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Dar smartphone cedo demais aumenta riscos à saúde infantil, aponta estudo

Uso de celulares por crianças está associado a riscos que vão desde depressão até distúrbios do sono

23 fev 2026 - 12h39
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Osmartphone está cada vez mais presente na infância. Mas dar o aparelho cedo demais pode trazer impactos importantes para a saúde infantil.

Um estudo publicado na revista científica Pediatrics analisou dados de mais de 10 mil adolescentes acompanhados por até seis anos e encontrou uma associação clara: quanto mais cedo o smartphone entra na rotina da criança, maior o risco de problemas físicos e emocionais.

Uso precoce do smartphone aumenta risco de depressão e obesidade

Entre os jovens avaliados, 64% já tinham smartphone aos 12 anos. Aos 14, esse número chegou a 89%. A idade mediana de aquisição foi 11 anos.

Os pesquisadores observaram que, a cada ano de antecipação no acesso ao smartphone, aumentava a probabilidade de impactos negativos.

Na comparação entre adolescentes com e sem smartphone aos 12 anos, os resultados indicaram:

  • 30% mais risco de sintomas depressivos.

  • 40% mais risco de obesidade.

  • 60% mais chance de distúrbios do sono.

Os distúrbios incluíam dormir menos do que o recomendado para a faixa etária.

Smartphone causa depressão?

O estudo mostra associação, não causa direta. Isso significa que não é possível afirmar que o smartphone, sozinho, provoque depressão ou obesidade. A relação é complexa e envolve múltiplos fatores.

Segundo a pediatra Quíssila Neiva Batista, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, o diferencial da pesquisa foi avaliar a idade em que o smartphone foi adquirido e não apenas o tempo de tela.

Crianças emocionalmente mais vulneráveis podem buscar mais o celular. Ao mesmo tempo, ambientes familiares menos estruturados tendem a oferecer o aparelho mais cedo.

Ou seja, o smartphone pode estar inserido em um contexto que já favorece esses riscos.

Por que o smartphone pode afetar a saúde infantil?

O smartphone é um dispositivo portátil, individual e conectado o tempo todo.

Isso faz com que ele funcione como um amplificador de comportamentos.

Ele pode intensificar:

  • Sedentarismo.

  • Privação de sono.

  • Exposição constante a estímulos emocionais.

  • Contato precoce com redes sociais.

  • Comparações sociais e pressão digital.

Diferentemente da televisão ou do tablet, o smartphone acompanha a criança em todos os ambientes, inclusive no quarto.

Esse acesso contínuo pode competir com processos importantes do desenvolvimento cerebral.

Smartphone e sono: uma relação preocupante

O sono é um dos primeiros aspectos afetados pelo uso precoce do smartphone.

Entre 8 e 12 anos, ocorre a consolidação do ritmo biológico. Nessa fase, o organismo aprende a regular horários de dormir e acordar.

A exposição noturna à luz da tela pode:

  • Reduzir a produção natural de melatonina.

  • Atrasar o início do sono.

  • Diminuir a qualidade do descanso.

Dormir menos do que o recomendado impacta humor, concentração, aprendizado e metabolismo.

A idade entre 8 e 12 anos é decisiva

A faixa dos 8 aos 12 anos marca um período sensível do desenvolvimento infantil.

Nesse momento ocorre:

  • Formação de hábitos alimentares.

  • Estabelecimento de rotina de atividade física.

  • Desenvolvimento da autorregulação emocional.

  • Maturação do córtex pré-frontal.

O uso precoce do smartphone expõe a criança a estímulos digitais intensos antes que essas estruturas estejam totalmente consolidadas.

A ativação frequente dos sistemas de recompensa do cérebro pode dificultar a construção de limites e hábitos saudáveis.

Tempo de tela já ultrapassa limites recomendados

Mesmo sem uso considerado extremo, os impactos apareceram no estudo.

Entre 8 e 12 anos, o tempo médio diário de telas já ultrapassava cinco horas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda:

  • 2 a 5 anos: até 1 hora por dia.

  • 6 a 10 anos: entre 1 e 2 horas.

  • 11 a 18 anos: no máximo 2 a 3 horas.

A orientação também inclui supervisão constante de um adulto.

É importante lembrar que "tempo de tela" inclui televisão e tablets. Ainda assim, o smartphone tende a ser mais difícil de controlar por ser portátil e individual.

Qual é a idade ideal para dar smartphone a uma criança?

Especialistas defendem que não existe uma idade única válida para todos os casos.

O mais importante é avaliar:

  • Grau de maturidade emocional.

  • Capacidade de seguir regras.

  • Rotina já estruturada.

  • Supervisão ativa dos responsáveis.

Adiar a entrega de um smartphone próprio pode reduzir riscos e permitir que a criança consolide hábitos essenciais antes da exposição digital constante.

Como reduzir os riscos do smartphone na infância?

Algumas estratégias práticas ajudam a minimizar impactos:

  • Evitar smartphone no quarto à noite.

  • Definir horários fixos para uso.

  • Priorizar atividades físicas e sociais presenciais.

  • Desativar notificações desnecessárias.

  • Oferecer aparelhos sem acesso irrestrito à internet nas idades mais precoces.

O smartphone não deve ser tratado como inevitável. Ele é uma ferramenta que exige maturidade, limites claros e acompanhamento ativo.

Quanto mais estruturada estiver a rotina da criança, menores tendem a ser os impactos na saúde mental e física.

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