aparece. Só não tente registrar o feito: os seguranças não gostam de fotos nos cassinos (nem mesmo selfies).

2. Mesa farta

Bife Wellington na nova casa do chef Ramsay
Bife Wellington na nova casa do chef Ramsay
Foto: Gabriel Pinheiro / Estadão Conteúdo

Comer em Las Vegas também é uma atração. Menus estrelados e chefs-celebridade desfilam pelos hotelões e fazem da gastronomia uma experiência inesquecível.

O novíssimo Hell’s Kitchen de Gordon Ramsay, inspirado no programa de televisão, é a principal novidade. Antes de abrir as portas, em janeiro, já havia 12 mil reservas. Trata-se da quinta casa do chef inglês na cidade – este fica no Caesars Palace, tem 300 lugares e funciona das 11h às 23h. Assim como no programa, há duas equipes à frente da cozinha, a vermelha e a azul – mas não ouvimos nenhum grito vindo de lá (ufa).
 
O bife Wellington, especialidade de Ramsay, é o prato mais pedido. E vale o hype: pense em um bife no ponto, envolto em uma casquinha crocante, que você corta sem fazer esforço algum. Custa US$ 49. De entrada, os frutos do mar dão show: aposte no risoto de lagosta cremoso (US$ 24), no farto coquetel de camarão (US$ 17) ou no tartar de atum amanteigado (US$ 19). Para garantir sua mesa, reserve.

Outra novidade é o Spago, do chef austríaco Wolfgang Puck, agora localizado no Bellagio, com vista para as fontes dançantes. Entre as especialidades, o famoso schnitzel (US$ 42) segue um sucesso. 

Se estiver em busca de um menu estrelado, os mais refinados incluem Nobu e Guy Savoy (também no Caesars) e Joël Robuchon, no MGM Grand. Mas dá para ficar no meio-termo e comer muito bem. Uma opção interessante para conhecer de uma só vez vários bons restaurantes é a Lipsmacking Foodie Tours, uma turnê gastronômica pela Strip. Durante três horas, o programa Savors Of The Strip leva para jantar no Javier’s (mexicano), Bardot (francês), Juan Serrano (espanhol) e Milos (mediterrâneo, com muitos frutos do mar fresquinhos), localizados no Aria. A visita conta com um guia, que funciona como um host vip: com ele, não há filas. Os restaurantes oferecem um menu de degustação com seus pratos mais famosos. Drinques estão incluídos, assim como sobremesas (servidas na última parada); US$ 199; vegasfoodietour.com

Mas um clássico de Vegas são os bufês de almoço dos hotéis. Um dos mais concorridos é o Bacchanal, do Caesars Palace, uma festa gastronômica com direito a todo tipo de cozinha: asiática, francesa, italiana, mediterrânea, americana... E ainda tem sobremesa, com tortas, sorvetes, bolos e cupcakes. Tudo à vontade. Água, refrigerante e suco estão incluídos – o preço varia de US$ 20 a US$ 50. 

Prepare-se para filas, mas se não quiser esperar, a experiência vip, no jantar, permite que você reserve seu lugar. Custa US$ 98 e inclui drinques à vontade e acesso à ilha de frutos do mar. 

3. Noite

Cirque encena Michael Jackson
Cirque encena Michael Jackson
Foto: Aaron Felske/Cirque du Soleil / Divulgação

Há de se dizer: Las Vegas não é mundialmente conhecida como a Cidade do Pecado (Sin City) à toa. Há diversão para todos os gostos, de bares badalados a shows com astros como Celine Dion, Backstreet Boys e Lionel Richie, passando por uma variedade de espetáculos do Cirque du Soleil. Quando a noite cai, uma multidão invade a Strip. O fator climático é uma das razões: nos dias mais quentes, é difícil caminhar pela longa avenida com o sol inclemente. Mais fácil aproveitar lugares fechados e seus deliciosos ares-condicionados. 

Clubes. Os grandes hotéis da Strip têm casas noturnas enormes, com tecnologia de som e iluminação de primeira. A cidade já disputa com Ibiza o trono de capital da música eletrônica por seu número de atrações e estrutura. O Caesars Palace conta com o Omnia, o complexo Encore/Wynn tem o XS, o MGM Grand, o Hakkasan, só para citar os mais famosos. As atrações? Pense nos DJs mais requisitados: Tiësto, Calvin Harris, Alesso e David Guetta têm residências nesses clubes, com apresentações semanais. 

