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A terapia com picadas de abelha que matou uma mulher na Espanha

Esta é aparentemente a primeira morte causada pelo tratamento de alguém que costumava ser tolerante a picadas de abelha

26 mar 2018
18h40
atualizado às 19h52
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Uma mulher espanhola de 55 anos morreu depois de ser tratada com uma terapia que usa picadas de abelha - tratamento alternativo divulgado pela atriz americana Gwyneth Paltrow.

Foto: BBCBrasil.com

A mulher, cujo nome não foi divulgado, vinha recebendo acupuntura feita com abelhas vivas há dois anos quando desenvolveu uma forte reação.

Ela morreu algumas semanas depois, devido à falência múltipla de órgãos. Pesquisadores que estudaram o caso dizem que a terapia com abelhas "não é segura nem aconselhável".

Esta é aparentemente a primeira morte causada pelo tratamento de alguém que costumava ser tolerante a picadas de abelha.

O caso da mulher foi descrito na revista científica Jornal de Alergologia e Imunologia Clínica Investigativa, em um artigo escrito pelos médicos da divisão de alergia do Hospital Universitário de Madri.

A paciente vinha recebendo o tratamento cerca de uma vez por mês havia dois anos em uma clínica particular - o objetivo era relaxar os músculos e diminuir o stress.

Em uma sessão, ela começou a sentir falta de ar e desmaiou logo depois de ser picada por uma abelha.

Ela recebeu medicação, mas não havia adrenalina disponível (para reanimação cardiorrespiratória). A ambulância demorou 30 minutos para chegar.

A mulher não tinha histórico de outras doenças, fatores de risco ou reações alérgicas.

Os médicos que revisaram seu caso descobriram que um choque anafilático provocado pelo veneno causou um infarto, coma e falência múltipla de órgãos.

O que é apiterapia?

O tratamento com picada de abelhas é conhecido como apiterapia - ramo da medicina alternativa que também usa mel, própolis e veneno para aliviar sintomas de doenças.

Embora alguns benefícios já tenham sido relatados, se tratavam de casos isolados.

A teoria por trás desse tipo de tratamento é a de que as picadas causariam inflamações que gerariam uma resposta anti-inflamatória no sistema imunológico. Mas cientistas dizem que não há nenhuma pesquisa que mostre que o tratamento é realmente efetivo.

Em uma entrevista ao jornal americano New York Times em 2016, Gwyneth Paltrow disse que já havia feito o tratamento, que ela também divulgou em seu site, Goop, que fala sobre saúde.

O ator escocês Gerard Butler também passou pelo tratamento - acabou tendo que ser hospitalizado depois de ser injetado com o veneno de 23 abelhas.

Os médicos que publicaram o caso da mulher espanhola alertaram para a importância de os pacientes estarem muito bem informados sobre os diversos riscos da apiterapia antes de se submeterem a ela.

Eles também dizem que quem aplica o tratamento precisa ter treinamento para lidar com alergias e reações severas, deve ser capaz de identificar pacientes com maiores fatores de risco e que precisa garantir uma estrutura adequada para lidar com um possível caso de choque anafilático.

O paciente também precisa ter rápido acesso a uma unidade de tratamento intensivo.

O problema é que, como o tratamento costuma ser em clínicas alternativas particulares e não em hospitais, essas recomendações nem sempre são seguidas.

"Os riscos da apiterapia podem exceder os supostos benefícios", diz Ricardo Madrigal-Burgaleta, um dos autores da pesquisa sobre a morte da mulher.

Segundo Amena Warner, chefe da área de alergia do serviço de saúde inglês, "o uso pouco ortodoxo de veneno de abelha tem grandes riscos e pode gerar situações sérias, que ameaçam a vida de pessoas com mais susceptibilidade a alergias".

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