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Tempo de tela e qualidade de sono: qual é o limite para ser saudável?

A exposição aos dispositivos eletrônicos por mais de uma hora antes do sono prejudica a produção de melatonina e atrasa o descanso

23 fev 2026 - 12h39
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O uso de dispositivos eletrônicos antes do repouso noturno é um dos principais fatores que contribuem para a redução da qualidade do sono na sociedade contemporânea.

Entenda como o tempo de tela impacta a qualidade de sono
Entenda como o tempo de tela impacta a qualidade de sono
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Smartphones, tablets e computadores emitem luz azul, uma frequência que interfere diretamente na produção de melatonina, o hormônio responsável pela indução do sono.

Estudos recentes indicam que o impacto negativo começa a ser observado de forma significativa após períodos curtos de exposição.

Compreender o tempo de uso e os mecanismos biológicos envolvidos é fundamental para manter a saúde e o desempenho diário.

O tempo de exposição e os efeitos imediatos

Pesquisas na área de cronobiologia sugerem que o uso de telas por mais de 60 minutos antes do horário planejado para dormir já é suficiente para causar atrasos no início do sono.

No entanto, o efeito acumulado durante o dia também possui relevância. Quando o tempo total de tela excede seis horas diárias, o sistema nervoso central apresenta níveis elevados de alerta. Fato este que dificulta o relaxamento necessário para o período noturno.

A exposição contínua por duas horas ou mais no período que antecede o descanso reduz a produção de melatonina em até 22%.

Esse fenômeno resulta no aumento da latência do sono, que é o tempo decorrido entre o deitar e o adormecer efetivo.

Além do tempo cronológico, a proximidade física do dispositivo com o rosto intensifica a absorção da luz pela retina.

A interferência da luz azul no ritmo circadiano

O ritmo circadiano é o mecanismo interno que regula o ciclo entre vigília e sono. Este sistema é sensível à luminosidade.

A luz azul emitida pelos LEDs das telas simula a luz solar, o que induz o cérebro a interpretar que ainda é dia.

Dessa forma, o organismo inibe a liberação de melatonina na glândula pineal. Sem o hormônio, o corpo não recebe o sinal biológico de que deve reduzir a temperatura corporal e a frequência cardíaca para o repouso.

O resultado é um sono superficial, com interrupções frequentes e redução das fases profundas, essenciais para a restauração física e cognitiva.

Conteúdo estimulante e o estado de alerta

Não apenas a luz, mas o tipo de interação com o dispositivo afeta a rapidez com que o indivíduo adormece. O consumo de redes sociais, jogos eletrônicos ou notícias gera estímulos cognitivos e emocionais.

Este engajamento mantém o cérebro em estado de prontidão, ativando o sistema de recompensa e liberando dopamina.

O estado de excitação mental provocado pela interação digital é oposto ao estado de relaxamento exigido pelo sono.

Mesmo que o brilho da tela seja reduzido, a atividade cerebral intensa impede que o sistema nervoso desacelere, o que pode prolongar a vigília por horas além do pretendido.

Consequências da privação de sono por uso de tecnologia

A diminuição constante do tempo de repouso por conta do uso de telas gera consequências sistêmicas. A curto prazo, observam-se fadiga, irritabilidade e diminuição da capacidade de concentração.

A longo prazo, a privação crônica do sono está associada ao aumento de riscos cardiovasculares, distúrbios metabólicos e comprometimento do sistema imunológico.

Além disso, a qualidade do sono prejudicada afeta a consolidação da memória e o processamento de informações.

O cérebro utiliza o período de descanso para realizar a limpeza de resíduos metabólicos, processo que fica comprometido quando o ciclo do sono é interrompido ou encurtado pela tecnologia.

Recomendações para preservar a saúde do sono

Para mitigar os danos causados pelas telas, especialistas recomendam a implementação da higiene do sono. A diretriz principal consiste em desligar dispositivos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir.

Este intervalo permite que o organismo retome a produção natural de melatonina e reduza o nível de alerta cerebral.

Caso o uso de aparelhos seja indispensável, recomenda-se a utilização de filtros de luz amarela, disponíveis na maioria dos sistemas operacionais sob a denominação de modo noturno.

Manter o ambiente escuro e evitar o uso de smartphones na cama também são medidas eficazes para sinalizar ao corpo que o período de vigília se encerrou.

A substituição das telas por atividades de baixo estímulo, como a leitura de livros físicos ou a prática de técnicas de relaxamento, favorece a transição para o sono profundo.

O monitoramento do tempo de tela ao longo do dia é uma estratégia auxiliar para garantir que o sistema nervoso não chegue ao final do dia em estado de exaustão sensorial.

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