Se estiver a fim de se jogar na pista, fique atento ao dress code: em quase todos, homens não entram de tênis nem camiseta. Boné, regata e bermuda, nem pensar. Mulheres também devem caprichar na produção. Informe-se no site do clube antes de sair de casa para não ser barrado na porta. Prepare-se também para abrir a carteira: os ingressos devem ser comprados com antecedência, e variam de US$ 20 (nas noites menos concorridas) a US$ 100 para assistir a Calvin Harris em uma sexta à noite. 

Tampouco é barato beber: uma cerveja não sai por menos de US$ 15. Nessas horas, o manjado ditado “quem converte, não se diverte” nunca fez tanto sentido. 

Shows. É fácil encontrar um show que combine com você. Seja sua praia rock (Aerosmith começa uma residência de três meses na cidade em abril de 2019), pop atual (em dezembro, Lady Gaga estreia uma temporada que vai até junho de 2019) ou das antigas (Backstreet Boys tem um espetáculo sempre lotado, que volta em outubro), opções não vão faltar.

Se você não reservou com antecedência, os guichês da Tix4Tonight costumam ter opções até 50% mais baratas para apresentações na mesma noite. Nem sempre são os melhores lugares, nem sempre haverá para seu show favorito, mas é uma opção.

Cirque du Soleil e Le Rêve colocam poesia no palco, misturando dança e acrobacias. O Le Rêve apresenta The Dream (O Sonho) em um palco aquático no Wynn. Já o Cirque du Soleil conta com oito shows em cartaz na cidade. 

Assistimos ao emocionante Michael Jackson ONE, no Mandalay Bay, que tem menos acrobacias e mais cara de musical da Broadway. Em quase 2 horas, a carreira do rei do pop é revisitada por excelentes dançarinos. A sensação é de estar em um show do próprio Michael – especialmente nos momentos em que um holograma do cantor, de altíssima resolução e proporções reais, entra no palco. Thriller, Man In The Mirror, Billie Jean, Black Or White, I'll Be There... Todos os hits estão lá. Ingressos de US$ 80 a US$ 250. Em cartaz há 5 anos, continua superdisputado. 

4. Voo panorâmico

Tour de helicóptero leva ao Grand Canyon West
Tour de helicóptero leva ao Grand Canyon West
Foto: Gabriel Pinheiro / Estadão Conteúdo

Ver o Grand Canyon de perto é uma daquelas experiências que a gente leva para a vida toda. Nenhum relato faz jus à imponência desse gigantesco desfiladeiro rochoso, esculpido pelas águas esverdeadas do Rio Colorado. É ver para crer. Vai por mim: é caro, mas, se organizar direitinho, você verá que vale cada centavo. 

Las Vegas está a 195 km do Grand Canyon West, região de domínio indígena fica fora do parque nacional, no Arizona – por isso, tem regras de visitação menos rígidas. Você pode fazer o trajeto de carro, ônibus (cerca de 2h30 de estrada) ou – o crème de la crème – de helicóptero. 

Em geral, as empresas oferecem voos logo cedo (por volta das 6h), no meio do dia ou próximo ao pôr do sol. Nossa aventura começou com o dia ainda escuro, às 5h. Pegamos o ônibus até a vizinha Boulder City, a meia hora de distância, de onde parte o helicóptero. É comum as empresas oferecerem esse tipo de traslado, que busca os turistas nos hotéis da Strip

Diversas companhias operam ali. É preciso fazer um rápido check-in e assistir a um vídeo com instruções de segurança. Dica valiosa: tente negociar para sentar na frente, ao lado do piloto, de onde é possível tirar as melhores fotos. Se você tem medo de voar, saiba que em dias de sol e céu limpo (comuns na região), o voo é bastante tranquilo: meia hora para ir, meia hora para voltar. 

O cenário é de tirar o fôlego. Passamos sobre a Represa Hoover, uma das maiores barragens do mundo, que abastece toda Las Vegas. Depois, sobrevoamos o Fortification Hill, um vulcão extinto, e o Lago Mead, o maior lago artificial dos EUA. Mas nada nos preparou para o final cinematográfico: o pouso no Grand Canyon West, às margens do Rio Colorado. Com direito a um rápido piquenique – o local conta com mesas apropriadas para a horda de visitantes que chega e parte sem parar. 

Geralmente, a parada não dura mais que meia hora, e é tanta coisa para ver que o tempo passa voando. Aproveite ao máximo. Tire algumas boas fotos de recordação, deixe o celular um pouco de lado (se conseguir!) e explore o lugar. Daria para ficar horas ali. 

Na hora de reservar, fique atento: nem todo passeio inclui o pouso no cânion – algumas empresas oferecem somente o sobrevoo. Ver a região do alto é espetacular, mas o pouso deixa a experiência ainda mais especial. Os valores variam de US$ 350 a US$ 500. Voamos com a Papillon, que oferece reservas online e tem um site em português. Todo o passeio, da saída do hotel até a volta, dura cerca de 4 horas.

