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Grávida pode ter manchas na pele, estrias e inchaço: 'É preciso se respeitar nessa transição'

Gestação causa mudanças naturais no corpo, mas especialistas apontam maneiras de lidar com isso e de trabalhar a autoestima durante esse período

19 abr 2023 - 10h10
(atualizado às 11h37)
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A gravidez traz consigo mudanças e marcas no corpo. Com o objetivo de desmistificar isso, a influenciadora Viih Tube, que deu à luz a sua primeira filha, Lua, há duas semanas, gravou um vídeo falando sobre os impactos da gestação em seu corpo. Mas, afinal, quais são as possíveis alterações corporais durante a gravidez? E como lidar com elas e trabalhar com a autoestima?

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Segundo obstetras e dermatologistas ouvidos pelo Estadão, as mudanças corporais causadas pela gestação têm a ver com mudanças hormonais e adaptações estruturais do corpo para a acomodação e nutrição do feto. A maioria delas são temporárias, mas algumas podem perdurar mesmo depois do puerpério e nem todas são reversíveis.

São possíveis mudanças corporais causadas pela gravidez:

  • Aparecimento de estrias;
  • Ganho de peso e aparecimento de celulite;
  • Alterações na oleosidade da pele, com o possível surgimento de espinhas;
  • Desenvolvimento de melasma (manchas na pele);
  • Escurecimento de cicatrizes e áreas de dobras do corpo;
  • Escurecimento da linea alba (que corta a barriga, passando pelo umbigo);
  • Aumento e alterações na cor das aréolas;
  • Aparecimento de pequenas verrugas pelo corpo;
  • Queda de cabelo e enfraquecimento das unhas;
  • Aumento da mama e, posteriormente à amamentação, diminuição e maior flacidez na região;
  • Flacidez na barriga e, em alguns casos, na vagina após a gestação;
  • Mudança na curvatura da coluna, projetando os glúteos para trás (apenas durante a gestação);
  • Abertura da bacia, causando abertura maior das pernas ao andar (apenas durante a gestação);
  • Aumento do umbigo, que pode saltar para fora;
  • Aumento do tamanho das orelhas, nariz, queixo, pés e mãos;
  • Inchaço nas pernas e a vulva (apenas durante a gestação);

Estrutura corporal

Segundo o Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês, é comum que os seios aumentem de tamanho durante a gestação e, com isso, as aréolas tendem a crescer também.

Após o período de amamentação, o seio reduz de tamanho e pode chegar a ficar menor do que era antes da gravidez - além de mais pendente, flácido -, afirma o médico. As aréolas não retornam ao tamanho original, garante o especialista.

Esse aumento de tamanho pode acontecer também com alguns membros do corpo, como mãos, pés, nariz e orelhas. Algumas mulheres, aponta o médico, podem passar a calçar um número maior de sapato de forma definitiva. Isso acontece porque a gravidez estimula o crescimento rápido de cartilagem.

O umbigo, que tende a ficar saltado, pode ou não retornar ao seu estado original. "A musculatura reto abdominal é formada por dois ramos musculares unidos por um tendão. Com o crescimento do útero, esse tendão pode se esgarçar e afastar os dois ramos do músculo reto abdominal, gerando que eles chamam de 'diástase'", diz Pupo.

A vagina pode se tornar mais flácida após o parto, se ele for normal. No entanto, o obstetra do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista Wagner Rodrigues Hernandez garante que não é algo tão significativo e não deve afastar mulheres desse tipo de parto. Segundo ele, na maioria dos casos, o quadro é revertido naturalmente ou com a ajuda de fisioterapia pélvica.

Outra mudança é que, com a mudança no eixo gravitacional do corpo por conta do aumento da barriga, a coluna da grávida faz uma curvatura para frente. Isso faz com que os glúteos sejam projetados para trás. Após o parto, a coluna volta ao seu estado original, assim como os glúteos.

Ganho de peso

O ganho de peso é comum. "A gravidez demanda um aumento, um excesso de calorias e de nutrientes. Então, na gestação, o corpo da mulher se torna mais ávido por absorver e fazer reserva desses materiais", explica Pupo. Além disso, o corpo incha - em especial no final da gravidez, quando está calor ou quando a alimentação é rica em sódio.

Apesar de ser um processo natural e que tende a ser revertido depois do parto, em alguns casos, o acúmulo de gordura e a tendência a engordar podem perdurar. As alterações hormonais e no metabolismo, junto a fatores psicológicos relacionados à maternidade, fazem com que pessoas que inicialmente tinham dificuldade em engordar, como a jornalista Letícia Pinho, de 24 anos, passem a ganhar peso com mais facilidade.

Melasma

O melasma tende a ser o maior vilão das grávidas quando o assunto é pele e aparência. Ele causa manchas escuras na pele e pode aparecer durante ou após a gestação, em especial no rosto.

"O melasma geralmente acontece por alteração hormonal. Na gestante, existe um aumento do progestogênio, do estrógeno e também do MHS, que é o hormônio que estimula a produção de melanina (proteína que dá coloração à pele e aos cabelos)", explica Matsuda. A exposição ao sol tende a piorá-las e torná-las permanentes.

