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Medo intenso de engravidar? Entenda o que é a tocofobia

Para algumas mulheres, a ideia de gestar não é um sonho, mas um transtorno de ansiedade paralisante. Saiba como identificar e tratar

1 fev 2026 - 11h43
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Para muitas mulheres, a maternidade é um ciclo natural. Muitas enxergam a gestação como um grande desejo de vida. Contudo, para outra parcela, o cenário é bem diferente. O pensamento de uma gravidez desencadeia um pavor profundo. Este sentimento é desproporcional e, muitas vezes, incapacitante. Na medicina, esse fenômeno tem um nome técnico específico.

Entenda o que é tocofobia, o medo intenso de engravidar
Entenda o que é tocofobia, o medo intenso de engravidar
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Ele é chamado de tocofobia pelos especialistas em saúde. A tocofobia é o medo extremo de engravidar e parir. Não se trata apenas de uma insegurança comum de mãe. É um medo irracional que gera pânico real e constante. Quem sofre disso vê o processo biológico como ameaça.

A integridade física e mental da mulher parece estar em risco. Este temor impacta severamente os relacionamentos e a carreira. Em casos graves, leva a escolhas perigosas e sem ciência. Compreender este transtorno é o primeiro passo para o acolhimento.

Relatos reais: quando a gestação vira pesadelo

Caroline Roxo convive com esse dilema há muito tempo. O medo surgiu logo no início da sua adolescência. O começo da vida sexual trouxe um pavor persistente.

"Ao imaginar a gravidez, eu tinha crises de ansiedade", conta. Ela buscava alternativas desesperadas para afastar essa ideia terrível. Imaginar-se grávida era algo surreal e totalmente insuportável. 

Além do medo, existe a pesada pressão da sociedade. Como é filha única, Caroline sofre com as expectativas familiares. Seus pais manifestam o desejo constante de serem avós logo.

"Talvez eu precise de um especialista para entender", afirma. Ela percebe que o instinto materno simplesmente não surgiu nela. A jovem já enfrentou crises profundas em namoros passados. Muitos parceiros queriam constituir uma família com filhos biológicos. Isso gerava um conflito insolúvel entre o casal na época.

O gatilho da ansiedade constante

Nana Nóbrega vive uma situação bastante semelhante. Ela possui o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Nana utiliza a terapia para entender as raízes da fobia. Ela sofre de Síndrome do Ovário Policístico, a famosa SOP.

Essa condição torna o seu ciclo menstrual muito irregular. O atraso da menstruação é um gatilho para o pânico. "Associo a gestação a uma sentença de morte", revela Nana. Ela não consegue cogitar a ideia sem ter sintomas graves. A ansiedade aparece de forma imediata e muito avassaladora. O corpo reage ao pensamento como se houvesse perigo iminente.

Para algumas mulheres, o teste de farmácia é tortura. Cada dia de incerteza parece um pesadelo sem fim próximo. O suporte psicológico é o que mantém sua mente estável.

O que define exatamente a tocofobia?

A tocofobia não é apenas medo da dor do parto. Ela é um espectro fóbico muito amplo e complexo. Envolve todo o universo do que significa "gestar" alguém. A psicanalista Dra. Andréa Ladislau detalha bem essa condição atual. Existem diferentes vertentes para essa fobia se manifestar agora. Primeiro, há o medo da mutação do próprio corpo físico.

É uma aversão psicológica às mudanças inevitáveis da barriga. Depois, surge o pavor de procedimentos médicos e agulhas. Muitas temem a perda total de controle sobre o corpo. Existe também a fobia real da morte durante o parto. É a sensação de que o corpo não terá resistência física.

Por fim, o transtorno causa um grande déficit funcional diário. A mulher tem dificuldade em trabalhar ou ter vida sexual. O estresse elevado impede uma rotina comum e saudável.

Tocofobia primária versus tocofobia secundária

A medicina divide esse transtorno em duas categorias principais. A primeira categoria é chamada de tocofobia primária hoje. Ela ocorre em mulheres que nunca ficaram grávidas antes. Geralmente, as raízes estão em traumas vividos na infância.

Podem ser relatos assustadores ouvidos de parentes ou amigos. É uma construção mental negativa sobre o papel de mãe. A segunda categoria é conhecida como tocofobia secundária agora. Ela surge após uma experiência prévia muito traumática.

Pode ser um parto difícil ou um aborto doloroso. Casos de violência obstétrica também geram esse trauma profundo. A memória do evento ruim gera o pânico atual recorrente. O corpo "lembra" da dor e tenta evitar a repetição. Ambas as formas exigem cuidado e respeito do médico.

As causas raízes: traumas e vivências passadas

Não existe uma causa única para esse pavor extremo. Especialistas dizem que o medo nasce de vivências dolorosas. A Dra. Andréa Ladislau aponta caminhos para entender a origem. O histórico de abusos sexuais é um fator muito comum.

