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TEA na terceira idade: estudo alerta para diagnóstico tardio

A identificação tardia do TEA em adultos mais velhos pode gerar dificuldades e impactar a saúde mental e física.

4 fev 2026 - 16h16
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Fevereiro é o mês de conscientização sobre doenças raras, incluindo o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora o TEA seja frequentemente diagnosticado na infância, ele persiste ao longo da vida. No entanto, o diagnóstico em adultos mais velhos é um grande desafio, especialmente em idosos.

Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Saúde em Dia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com TEA. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022 investigou pela primeira vez os dados sobre esse transtorno. A prevalência de TEA entre pessoas com 60 anos ou mais foi de 0,86%, aproximadamente 306.836 indivíduos.

A prevalência do TEA em idosos

De acordo com o estudo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUCPR,

a prevalência do TEA entre idosos no Brasil é de 0,86%, com maior taxa entre homens (0,94%) do que mulheres (0,81%).

Esses números indicam que o TEA está mais presente do que se imaginava na população idosa brasileira.

Os dados apontam para a necessidade urgente de políticas públicas voltadas a essa população.

O reconhecimento do TEA em idosos é ainda um grande desafio para profissionais de saúde e sociedade.

A falta de capacitação de profissionais e o estigma associado à condição dificultam o diagnóstico.

O que dificulta o diagnóstico de TEA em idosos

Identificar o TEA em adultos mais velhos é um grande desafio, devido a várias barreiras.

Primeiramente, os critérios diagnósticos do transtorno mudaram ao longo dos anos, o que torna a identificação mais difícil.

Além disso, os sintomas do TEA em idosos muitas vezes se confundem com outros transtornos, como ansiedade ou demência.

Manifestações como isolamento social, inflexibilidade e interesses restritos podem ser interpretadas como sinais de outros problemas.

Por isso, a observação cuidadosa ao longo da vida do paciente é essencial para identificar o transtorno.

É importante que profissionais qualificados conduzam o diagnóstico, levando em conta o histórico do paciente.

Diagnóstico tardio: o impacto para os idosos

Quando um idoso recebe o diagnóstico de TEA, muitas vezes ele sente alívio, pois finalmente compreende suas dificuldades.

As dificuldades interpessoais e sensoriais vivenciadas ao longo da vida são, então, explicadas.

Esse diagnóstico pode promover uma maior autocompreensão e aceitação, reduzindo a autocrítica e o sentimento de inadequação.

No entanto, o diagnóstico tardio pode ter implicações significativas.

Sem um diagnóstico precoce, muitas comorbidades psiquiátricas, como depressão e ansiedade, podem se agravar.

Além disso, o risco de declínio cognitivo e físico se torna mais evidente à medida que a pessoa envelhece.

Comorbidades e condições associadas ao TEA em idosos

Pessoas com TEA na terceira idade frequentemente enfrentam um conjunto de desafios de saúde.

Além das dificuldades de comunicação e interação social, é comum o surgimento de comorbidades psiquiátricas.

É observado um aumento nos casos de depressão, ansiedade e até mesmo transtornos do sono, que podem ser negligenciados sem o diagnóstico correto.

A falta de acesso a serviços de saúde especializados em autismo pode agravar esses problemas.

O declínio cognitivo também é uma preocupação importante, pois o TEA pode acelerar a perda de funções cognitivas em idosos.

A adesão ao tratamento e o acesso à terapia ocupacional e psicoterapia são cruciais para mitigar esses impactos.

O estudo da PUCPR e suas implicações

O estudo publicado na revista científica International Journal of Developmental Disabilities revela dados importantes sobre o TEA em idosos.

Intitulado "Invisible aging: self-reported autism spectrum disorder in older adults in Brazil and the challenges of late recognition",

o estudo mostra como a população idosa tem sido negligenciada no que diz respeito ao reconhecimento do TEA.

A pesquisa é uma das primeiras a trazer à tona a prevalência do TEA entre os idosos brasileiros.

Ela destaca a necessidade de um maior investimento em políticas públicas que incluam esse grupo na triagem para diagnóstico precoce.

O estudo foi coassinado por Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro e Cristina Pellegrino Baena, pesquisadoras da PUCPR.

Sinais de TEA em idosos

O TEA se manifesta de maneira única em cada pessoa, incluindo os idosos.

Sintomas como rigidez de comportamento, dificuldade em se adaptar a mudanças e isolamento social são comuns.

Entretanto, esses sinais podem ser confundidos com outros problemas de saúde mais comuns em idosos, como demência.

A observação atenta ao longo da vida e a avaliação por profissionais capacitados são fundamentais para identificar o TEA.

Além disso, o impacto sensorial, como a hipersensibilidade a estímulos, é frequentemente negligenciado em diagnósticos errados.

Essas características exigem uma análise detalhada do histórico de vida do paciente.

A importância de um diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce do TEA é essencial para melhorar a qualidade de vida do idoso.

Com a identificação correta, é possível iniciar tratamentos que melhorem as funções cognitivas e emocionais.

As intervenções podem ajudar a reduzir sintomas de ansiedade, depressão e melhorar a comunicação.

Benefícios do diagnóstico precoce:

  • Intervenções mais eficazes: Tratamentos baseados no diagnóstico correto têm maior chance de sucesso.

  • Redução de comorbidades: Um diagnóstico adequado diminui o risco de complicações psiquiátricas.

  • Melhoria da qualidade de vida: O diagnóstico certo permite um cuidado mais direcionado, promovendo autonomia.

Além disso, o diagnóstico precoce pode prevenir a piora do quadro clínico do paciente.

Ele também facilita o acesso a recursos e terapias mais eficazes para a pessoa idosa.

O papel das políticas públicas para idosos com TEA

A conscientização sobre o TEA em idosos ainda é um tema pouco abordado no Brasil.

Por isso, a implementação de políticas públicas específicas é essencial para essa população.

Com mais conhecimento sobre o TEA, o país pode oferecer melhor suporte para os idosos afetados pela condição.

Ações necessárias:

  • Capacitação de profissionais de saúde: Médicos e psicólogos precisam ser treinados para reconhecer os sintomas do TEA em idosos.

  • Acesso a serviços especializados: Criar centros de referência para o diagnóstico e tratamento do TEA na terceira idade.

  • Apoio familiar e psicológico: É fundamental apoiar famílias e cuidadores, garantindo que a pessoa com TEA tenha qualidade de vida.

O reconhecimento do TEA na terceira idade ainda é um desafio, mas os avanços nas pesquisas e o aumento da conscientização podem transformar essa realidade.

Com a implementação de políticas públicas específicas e a capacitação de profissionais, será possível garantir que mais idosos recebam o diagnóstico adequado e o tratamento necessário. A identificação precoce do TEA pode abrir portas para uma vida mais plena e saudável, promovendo uma melhor qualidade de vida, maior autocompreensão e bem-estar. Com mais atenção ao diagnóstico e ao cuidado, o futuro para os idosos no espectro autista pode ser mais inclusivo e promissor.

Saúde em Dia
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