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Jovem arrecada R$ 8 mil para compra de EPIs em Manaus

Cinco dias antes do colapso dos hospitais de Manaus, família de Dalva Caroline Lins fez vaquinha para comprar oxigênio para a tia

16 jan 2021
05h10
atualizado às 11h38
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A estudante de jornalismo Dalva Caroline Lins, 22 anos, arrecadou em um único dia mais de R$ 8 mil por meio de campanha nas redes sociais para compra de equipamentos de equipamentos de proteção individual (EPIs) para hospitais de Manaus após receber relatos dos profissionais do informando sobre a falta de equipamentos para o atendimento básico de vítimas da covid-19. Cinco dias antes da crise mais aguda na capital do Amazonas, a jovem acompanhou a saga da própria família que também precisou fazer uma vaquinha para compra de de oxigênio para a tia, que foi diagnosticada com a doença e precisava de um cilindro para se manter viva.

"A minha tia ligou para minha mãe e estava desesperada porque precisava desse cilindro de oxigênio, mas eu achei que era um caso isolado, que tinha faltado naquele dia. Foi uma loucura ir atrás desse cilindro", afirmou Dalva ao Estadão. A tia, Graça Barbosa, tem 58 anos.

Dalva Caroline Lins arrecadou doações para hospitais de Manaus
Dalva Caroline Lins arrecadou doações para hospitais de Manaus
Foto: Reprodução/ Reprodução / Estadão Conteúdo

Na quinta-feira, 14, após a família ter conseguido financiar o cilindro para a tia, que está em estado estável, a jovem recebeu mensagens de uma enfermeira do Hospital 28 de Agosto, maior pronto-socorro de Manaus, relatando falta de máscaras e macacões.

"Ontem acordei com mensagens de amigos que trabalham na saúde relatando mortes por falta de oxigênio nos hospitais. Minha melhor amiga mandou mensagem dizendo que várias pessoas tinham morrido antes das 10h da manhã porque o oxigênio tinha acabado nos hospitais. Aí os profissionais começaram a me mandar mensagens relatando também a falta de EPIs. Foi aí que me toquei sobre a situação que já tínhamos vivenciado na família, e que era bem maior do que pensava. Aproveitei minha rede no Twitter e iniciei uma campanha para ajudar os enfermeiros que precisam de EPÌs, porque oxigênio não tem onde comprar por aqui", explicou.

A jovem arrecadou mais de R$ 8 mil em dinheiro, além de doações em produtos. No momento de fazer as compras, se deparou com locais onde já não havia mais EPIs disponíveis à venda. "E os que estavam para chegar também já estavam vendidos".

Ao Estadão, uma profissional da saúde disse que se as doações de EPIs não forem entregues diretamente aos profissionais podem acabar sendo desviadas, como teria ocorrido em 2020. "Os hospitais estão lotados com casos gravíssimos e não tem EPI", disse a profissional que não quis se identificar.

"Aqui em Manaus as pessoas vivem uma situação de desespero. É muito angustiante saber que se você ficar doente pode não haver leitos nem oxigênio, isso gerou um pânico muito grande e compreensível", disse. Segundo Dalva , os mercados da cidade ficaram lotados porque a população teme que, diante da situação, um novo lockdown possa ser implementado. "É triste, mas os mercados estavam cheios porque as pessoas se preparam para ficar em casa por mais tempo", disse.

Por meio de assessoria de imprensa, a Secretaria de Saúde do Amazonas disse que a empresa responsável pelo fornecimento de oxigênio para as unidades da rede estadual de Saúde. a White Martins, "informou, no dia 7 de janeiro de 2021, que não teria condições de suprir a demanda crescente".

O consumo diário de oxigênio, que no primeiro pico da pandemia saiu de 14 mil metros cúbicos para 30 mil em um período de 30 dias, nesta segunda fase cresceu exponencialmente em um curto espaço de tempo. O consumo, que estava na ordem de 30 mil metros cúbicos no dia 31 de janeiro de 2020, saltou para perto de 60 mil no dia 8 de janeiro e chegou a 76,5 mil metros cúbicos atualmente, com indicação de demanda crescente, segundo dados da Saúde do Estado.

"Desde que foi comunicado pela empresa da dificuldade de atender à demanda, no dia 7 de janeiro, o governo do Amazonas iniciou uma força-tarefa para solucionar o problema, contando com o apoio das Forças Armadas no transporte de oxigênio de plantas da própria White Martins em outros estados para Manaus e também requisitando toda a produção de outras duas empresas que produzem na capital, mas que são de menor porte comparado à principal fornecedora. O Governo também iniciou a prospecção para contratação de mini usinas para os hospitais de Manaus, medida que foi assumida pelo Ministério da Saúde, que está providenciando essa solução", informou o Estado.

O órgão ainda informa que, quanto ao oxigênio, a dificuldade é que a logística de transporte é complexa por causa das peculiaridades do produto, que requer máxima segurança e condições especiais de transporte.

Quanto à falta de EPIs, a secretaria informou que a Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA) entrega às unidades, semanalmente aos profissionais, e disse que não procede o relato de enfermeiros que apontaram a falta de macacões e máscaras.

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