A analista de marketing Marina Dorneles, de 38 anos, conta que não teve manchas na pele durante a gravidez, mas começou a percebê-las no período de amamentação. "Eu sabia que existia o melasma, mas não tinha ideia de que eu poderia desenvolver isso. Posteriormente, conversando com a minha mãe, ela me disse que teve manchas quando estava grávida de mim", conta. O melasma tem fatores genéticos.

Manchas escuras também podem aparecer em regiões de cicatrizes, áreas de dobras do corpo e na linea alba, linha que corta a barriga na vertical passando pelo umbigo. Essas manchas, no entanto, tendem a sumir depois da gravidez, apontam as especialistas.

Cuidados e fatores de risco

Alguns cuidados podem evitar ou amenizar as mudanças causadas pela gravidez no corpo das mulheres. Se manter hidratada, bebendo bastante água ao longo do dia e levando uma alimentação balanceada, ajuda a evitar estrias, celulite, acne e ganho excessivo de peso, por exemplo.

Utilizar hidratantes no corpo todo, em especial na barriga, quadril, pernas e seios é o melhor remédio contra as estrias. É importante evitar coçar a região e reforçar a hidratação caso sinta coceira, aponta Matsuda, pois é um sinal de estiramento da pele. Depois que elas aparecem, "o tratamento, geralmente, a gente faz depois do parto, com laser", diz Hong.

Já o melasma ocorre principalmente por fatores genéticos e também pela exposição excessiva ao sol. Dessa forma, a recomendação é que se use protetor solar diariamente com fator protetor (FPS) superior a 30 e evite exposição em horários próximos ao meio-dia. Quem tem casos na família deve redobrar os cuidados. Depois do período de amamentação, é possível tratar as manchas com ácidos ou laser.

Autoestima

Ao postar o vídeo de "tour pelo corpo", Viih Tube disse que pretendia ajudar outras mães a se sentirem acolhidas neste momento de mudanças,que podem abalar a autoestima feminina. O tema foi abordado também na novela Vai na Fé, da Rede Globo, com a personagem Clara (Regina Alves), que, em um dos capítulos, revelou que se sente mal com as mudanças no seu corpo depois da gravidez, apontando que, socialmente, é difícil expor que uma mulher não gostaria de estar grávida.

Fernanda se identifica com a personagem. "Não consigo mostrar minha barriga. Toda vez que preciso colocar roupa de banho, fico me olhando no espelho e sinto vergonha. Penso muito que os outros, principalmente pessoas próximas, irão olhar e julgar", diz. "Gostaria de não me sentir assim e aceitar essas marcas. Sei que elas são sinais de que um dia fui 'casa' para meus filhos, mas não consigo me sentir bela."

Segundo Marília Scabora, psicóloga e fundadora da comunidade Tribo Mãe, há fatores sociais e pessoais envolvidos. "A maneira como a mulher enxerga e se relaciona com o seu corpo antes da gravidez impacta diretamente em como ela lida com as mudanças inevitáveis que o processo gestacional traz", diz.

Mesmo para quem tem uma autoestima elevada, não é tão simples. "No Brasil, país onde o corpo feminino é cultuado de acordo com um padrão muito específico, o corpo pós-parto, que sai deste padrão, não é bem visto. Durante a gestação, as mudanças físicas ganham um breve aval social para mudar, mas desde que não mude demais", aponta a especialista.

Segundo ela, para quem tem oportunidade, terapia antes da gravidez e um acompanhamento psicológico no pré-natal podem ajudar. "Além disso, conversar com a sua rede de apoio e compartilhar com eles como melhor te dar suporte nessas fases é importante. Assim como é preciso se respeitar nesse período de transição, não buscando 'voltar a ser o que se era antes' mas aceitando as mudanças que nos transformam", afirma.

A psicóloga Gabriela Luxo diz ainda que é preciso investigar possíveis oscilações hormonais, que podem interferir no humor da mulher durante a gestação e, consequentemente, na forma como ela se vê. A especialista aponta ainda que a rotina e a relação com o parceiro ou parceira amorosa são fatores que impactam na forma como a mulher enxerga e aceita seu corpo. Fazer terapia com um psicólogo pode ajudar a identificar e tratar o problema, diz.

Letícia Pinho conta que hoje, por mais que tenha momentos de incômodo, já consegue ter uma relação melhor com o seu corpo. Ela diz que segue apenas influenciadoras com conteúdos próximos da realidade dela, para evitar comparação, e voltou a fazer atividades físicas. Por fim, compreendeu que as marcas e estrias fazem parte de quem ela é hoje: entre tantas outras coisas, mãe do Kauê.

Letícia diz que hoje aceita que as marcas em seu corpo fazem parte de sua história e de quem ela é - inclusive, mãe do Cauê
Letícia diz que hoje aceita que as marcas em seu corpo fazem parte de sua história e de quem ela é - inclusive, mãe do Cauê
Foto: Malavolta Jr/Estadão / Estadão
Estadão
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