Meninas entrando na puberdade mais cedo? Ciência investiga produtos comuns da rotina
Puberdade precoce ganha novo alerta: estudo investiga relação com compostos presentes em plásticos e cosméticos usados no dia a dia.
Ver o corpo de uma criança começar a mudar antes da idade esperada costuma gerar muitas dúvidas e preocupação nas famílias. Quando as mamas começam a se desenvolver ainda na infância ou surgem outros sinais de maturação precoce, é natural que pais e responsáveis queiram entender o que pode estar acontecendo.
Embora fatores genéticos e algumas condições de saúde expliquem parte dos casos, cientistas também investigam há anos se a exposição a compostos presentes em produtos usados diariamente pode influenciar esse processo.
Um novo estudo realizado na Espanha reforça essa linha de pesquisa ao encontrar uma associação entre níveis mais elevados dessas substâncias no organismo e um maior risco de puberdade precoce ou desenvolvimento precoce das mamas em meninas.
Onde esses compostos estão?
Os pesquisadores avaliaram os chamados disruptores endócrinos, compostos capazes de interferir no funcionamento dos hormônios.
Entre os que mais chamaram a atenção no estudo estão:
- Bisfenol A (BPA): presente em alguns plásticos, revestimentos internos de latas e resinas usadas em embalagens.
- Benzofenonas: utilizadas como filtros contra a radiação ultravioleta em alguns cosméticos e produtos de cuidados pessoais.
O contato com esses compostos pode ocorrer de diferentes formas, como por meio de alimentos embalados, recipientes plásticos, cosméticos e da exposição ao ambiente.
O que o estudo mostrou?
As meninas que apresentavam níveis mais elevados de BPA e benzofenonas no organismo tiveram maior ocorrência de sinais de puberdade precoce do que aquelas com níveis mais baixos desses compostos.
No caso do BPA, o risco foi cerca de 44% maior. Já entre as meninas com maiores níveis de benzofenonas, a chance de apresentar puberdade precoce foi aproximadamente três vezes maior.
A pesquisa analisou 310 meninas, entre 4 e 8 anos, atendidas em seis hospitais da Espanha.
Por que a puberdade precoce merece atenção?
Nas meninas, a puberdade é considerada precoce quando começa antes dos 8 anos.
Além das mudanças físicas acontecerem antes do esperado, a criança pode enfrentar dificuldades emocionais e sociais por desenvolver o corpo antes dos colegas da mesma idade.
Em alguns casos, esse desenvolvimento antecipado também pode comprometer a altura final na vida adulta e está associado a um risco maior de alguns problemas de saúde ao longo da vida.
Por isso, qualquer sinal deve ser avaliado por um pediatra ou endocrinologista pediátrico.
É possível reduzir a exposição?
Como esses compostos estão presentes em diversos produtos, evitar completamente o contato nem sempre é possível. Ainda assim, algumas medidas podem ajudar a reduzir a exposição no dia a dia:
- evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, principalmente no micro-ondas;
- preferir recipientes de vidro ou inox para armazenar alimentos;
- escolher, quando possível, produtos que informem claramente sua composição;
- priorizar alimentos frescos e reduzir o consumo de ultraprocessados e de embalagens desnecessárias.
Esses cuidados fazem parte de uma estratégia preventiva, mas não garantem, por si só, a prevenção da puberdade precoce.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, e publicado no European Journal of Pediatrics.
O estudo reforça uma linha de pesquisa que vem ganhando atenção nos últimos anos, mas, por si só, não comprova que esses compostos causem a puberdade precoce.
Segundo os pesquisadores, novas investigações serão importantes para entender até que ponto a exposição a essas substâncias pode influenciar o desenvolvimento infantil.
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