5. Lado B

Nem só de passeios caros vive o turista em Las Vegas
Nem só de passeios caros vive o turista em Las Vegas
Foto: Gabriel Pinheiro / Estadão Conteúdo

Nem só de passeios caros vive o turista em Las Vegas. Dá para curtir atrações pouco divulgadas e muito interessantes sem precisar desembolsar fortunas – ou mesmo sem gastar nada.

Fremont Street. Uma rua coberta, com projeções e luzes bem ao estilo Vegas. Em Downtown, a opulência da Strip fica de lado para recriar um pouco da antiga cidade. Foi ali que Las Vegas nasceu, e muitos de seus antigos hotéis e cassinos continuam em atividade, com preços ainda mais econômicos do que os encontrados na Strip. O barato é ir à noite, para ver a movimentação e os shows, grátis – há sempre um (ou mais) Elvis por lá. Os corajosos podem ainda deslizar em uma tirolesa e observar a rua do alto (US$ 40). Para ver a programação de atividades, acesse: vegasexperience.com. Se tiver pouco tempo na cidade, é possível organizar um dia todo só para Dowtown, deixando a Fremont como a última parada.

Templo da Máfia. Pensar que existe um museu dedicado ao crime pode parecer um pouco estranho. Não dá para dissociar, porém, o crescimento de Las Vegas com a máfia que comandava o crime organizado nos EUA. O jogo atraiu todo o tipo de gente, inclusive bandidos bem conhecidos como Al Capone, Meyer Lansky, Charlie Luciano, entre outros. O Museu do Crime Organizado (MOB) (themobmuseum.org), em Downtown, conta como as autoridades norte-americanas combateram esses criminosos, e expõe diversos objetos pessoais que pertenceram a eles -- inclusive armas, chapéus, ternos e gravatas. Todo o cenário é ambientado com sons de tiros, luzes baixas e muitos vídeos históricos. Tem até um tribunal da época, que reproduz os julgamentos.

A cereja do bolo fica no andar subterrâneo, dedicado à história da Lei Seca, a fracassada cruzada do governo americano contra o álcool, que vigorou de 1920 a 1933. Em vez de coibir o consumo, a proibição gerou verdadeiras fortunas no mercado paralelo, e fortaleceu bandidos como Al Capone. Ali, há uma réplica dos bares da época, pequeno e escondido. Para entrar, só falando uma senha. É possível tomar um drinque à base de Moonshine, o uísque transparente de milho que era facilmente produzido pelos contrabandistas para burlar a proibição. Vá devagar: a bebida é bem forte, com teor alcoólico que chega a 70% (!). Os ingressos custam US$ 24,95 (estudantes e crianças têm desconto, menores de 10 anos não pagam) e podem ser comprados online.

História das luzes. O que acontece com as toneladas de letreiros de néon que iluminam Las Vegas quando são substituídos? Pois bem: alguns deles têm o privilégio de virar objeto de museu. O Museu do Néon (neonmuseum.org) é um local a céu aberto, também em Downtown, que reúne célebres letreiros que contam a história da cidade, desde os primeiros cassinos até motéis de beira de estrada, muito anteriores às fachadas dos grandes resorts. São centenas deles, que formam um cenário incrível para fotos e vídeos no Instagram. A visita de 1 hora é guiada por funcionários que contam a história por trás dos luminosos. Criado em 2012, é o maior museu do gênero no mundo. Ao fim da visita, você vai testemunhar um verdadeiro show: há letreiros acendem ao ritmo de clássicos de Frank Sinatra, Elvis Presley e outros artistas com trajetórias que passam pela Cidade do Pecado. Os ingressos são concorridos: reserve com antecedência no site. Os preços variam de US$ 19 a US$ 42.

Para amantes da velocidade. A fábrica da Shelby (shelby.com), que produz o lendário Cobra, carro considerado a “Ferrari americana”, fica a poucos minutos da Strip. Há um enorme showroom, com muscle cars (carros potentes) de todas as épocas, que contam a história da marca. Se der sorte, você consegue pegar um tour guiado, disponível de hora em hora. O melhor? A entrada é de graça. Nem o estacionamento você paga. Agora, se você estiver a fim de viver um pouco de aventura, pode dirigir um dos carrões por US$ 25. Dá para acelerar muito em um grande pátio nos fundos da fábrica. Na entrada, uma lojinha com centenas de souvenirs da Shelby também é bastante tentadora.

Veja também:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estadão Conteúdo

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