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Surto de esporotricose: o que é a doença transmitida por gatos

Micose causada pelo fungo da espécie Sporothrix schenckii está descontrolada no Brasil e já ultrapassa as fronteiras

17 out 2023 - 05h00
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Imagem meramente ilustrativa mostra mordida ou arranhão de gato
Imagem meramente ilustrativa mostra mordida ou arranhão de gato
Foto: Natalia Kokhanova / iStock

A micose causada pelo fungo da espécie Sporothrix schenckii está descontrolada no Brasil. Trata-se da esporotricose, uma zoonose transmitida por gatos que também pode infectar cachorros e humanos.

O descontrole já ultrapassa as fronteiras nacionais, com casos confirmados na Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile. A informação é do infectologista Flávio Telles, coordenador do Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Segundo a Folha de S. Paulo, ele abordou o assunto durante o 23º Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado em Salvador. O Ministério da Saúde também reconheceu a situação que define como "um grave problema de saúde pública".

O acompanhamento, no entanto, não é uniforme. A pasta federal não controla a origem dos casos e não há um padrão para que os estados organizem seus números.

Assim, alguns deles registram apenas os casos de esporotricose humana — Rio de Janeiro (1.517 ocorrências em 2022 e 760 em 2023) e Minas Gerais (524 em 2022 e 517 em 2023) são exemplos. Outros, como a Bahia, fazem tal distinção. No estado, foram 402 registros de esporotricose humana e 930 da felina em 2022. Até setembro deste ano, foram 492 casos em humanos e 770 em animais.

Como ocorre a transmissão?

Segundo o Ministério da Saúde, acontece de três formas:

  1. quando há contato do fungo com a pele ou mucosa por meio de um trauma decorrente de acidentes com espinhos ou lascas de madeira
  2. quando há contato com vegetais em decomposição
  3. através da mordida ou arranhão de animais doentes, geralmente o gato

Como ressalta a pasta, não há transmissão de pessoa para pessoa.

A doença também tem diferentes formas clínicas e, por consequência, sintomas diversos. Conheça as quatro versões:

  • esporotricose cutânea: uma ou múltiplas lesões, especialmente nos braços;
  • esporotricose linfocutânea: a pasta afirma que essa é a forma mais frequente; ocorre quando os pacientes sentem pequenos nódulos na camada mais profunda da pele, seguindo o trajeto do sistema linfático da parte do corpo afetada;
  • esporotricose extracutânea: ocorre quando a doença se espalha para outros locais do corpo, a exemplo dos ossos e mucosas, mas sem comprometer a pele;
  • esporotricose disseminada: é quando a doença se espalha para outras áreas do corpo, mas compromete órgãos e sistemas.

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Qual o tratamento para esporotricose?

Essa decisão carece, primeiro, de avaliação médica. Geralmente são ministrados antifúngicos, como itraconazol, iodeto de potássio, terbinafina e complexo lipídico de anfotericina B nos casos mais graves. Todo o processo pode durar de três a seis meses ou até um ano até a cura do paciente.

E como prevenir a esporotricose?

A principal medida visa evitar a exposição ao fungo, por isso recomenda-se o uso de luvas e roupas com manga longa durante o manuseio de material proveniente do solo e de plantas. Indivíduos com lesões suspeitas devem procurar atendimento médico assim como animais devem ser encaminhados ao veterinário.

Fonte: Redação Terra Você
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