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Pediatra desmente ligação entre Tylenol e autismo levantada por Trump: 'Ciência não é opinião'

Presidente dos EUA polemizou ao afirmar que existe aumento no risco de autismo em crianças expostas ao paracetamol

25 set 2025 - 04h59
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Tylenol é amplamente utilizado para alívio de dores e febre
Tylenol é amplamente utilizado para alívio de dores e febre
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou polêmica ao sugerir que o uso de Tylenol (paracetamol) durante a gravidez poderia estar relacionado ao aumento dos casos de autismo. A declaração repercutiu internacionalmente essa semana e foi alvo de críticas da comunidade científica.

“Ciência não é opinião: é construída com dados, décadas de estudo e rigor metodológico. Trazer à tona dúvidas sem base sólida só amplia o sofrimento das famílias e dificulta o acesso a informações corretas”, afirma a pediatra Dra. Anna Bohn, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), ao reforçar que não há evidências para sustentar a fala do presidente.

O que diz a ciência

Segundo a médica, o maior estudo já conduzido sobre o tema — envolvendo 2,5 milhões de crianças na Suécia — não encontrou aumento do risco de autismo em filhos de mulheres que utilizaram paracetamol na gestação. A análise comparou inclusive irmãos de famílias com histórico da condição e chegou ao mesmo resultado: nenhuma diferença.

Pesquisas menores que sugeriram associação, explica Bohn, têm falhas metodológicas relevantes. Muitas foram baseadas em relatos maternos anos após a gravidez, um dado considerado impreciso e sujeito a vieses. Além disso, não foi identificada relação entre a dose do medicamento e a suposta elevação do risco.

O paracetamol é amplamente utilizado desde a década de 1950, enquanto os primeiros registros clínicos de autismo datam de 1911. Países como Japão e Noruega também já realizaram estudos populacionais com conclusões semelhantes às do levantamento sueco. Revisões recentes reforçam que o fármaco não representa um risco significativo.

“Atribuir uma condição tão complexa a um único fator não condiz com o conhecimento científico atual e ainda reforça estigmas, culpando injustamente as mães”, ressalta a pediatra.

Ela lembra que, ao contrário do paracetamol, a febre durante a gestação pode trazer complicações reais, incluindo malformações no feto. “Desaconselhar o uso de um medicamento seguro sem oferecer alternativa adequada pode ser mais prejudicial do que benéfico”, explica.

Revistas científicas como a Nature também publicaram respostas às falas de Trump, destacando que não há evidências que justifiquem restrições ao paracetamol na gestação.

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