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Terapia com led acelera recuperação do cabelo após quimioterapia

Radiação permite que células capilares recebam mais nutrientes e criem fios de melhor qualidade

1 mai 2020
16h47
atualizado às 17h50
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A queda de cabelo em decorrência da quimioterapia varia de acordo com o tipo de droga utilizada no tratamento, que pode ser mais ou menos agressiva ao organismo. Quando a perda ocorre, o crescimento dos fios se dá após dois ou três meses do término das sessões, mas é possível acelerar o processo por meio da ledterapia, que estimula as células capilares a trabalharem mais e com melhores resultados.

A técnica não é uma novidade no universo de tratamento dos fios. Segundo o cirurgião vascular Álvaro Pereira, já se sabe há muito tempo que essa radiação, na dose e frequência certas, estimula o crescimento do cabelo. Ela já é utilizada por quem sofre com a perda por outros motivos que não o efeito colateral da quimioterapia.

No caso do tratamento contra o câncer, o medicamento tem o objetivo de atingir as células de crescimento acelerado, que é o caso das células cancerígenas. Mas ele não diferencia as tumorais das boas e aquelas que dão origem aos fios, saudáveis, também se enquadram nessa categoria e são afetadas paralelamente, causando a queda do cabelo.

Para recuperá-lo com a ledterapia após esse processo, a pessoa usa um boné ou capacete que emite uma radiação com frequência específica, de baixa potência. Os raios vão promover a dilatação dos vasos sanguíneos, o que aumenta a entrada de nutrientes e oxigênio nas células capilares. Com isso, também cresce a produção de energia celular e, consequentemente, a capacidade de produzir mais fios de cabelo de melhor qualidade.

E é justamente por causa do efeito de vasodilatação que a ledterapia só é indicada após o fim do tratamento quimioterápico. Se ela for utilizada durante, o medicamento tende a penetrar ainda mais nas células e provocar o resultado contrário. Assim, a técnica não é uma prevenção contra a perda do cabelo, mas um acelerador de crescimento pós-quimioterapia.

Pereira observa que, caso a pessoa ainda opte por fazer ledterapia durante o tratamento contra o câncer, é preciso esperar cerca de três dias após a sessão de quimioterapia para garantir que a droga não esteja mais no organismo. Algumas podem durar menos tempo no corpo, porém, no geral, a orientação é usar no final. "A cada sessão de quimio, a ledterapia não vai ser suficiente para 'inibir' a queda tanto quanto se fizer depois da quimio."

A decoradora Luciana Bottura de Medeiros, de 48 anos, começou a usar o boné de ledterapia após o segundo tratamento contra o câncer. Aos 40 anos, ela descobriu um tumor na mama esquerda, que foi totalmente retirada, e teve de fazer 30 sessões de radioterapia, que não afetou o cabelo. Quatro anos depois, a doença voltou mais agressiva, em outros órgãos, e ela passou por 26 sessões de quimioterapia. "Fiquei careca 20 dias após a primeira sessão", conta.

Luciana relata que, após o fim do tratamento, o cabelo começou a crescer lentamente, mais fino e com falhas. Na clínica onde se tratou, uma dermatologista indicou a terapia de led com boné, que pode ser usado em casa. Em novembro de 2019, ela começou a usar o produto uma vez ao dia durante dez minutos. Antes, ela lava o cabelo e passa algumas gotas de minoxidil, fármaco que também promove vasodilatação e é comumente usado para recuperação do cabelo.

"Percebo que os fios estão mais encorpados e o crescimento foi acelerado tendo em vista a comparação com outras meninas que não usaram o boné. Para mim, o resultado tem sido bastante satisfatório, me sinto bem e confiante que logo estarei com meu cabelo mais comprido para conseguir fazer um corte bem estiloso", comenta Luciana.

Tratamento evita queda de cabelo durante quimioterapia

A dermatologista Estrela Machado, especialista em oncologia e tricologia, do Centro Paulista de Oncologia, afirma que a crioterapia é um dos tratamentos que se mostraram mais eficazes para minimizar a queda de cabelo devido à quimioterapia. A touca que permanece com temperaturas entre 18 e 22 graus Celsius tem de ser usada enquanto a pessoa faz a sessão de quimio. Curiosamente, o método de resfriamento da cerveja foi o que inspirou a criação do equipamento.

A técnica tem duas ações importantes: o congelamento das células capilares, que vão deixar de ter crescimento acelerado e de serem vistas como 'más' pelo quimioterápico, e o estreitamento dos vasos sanguíneos, fazendo com que menos droga chegue até as células do cabelo. Pela literatura médica, Estrela diz que a melhora da queda de cabelo com a crioterapia é em torno de 50%, algo que ela observa na própria experiência clínica.

A touca inglesa (crioterapia) permite que o couro cabeludo fique a uma temperatura entre 18ºC e 22º C.
A touca inglesa (crioterapia) permite que o couro cabeludo fique a uma temperatura entre 18ºC e 22º C.
Foto: Paxman/Divulgação / Estadão

"Tem casos de muito bom resultado e outros que são ruins, em torno de 30% de preservação dos fios. Mas, independente do resultado, quando acaba a quimioterapia, a recuperação é superior a de pacientes que não fazem e vem com qualidade muito melhor. A quimio faz cair e nascer três meses depois, mas nunca igual", diz a médica.

A variação dos resultados depende, por exemplo, do tipo de quimioterápico utilizado, do tempo de infusão da droga e da quantidade de ciclos do tratamento. Por observação, a dermatologista aponta que quem já tem alguma patologia no couro cabeludo, haste dos fios mais fina e usa muitos produtos químicos no cabelo pode ter um resultado pouco satisfatório também.

Estrela diz que durante o tratamento quimioterápico pode haver uso de minoxidil e cisteína, que garante a qualidade dos fios, mas, segundo ela, os resultados só dessas substâncias são pobres. Outro problema é que o uso de medicamentos orais por quem faz quimioterapia pode deixar a pessoa mais sensível e haver intercorrência. "O que mais entrega resultado é a crioterapia."

Tratamentos capilares após a quimioterapia

Passado o tratamento contra o câncer, a dermatologista também aponta a terapia com led como benéfica, pois a ação dos lasers de baixa potência aumenta o número de fios. O cirurgião vascular Álvaro Pereira é sócio da Cosmedical e idealizador de um capacete de ledterapia da Capellux que pode ser usado em casa.

A versão em boné do produto foi a utilizada pela Luciana e é mais indicado para quem tem pouco cabelo, que é o caso dela. "Para quem tem mais cabelo, o boné não é tão eficiente quanto o capacete com espícula, que é como um dente de pente que atravessa os cabelos e encosta direto no couro cabeludo", explica o médico.

No dia do fechamento desta reportagem, o boné era vendido por R$ 984 e o capacete, R$ 2,5 mil no site da marca. Pereira diz que os dispositivos também estão disponíveis em farmácias de manipulação e lojas distribuidoras. Clínicas médicas podem oferecer o serviço que, segundo ele, é com um aparelho de maior potência.

Para a dermatologista, o resultado da técnica é bastante potencializado com outros tratamentos, não sozinho. "Vai usar [a ledterapia] para crescer mais rápido, com medicações a base de vitamina e tópicos que vão fazer vasodilatação para chegar mais nutrientes ao cabelo." Outras técnicas que ela cita são: suplementação oral, microagulhamento e aplicação de produtos dentro da derme capilar.

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Estadão
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