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Entenda como o emagrecimento acelerado pode provocar flacidez e perda de volume facial

Especialistas alertam como o uso de anabolizantes e medicamentos antiobesidade pode afetar o corpo e acelerar sinais de envelhecimento

20 fev 2026 - 14h02
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Nas redes sociais, a estética extremamente magra virou sinônimo de sucesso e disciplina. O chamado corpo "seco", caracterizado pela redução drástica do percentual de gordura, passou a ser meta para muitas pessoas, que recorrem inclusive a medicamentos antiobesidade e esteroides anabolizantes em busca de um emagrecimento acelerado.

A busca pelo corpo "perfeito" pode impactar diretamente a estrutura do rosto e comprometer a sustentação facial
A busca pelo corpo "perfeito" pode impactar diretamente a estrutura do rosto e comprometer a sustentação facial
Foto: Prostock-studio | Shutterstock / Portal EdiCase

O problema é que essa diminuição acentuada da gordura corporal não afeta apenas o abdômen ou os músculos aparentes. O rosto também sofre as consequências. Quando a gordura essencial da face é reduzida, há perda de sustentação, diminuição do turgor, aumento da flacidez e surgimento precoce de sinais de envelhecimento. Aos poucos, a aparência pode se tornar mais envelhecida e menos viçosa, como se a face tivesse sido esvaziada.

"Os compartimentos de gordura da face funcionam como um arcabouço, uma estrutura que confere sustentação. Quando o paciente emagrece ou com o próprio processo de envelhecimento, em que há uma atrofia dessa gordura, o resultado é um desabamento dos tecidos e formação de rugas pela falta de volume que essa gordura conferia", diz o dermatologista Dr. Renato Soriani, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Perda de sustentação facial

A dermatologista Dra. Cindy Matsumoto, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional São Paulo (SBD-RESP), explica que o tecido adiposo é dividido em compartimentos superficiais e profundos, "separados por uma rede fibromuscular chamada Sistema Músculo Aponeurótico Superficial (SMAS). Como o tecido adiposo é o 'recheio' da nossa pele, também tem seu papel no contorno do rosto de acordo com a distribuição desses compartimentos".

Dessa maneira, o emagrecimento rápido e extremo também afeta o aspecto da pele. "Quanto maior a perda de peso e menor for o tempo de intervalo, maior será a sensação de derretimento da face", diz a médica.

O problema é que, na era da magreza extrema, pacientes estão abusando de artifícios como esteroides anabolizantes e medicamentos antiobesidade para ter benefício estético de secar. "Estamos falando de um emagrecimento extremo. Quando, por exemplo, com uso de esteroides anabolizantes, o paciente com 20% de gordura chega a 6%, 7% de gordura e fica muito seco, quase sem gordura corporal. Isso muda muito o corpo", acrescenta o cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Medicamentos usados para emagrecer de forma rápida prejudica a pele do rosto
Medicamentos usados para emagrecer de forma rápida prejudica a pele do rosto
Foto: Caroline Ruda | Shutterstock / Portal EdiCase

Riscos dos medicamentos usados para emagrecer

Sobre medicamentos como Ozempic e Mounjaro, a Dra. Cindy Matsumoto lembra que é importante evitar chamá-los de canetas emagrecedoras, pois o uso é indicado para o tratamento de diabetes, e não para o emagrecimento.

"As canetas com medicamentos para diabetes tipo 2, ou seja, aquelas de análogos do GLP-1, promovem uma perda rápida de peso. Como essa perda ocorre de maneira acelerada, o corpo não tem tempo de reacomodar adequadamente os tecidos. Isso pode levar a um afinamento facial excessivo, com destaque para áreas que naturalmente já perdem volume com a idade, como a região malar e as têmporas, acentuando sulcos e flacidez", explica.

Um semblante mais cansado, envelhecido e, em muitos casos, desproporcional ao corpo pode ser consequência dessa eliminação acentuada dos compartimentos de gordura. "Há diferenças importantes entre o emagrecimento gradual e o medicamentoso. No emagrecimento gradual, obtido por meio de dieta balanceada e atividade física, o corpo tende a ter tempo para se adaptar à nova composição corporal", explica a médica Dra. Lilian Brasileiro.

Conforme a profissional, a perda de peso com medicamentos ocorre de maneira acelerada, mas prejudica a pele. "Já no emagrecimento medicamentoso, como o proporcionado pela semaglutida, a velocidade e intensidade da perda de gordura costumam ser muito mais pronunciadas. Isso acelera as manifestações visuais da perda de volume e pode revelar aspectos envelhecidos que antes estavam disfarçados pela presença do tecido adiposo", esclarece a médica.

Principais formas de tratamento

A perda de gordura facial acentuada não é facilmente reversível e requer procedimentos estéticos. "Além dos preenchedores de ácido hialurônico, hoje temos opções ainda mais compatíveis por meio do Lipoglow, procedimento que transforma a gordura coletada do paciente […] de alguma região do corpo em um material rico em células-tronco e fatores de crescimento. Com ela, conseguimos um rejuvenescimento global da face, tratando todos os fatores envolvidos no processo do envelhecimento do rosto, da reabsorção óssea e dos compartimentos de gordura até a perda da qualidade da pele", diz o médico Dr. Renato Soriani.

O cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim relata que as mudanças são vistas no rosto e no corpo, o que aumentou muito a busca dos próprios pacientes por cirurgias reparadoras de flacidez, de sobra de pele, como lifting facial, lifting de mama, abdominoplastia, lifting de coxas e lifting de braço. A lipoenxertia pode ajudar, pois é feita a extração de pouca quantidade de gordura.

"Chamamos de lipoenxertia a técnica que envolve a injeção de gordura autóloga (do próprio paciente) para remodelar o corpo e o rosto. Primeiramente, é feita uma lipoaspiração para retirada desse material que é tratado e, depois, aplicado", explica. Além disso, o procedimento não tem risco de rejeição e, segundo os médicos, oferece preenchimento natural e duradouro.

Por Maria Paula Amoroso

Portal EdiCase
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