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Anabolizante vicia? É proibido? Faz mal? Especialista responde

Professor da Universidade Cruzeiro do Sul esclarece as principais dúvidas a respeito da substância

8 mai 2024 - 06h00
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Resumo
O Brasil é o segundo país que mais frequenta academias de musculação, com 21% da população, atrás apenas da Índia. No entanto, segundo a ANVISA, o uso de anabolizantes cresceu 45% entre 2019 e 2021 e, desde 2023, a prescrição desse medicamentos é proibida.
Foto: Reprodução

Com 21% da população frequentando academias, o Brasil é o segundo no ranking de países que mais comparecem em espaços destinados à atividade física, especificamente a musculação. O país fica atrás somente da Índia, com 24%, segundo um estudo divulgado pelo CupomValido.com.br, com dados da Numbeo, IBGE e Statista sobre o mercado fitness.

Por outro lado, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso de anabolizantes cresceu 45% entre 2019 e 2021, dados alarmantes devido aos malefícios à saúde que podem ser ocasionados pelo uso indiscriminado das substâncias, segundo o professor Raphael Afonso, do curso de Educação Física da Universidade Cruzeiro do Sul, instituição do grupo Cruzeiro do Sul Educacional.

“Podemos observar alterações no sistema cardiovascular, por exemplo. O coração sabidamente responde à sinalização entregue pelos anabolizantes, o que pode promover alterações no órgão em questão. Alterações sanguíneas também são corriqueiramente observadas, como o aumento do hematócrito (viscosidade do sangue). O seu uso indiscriminado pode comprometer a saúde, acarretando problemas em alguns sistemas orgânicos do usuário”, sinaliza o docente.

Fins clínicos

Apesar de serem vendidos em farmácias, os anabolizantes só podem ser comercializados para fins clínicos. Desde 2023, justificada pelos inúmeros riscos à integridade física da população, a prescrição de anabolizantes é proibida no Brasil para fins estéticos ou para aumentar o rendimento esportivo.

Em usuários, problemas como acne, principalmente nas costas; queda de cabelo e pele oleosa são as principais ocorrências que podem ser observadas dermatologicamente. No entanto, mergulhando mais no assunto, pode-se notar que os efeitos podem ser diferentes entre homens e mulheres.

“A utilização de anabolizantes acaba alterando o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, ou seja, a produção de hormônios sexuais do indivíduo fica comprometida pela administração do hormônio sintético. Homens podem apresentar alterações na fertilidade, alterações de libido. Já as mulheres podem apresentar problemas ainda maiores, tendo em vista que os anabolizantes, basicamente, são baseados em testosterona, que é o hormônio sexual masculino. Nós encontramos testosterona em mulheres, mas, em doses baixas”, diz ele.

Dependência psicológica

Segundo o especialista, apesar de comprovadamente não ser substâncias que provocam dependência, os anabolizantes podem causar dependência psicológica. 

“Isso acontece porque quando o indivíduo deixa de utilizar a droga, ele observa redução de desempenho físico e redução de volume muscular. Isso acaba por impactar a autoestima e o leva a realizar administração crônica. Algumas drogas específicas podem alterar humor, causando transtornos de ansiedade e irritabilidade”, explica Afonso.

Os hormônios atuam como mensageiros químicos, neste caso, é essencial compreender que, ao ingerir esse tipo de substância, outros tecidos além dos músculos também podem ser afetados pelos estímulos causados por ela. 

Por isso, é importante buscar profissionais habilitados que possam auxiliar no desenvolvimento físico e não utilizar medicamentos sem o acompanhamento médico adequado.

(*) HOMEWORK inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.

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