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Jovem de 18 anos morre: é preciso criar um protocolo para extração de siso?

De acordo com especialistas, os casos devem ser avaliados individualmente por um profissional habilitado; saiba como escolher um dentista capacitado

17 jul 2023 - 17h30
(atualizado às 17h42)
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Isadora Belon Albanese tinha 18 anos e teve infecção generalizada após um procedimento de extração de siso. Ela morreu em abril deste ano.
Isadora Belon Albanese tinha 18 anos e teve infecção generalizada após um procedimento de extração de siso. Ela morreu em abril deste ano.
Foto: Reprodução/ Instagram: @unidospelaisadora / Estadão

A morte de Isadora Belon Albanese, de 18 anos, após sofrer complicações de uma cirurgia de extração de siso tem levantado uma discussão sobre o risco desse tipo de procedimento e quais cuidados devem ser tomados.

Os pais da jovem reivindicam a criação de um protocolo padrão para esse tipo de procedimento, de forma que o paciente ou a família possam se atentar contra os possíveis riscos e identificar má conduta do dentista. No entanto, para especialistas escutados pelo Estadão, a criação de protocolo não faz sentido por uma série de motivos.

O porta-voz da CROSP diz ainda que é necessário reforçar a importância da presença de profissionais bucomaxilofaciais em equipes multidisciplinares hospitalares.

Segundo ele, algumas infecções dentárias são bastante específicas e demandam o acompanhamento de um profissional treinado para isso, o que nem sempre ocorre, já que não há uma lei que determine que hospitais e unidades de saúde tenham essa especialidade em seu corpo clínico.

Para saber se um dentista tem mesmo diploma e quais são suas especialidades, é possível fazer uma busca no site do Conselho Regional de Odontologia do seu Estado pelo número do CRO ou pelo nome completo do profissional.

Entenda o caso de Isadora

De acordo com os pais de Isadora, que foram escutados pelo Fantástico em uma reportagem veiculada neste domingo, 16, a jovem passou por um procedimento de extração de dois dentes do siso no lado direito da boca em março deste ano e teve inchaço e dores normais para esse tipo de procedimento.

Já em 19 de abril, quando passou pela segunda cirurgia para a extração dos dois dentes do siso do lado esquerdo da boca, a situação foi diferente. Dois dias depois do procedimento, em 21 de abril, ela se queixou aos pais de que não estava conseguindo dormir tamanha a dor que sentia na região.

"Ela já foi no nosso quarto gritando de dor e falando: 'não aguento mais, não aguento mais'. A dentista me acalmou e falou: 'isso é previsto, calma, vamos trocar o antibiótico (...) ela teve falta de ar"", disse a mãe à reportagem. Os dois procedimentos foram feitos em uma clínica odontológica de Porto Feliz não identificada.

No mesmo dia, Isadora teve episódios de vômitos e a família decidiu então levá-la a um hospital. Ela precisava ser atendida por um especialista bucomaxilofacial, responsável por esse tipo de quadro. Segundo a família, só no dia seguinte, por volta das 11h, Isadora foi atendida pelo especialista.

O quadro de infecção já era grave e a jovem precisou passar por cirurgia de drenagem no local da extração. Durante o procedimento, teve uma parada cardíaca que durou quase quatro minutos. Em seguida, foi levada para a UTI, mas teve outra parada cardíaca e morreu às 6h15 do dia 23 de abril.

Revoltados com a morte rápida e inesperada da filha, os pais de Isadora levaram o caso às redes sociais e reuniram mais de 60 mil assinaturas em um pedido para criação de uma normativa para a extração do siso, com o objetivo de prevenir que quadros como este voltem a se repetir. Eles acreditam que não foram informados corretamente sobre os riscos e cuidados necessários.

Em nota enviada ao Estadão, o Hospital Modelo de Sorocaba, onde Isadora foi atendida, disse que ela foi submetida a uma bateria de exames que constatou um quadro já grave de infecção. A unidade de saúde afirma que a jovem foi medicada com "antibiótico venoso de atuação ampla e potência elevada", mas, mesmo assim, seu estado se agravou para infecção generalizada.

Segundo o hospital, o profissional que realizou a cirurgia é especializado em operações bucomaxilares e que o procedimento seguiu todas as normas. Após o procedimento, "Isabela foi transferida para internação na UTI. Todos os profissionais, equipamentos e medicamentos necessários foram empregados na tentativa de recuperar seu quadro clínico. A direção do Hospital Modelo e suas equipes reafirmam o apoio à família de Isadora e sua luta", finaliza a nota.

A dentista que atendeu Isadora, cujo nome não foi divulgado, disse à TV Globo que todas as medidas pré e pós-operatórias foram tomadas, que deu as devidas orientações à família e que lamenta o ocorrido.

Estadão
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