Envelhecimento da população e avanços da medicina são o foco do e- book 'Os Caminhos para Viver Mais
Publicação que traz os principais assuntos debatidos no Summit Saúde & Bem-Estar 2023, promovido pelo Estadão, está disponível para download
Não é possível discutir a saúde sem levar em conta as mudanças climáticas que estão ocorrendo no planeta, o envelhecimento da população -segundo o IBGE, o Brasil atingirá 30% de pessoas com mais de 60 anos em 2050 - e o papel da tecnologia e da união entre o poder público e a indústria para tornarem acessíveis os avanços no diagnóstico e tratamento de doenças.
Esses temas foram todos abordados no Summit Saúde & Bem-Estar 2023,promovido pelo Estadão no mês de outubro, e também fazem parte do e-book Os Caminhos para Viver Mais e Melhor, que traz os principais destaques das palestras e dos painéis da programação do evento.
O médico Paulo Saldiva, professor titular do Departamento de Patologia da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, explica de forma didática e com analogias o impacto das mudanças climáticas na saúde das pessoas. "São Paulo é uma ilha de calor. A gente construiu desertos de concreto e asfalto. E, quanto mais pobre a pessoa, maior o risco de internar por doenças deflagradas ou precipitadas pelas ondas de calor", comenta ele, acrescentando "na hora em que você começou a transpirar, o sangue pode se hemoconcentrar e fazer trombo em órgãos vitais. Se o rim está filtrando e reabsorvendo tudo, concentra a urina e uma bactéria pode subir. O muco, que reveste as vias aéreas e que ajuda a eliminar os microrganismos, fica mais duro e você tem mais chance de ter infecção respiratória. Então, você morre das doenças que tem e das suas fragilidades". Ele chama a atenção para o fato de que é preciso agir definindo um bem comum, a partir do número de pessoas afetadas, do tipo da pessoa afetada e das perdas econômicas decorrentes disso.
Inteligência artificial traz melhorias, mas exige cautela
O e-book também apresenta o cenário vivido pela medicina com a evolução da inteligência artificial. Existem prós e contras do aprendizado e das decisões tomadas com base em dados e algoritmos. Se por um lado a tecnologia desburocratiza a atividade médica, aumenta a precisão de exames de imagem, otimiza diagnósticos e permite predições sobre riscos de doenças, por outro é preciso avaliar se dados insuficientes e desconectados não vão causar soluções equivocadas se haverá proteção de informações de saúde sensíveis, entre outras questões que os especialistas comentam na publicação.
Além do uso da IA, é promissora também a chegada das chamadas terapias avançadas. Estão em andamento no Brasil dezenas de ensaios clínicos, como os da terapia com células CAR-T, que altera geneticamente células de defesa de um paciente e as devolve ao corpo em grande quantidade para que elas ataquem as células cancerosas. No entanto, o custo atual desses tratamentos ainda dificulta sua aplicação em larga escala. "Precisamos discutir o que fazer para que uma inovação não fique na prateleira. É importante que todos os brasileiros tenham acesso",afirma Lenio Alvarenga, diretor médico da Novartis Brasil.
O compilado ainda traz um olhar sobre o câncer de pulmão, cujas estatísticas indicam que 70% dos casos no Brasil, hoje, são diagnosticados no estágio avançado da doença, e sobre a luta contra as notícias falsas em relação às vacinas, que segue necessária diante da queda da cobertura vacinal no País, abaixo da média preconizada pelo Ministério da Saúde.
Por fim, os especialistas jogam luz sobre a urgência de preparar o sistema de saúde para o aumento de idosos no País, com ações de prevenção e detecção precoce das doenças crônicas mais prevalentes na terceira idade e empoderamento da população acima de 60 anos.