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SP determina que hospitais mantenham leitos para covid-19 e não agendem cirurgias eletivas

Recrudescimento de casos de coronavírus no Estado leva Centro de Contingência a propor medida em decreto

19 nov 2020
13h32
atualizado às 21h35
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Por causa do aumento de casos e mortes por covid-19 nos últimos dias, o governo de São Paulo determinou em decreto que os hospitais não poderão desmobilizar seus leitos voltados para o atendimento de pacientes com coronavírus. Outra determinação é a de não agendar cirurgias eletivas para não ocupar leitos em um momento de "recrudescimento" da pandemia no Estado. O cancelamento de procedimentos do tipo também tem sido adotado na Santa Catarina e no Paraná, diante da alta de infecções.

A tentativa de não desmobilizar os leitos nos hospitais paulistas é uma iniciativa da Secretaria de Saúde para evitar uma situação crítica, como já vem ocorrendo em outros Estados do País. "O governo de São Paulo, sempre com o compromisso de garantir e preservar vidas, assina hoje um decreto que determina a todos hospitais públicos, filantrópicos e privados a não desmobilização de qualquer leito, seja ele de UTI ou de enfermaria, voltado para o atendimento de covid-19, assim como a não realização de novos agendamentos de cirurgia eletiva. Queremos garantir leitos para pacientes que possam necessitar", explicou Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes 
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
Foto: Divulgação / Governo do Estado de SP / Estadão

Ele lembrou que São Paulo tem 1.191.290 casos registrado por coronavírus, com 41.074 óbitos. Nas últimas 24 horas foram registrados 6.794 novos casos e 147 óbitos. A ocupação de leitos no Estado é de 43,5%, sendo que na Grande São Paulo está um pouco acima, com 49,7%. "Pelos números, não pensamos no momento na reabertura de leitos dos hospitais de campanha", avisou.

Segundo João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência de Covid-19, é um momento de ter atenção na pandemia. "A gente percebeu que nos últimos dias houve um recrudescimento. Pequeno, mas houve. Não temos risco de falta de leitos no momento. Houve aumento de quase 20%, mas ainda estamos abaixo de ocupação de 50%. De qualquer forma, a partir de agora ninguém está autorizado a mudar leito de covid para de outra especialidade", completou.

O governador João Doria explicou que após os primeiros sinais de agravamento da doença no Estado, o governo optou por cancelar a reclassificação do Plano São Paulo e adiar para 30 de novembro a próxima data. "Também diminuímos para 14 dias o período de reclassificação. O governo reitera nosso compromisso em proteger a vida das pessoas e ser exemplo de obediência à ciência e à saúde", disse. "Estamos perdendo vidas todos os dias no Brasil ou será que vamos banalizar isso? É muito triste. Não é o momento para fazer festa ou aglomerações. Não é hora de retirar a máscara", continuou o governador.

Doria também garantiu que não faz uso político da pandemia e que tudo é feito de forma clara. "O governo será transparente em qualquer tomada de decisão sobre a pandemia. São 145 coletivas de imprensa com os principais membros e representantes do centro de contingência. Não há decisão política ou econômica, há decisão da saúde", disse.

Números da covid-19 no Estado

A média móvel de mortes pela covid-19 no Estado de São Paulo, que vinha caindo desde meados de setembro, voltou a subir esta semana, após apagão de dados por falha técnica na plataforma do Ministério da Saúde. No dia 10 de novembro, a média móvel estava em 50, número baixo puxado pela ausência de registros durante cinco dias. Nove dias depois, a média móvel de óbitos diários chegou a 125, nesta quinta-feira. O número de infectados também aumentou.

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Estadão
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