Relógios inteligentes podem impactar a saúde mental e gerar ansiedade
O uso de smartwatches te causam ansiedade? Saiba como usar relógios inteligentes de forma saudável e evitar a autocobrança excessiva
Os smartwatches e outros dispositivos vestíveis (os chamados wearables) tornaram-se grandes aliados do bem-estar.
Eles monitoram desde a velocidade da corrida até a eficiência do sono e os picos glicêmicos. No entanto, o excesso de dados pode se tornar um gatilho para o estresse.
Quando o monitoramento deixa de ser informativo e passa a gerar uma autocobrança excessiva, é sinal de que a relação com a tecnologia precisa ser revista.
Entenda como equilibrar o uso dessas ferramentas sem comprometer sua saúde mental.
Dados não substituem a percepção clínica
Muitas pessoas caem na armadilha de acreditar cegamente no algoritmo. Segundo a endocrinologista Alessandra Rascovski, é comum pacientes relatarem que se sentem bem, mas ficam ansiosos porque o relógio indicou um sono ruim.
"A informação não exclui a percepção", alerta a médica em entrevista ao portal Drauzio Varella.
Além disso, os algoritmos possuem limitações. Muitos aparelhos consideram o sono padrão entre 0h e 6h. Se você trabalha à noite e dorme de dia, os dados podem ser negativos e irreais.
A dica é focar na tendência semanal ou mensal, e não em um único dado isolado do momento.
Quando o foco vira perfeccionismo
O problema surge quando os lembretes de "completar círculos" ou "bater metas" estimulam a hipervigilância.
O uso constante desses aplicativos pode ativar o sistema de dopamina e imediatismo, gerando um ciclo de ansiedade por resultados perfeitos.
Para atletas de alta performance, esses dados são essenciais sob supervisão profissional.
Para o usuário comum, porém, o excesso de métricas pode ser assustador e gerar um sentimento de falha constante.
Como usar os dispositivos de forma saudável
Se o seu dispositivo está gerando mais estresse do que cuidado, siga estas orientações práticas para retomar o controle:
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Desative notificações invasivas: Retire alertas automáticos que cobram queima de calorias ou passos extras.
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Personalize suas metas: Ajuste os objetivos para a sua realidade. Se 10 mil passos é irreal, defina um número que faça sentido para você.
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Filtre o que você vê: Deixe na tela principal apenas 3 a 5 métricas essenciais. Se o contador de calorias te faz mal, remova-o.
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Acompanhe as médias: Analise o seu progresso por semana. Dias ruins fazem parte da rotina e não devem causar desânimo.
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Dê um tempo da tecnologia: Separe um dia da semana para ficar sem o relógio. Deixe sua mente descansar da vigilância.
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Priorize seu corpo: Antes de checar o aplicativo ao acordar, sinta como seu corpo realmente está. Sua percepção interna é o dado mais importante.