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Polilaminina: como é o tratamento que pode fazer pacientes voltarem a andar?

20 fev 2026 - 12h48
(atualizado às 12h50)
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Entenda como é o tratamento com a Polilaminina
Entenda como é o tratamento com a Polilaminina
Foto: Freepik

A bióloga e professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está no centro de um dos avanços mais comentados da medicina regenerativa nos últimos anos: o desenvolvimento da polilaminina, uma substância que pode ajudar pacientes com lesões graves na medula espinhal a recuperar parte dos movimentos perdidos. Até então, o cenário era tradicionalmente visto como praticamente irreversível.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma molécula experimental desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália. Trata-se de uma versão sintética de proteínas naturais que ajudam na organização e suporte das células nervosas.

Derivada da placenta humana, a substância tem como objetivo estimular a reconexão de neurônios danificados na medula espinhal, algo que, até agora, vinha sendo um dos maiores desafios da ciência médica.

De forma simplificada, ao ser aplicada diretamente no local da lesão, a polilaminina atua como uma espécie de “colaboradora” da própria estrutura celular do sistema nervoso, criando um ambiente que favorece o crescimento dos axônios, as fibras que transmitem impulsos elétricos entre os neurônios.

Esse estímulo pode facilitar que circuitos neurais rompidos durante a lesão voltem a transmitir sinais, ajudando a restaurar movimentos que antes eram impossíveis.

Resultados promissores, mas ainda preliminares

Estudos iniciais com animais já haviam mostrado que a polilaminina pode incentivar a recuperação de locomoção após lesões medulares, sem efeitos colaterais graves nos modelos testados.

Recentemente, pacientes que receberam a substância apresentaram melhoras nos movimentos e na sensibilidade em partes paralisadas do corpo. Em um dos casos recentes, um homem de 58 anos com tetraplegia começou a mexer braços, mãos e até um dedo do pé depois de receber a polilaminina, e o momento foi registrado em vídeo.

Outro relato descreve um jovem de 24 anos que, após um acidente que o deixou tetraplégico, voltou a mostrar movimentos nos braços dias após a aplicação.

Esses casos geram esperança, mas especialistas destacam que relatos individuais não substituem evidências clínicas robustas obtidas por meio de estudos controlados com número suficiente de participantes.

Testes clínicos e regulação

No início de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a realização da fase 1 de testes clínicos com polilaminina. Esse primeiro estágio envolve avaliar a segurança e tolerabilidade do tratamento em pacientes com lesões na medula espinhal agudas, geralmente dentro de 72 horas após o trauma.

O estudo é realizado com poucos voluntários, cinco inicialmente, e ainda não tem como objetivo provar eficácia definitiva. Caso os resultados desse primeiro estágio sejam positivos, o tratamento poderá evoluir para fases mais avançadas que testarão sua real eficácia em maior número de pacientes.

Para pacientes com lesão medular, a polilaminina representa uma luz no fim de um longo túnel, uma vez que a maioria dos tratamentos atuais concentra-se exclusivamente em reabilitação e ganho de independência funcional, sem oferecer recuperação plena de movimentos.

A substância, no entanto, ainda está em fase experimental e não há previsões de quando ou se ela poderá ser disponibilizada em larga escala como terapia clínica padrão.

Enquanto isso, o Brasil se destaca como um dos centros mundiais de pesquisa nessa área, com um desenvolvimento que poderia, no futuro, transformar a forma como lesões medulares são tratadas em todo o mundo.

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