A mulher associa o aparelho reprodutor à dor e invasão. Relacionamentos tóxicos também podem gerar o transtorno mental. Parceiros que usam a gravidez como ameaça causam traumas graves. Além disso, vivências familiares negativas pesam muito na mente.

Observar parentes sofrendo no parto cria uma imagem "maldita". Perdas gestacionais anteriores também deixam marcas que não curam. O luto não processado vira medo de sofrer novamente depois. Cada história de vida molda a forma como tememos.

Atitudes arriscadas e o perigo da automedicação

O pavor sentido por essas mulheres é realmente avassalador. Muitas recorrem a métodos extremos para evitar a fecundação. Essas atitudes são desesperadas e prejudicam muito a saúde física. O uso constante da pílula do dia seguinte é comum.

Caroline Roxo admite ter usado o fármaco com frequência perigosa. A carga hormonal desregula o ciclo e perde a eficácia. Outras mulheres buscam chás e receitas ditas "milagrosas" na internet. Luara Lua e Mirella Ferreira relatam o uso dessas ervas. Isso coloca em risco o funcionamento do fígado e rins.

Algumas chegam a rejeitar o sexo e buscam o isolamento. A libido cai drasticamente como uma defesa do instinto básico. Isso gera crises severas em casamentos e namoros estáveis. A desinformação em redes sociais aumenta muito o risco real.

O alerta dos especialistas sobre riscos físicos

A Dra. Ladislau faz um alerta muito importante e urgente. Existem relatos de automutilação e doenças emocionais crônicas graves. Problemas físicos severos surgem pelo uso de substâncias inadequadas. Em situações extremas, existe até o risco real de morte. O pânico impede a mulher de raciocinar com clareza total. Ela busca qualquer saída para não enfrentar o seu medo.

O maior perigo é seguir conselhos de pessoas não qualificadas. Grupos de internet podem incentivar práticas de saúde muito perigosas. O auxílio médico especializado é a única via segura sempre. Tratar a mente é tão importante quanto proteger o corpo. Não se deve ignorar o sofrimento emocional de quem teme. A fobia é uma doença e precisa de tratamento sério.

Maternidade: escolha consciente ou imposição social?

É preciso distinguir o transtorno da escolha de não procriar. Existe o movimento "childfree", de mulheres que não querem filhos. Algumas não tratam o medo porque já decidiram não ter. Rafaela Monteiro espera ansiosamente por uma cirurgia de laqueadura.

"Nenhum método é 100% eficaz, vivo com medo latente", explica. Ela não pretende mudar seu pensamento sobre a maternidade. A sociedade, porém, ainda estigmatiza quem renuncia a ser mãe. Caroline compara essa pressão com o que ocorre com famosos.

Quando homens famosos dizem que não querem filhos, ninguém ataca. Se uma mulher diz o mesmo, é vista como fracassada. A tradição familiar ainda impõe um fardo pesado sobre elas. Ser mulher não deveria ser sinônimo obrigatório de ser mãe. A escolha livre deve ser respeitada por todos ao redor.

É possível tratar e superar a tocofobia?

A boa notícia é que existe tratamento eficaz disponível. A tocofobia pode ser superada com paciência e ajuda correta. Para quem deseja ter filhos, o caminho é multidisciplinar. O apoio psicoterapêutico é a base de todo o processo.

A terapia cognitivo-comportamental ajuda a desativar os gatilhos mentais. A paciente recebe ferramentas para retomar o controle da vida. O acompanhamento obstétrico precoce também é fundamental e ajuda. Um médico de confiança explica os avanços da medicina atual.

Conhecer opções de analgesia reduz o medo do desconhecido. Informação de qualidade combate os relatos de terror nas redes. Entender a própria força física traz segurança para a mulher. O autoconhecimento permite encarar o desafio de forma realista hoje. Ninguém precisa carregar o pânico sozinha pelo resto da vida.

Busque ajuda e viva com mais leveza

O medo irracional não deve guiar sua trajetória pessoal. Você pode querer tratar a fobia para ser mãe amanhã. Ou pode querer apenas viver sua escolha em paz total. Em ambos os casos, o auxílio profissional é indispensável agora. A Dra. Andréa Ladislau reforça que o autoconhecimento liberta muito. Ao compreender suas fraquezas, fica mais fácil eliminar o pavor.

Não deixe que o medo se instale permanentemente em você. A maternidade deve ser uma vivência leve e muito consciente. A escolha por não tê-la também merece ser tranquila hoje. A vida sem o fardo do transtorno é muito melhor. Procure um psicólogo ou psiquiatra para iniciar sua jornada. Sua saúde mental é a prioridade em qualquer decisão tomada.

  • Veja a tocofobia na prática:

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