Sacolas plásticas serão proibidas em supermercados da Califórnia; entenda o motivo
Proibição avança em lugares como a Califórnia, enquanto no Brasil o debate segue aberto entre sustentabilidade, direitos do consumidor e mudanças de hábito
Quem faz compras com frequência já percebeu. As sacolas plásticas estão desaparecendo dos caixas, e a tarefa de transportar os produtos passou a exigir um pouco mais de planejamento. A mudança, que antes parecia pontual, vem se consolidando como parte de um movimento global para reduzir resíduos, conter a poluição e frear o avanço dos microplásticos no meio ambiente. Em alguns lugares, como na Califórnia, essa transformação deixou de ser sugestão e virou regra, com impacto direto na rotina de consumidores e comerciantes.
Califórnia elimina todas as sacolas plásticas
Um dos exemplos mais emblemáticos vem da Califórnia. Desde 1º de janeiro de 2026, o estado passou a proibir totalmente a distribuição de qualquer tipo de sacola plástica em supermercados e estabelecimentos comerciais, incluindo aquelas versões mais grossas que, até pouco tempo atrás, eram vendidas como "reutilizáveis".
A mudança está prevista na legislação SB 1053, que corrigiu uma falha deixada por uma lei anterior, aprovada em 2014. Na época, apenas as sacolas plásticas finas foram banidas - o que acabou incentivando o uso de modelos mais espessos, descartados com a mesma rapidez.
Dados da agência ambiental estadual CalRecycle mostram que o resultado foi o oposto do esperado. O desperdício de sacolas plásticas cresceu 47% entre 2014 e 2022, impulsionado justamente por esses modelos mais grossos, que raramente são reaproveitados e têm baixíssima taxa de reciclagem. Com a nova regra, não há exceções: supermercados, farmácias e lojas passaram a oferecer apenas sacolas de papel reciclado ou a estimular que os clientes levem suas próprias bolsas reutilizáveis.
Por que as sacolas estão no centro do debate ambiental?
Sacolas plásticas estão entre os resíduos mais encontrados em praias, rios e áreas costeiras. Mesmo as versões mais resistentes se fragmentam com facilidade, dando origem a microplásticos que entram na cadeia alimentar e afetam ecossistemas inteiros.
Especialistas estimam que a proibição total pode retirar mais de 11,5 bilhões de sacolas plásticas por ano do ambiente apenas na Califórnia. O objetivo, portanto, vai além da estética urbana: trata-se de reduzir danos ambientais de longo prazo e incentivar hábitos mais conscientes.
E no Brasil, como funciona?
Por aqui, o caminho ainda é menos rígido - e mais jurídico. Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal decidiu que supermercados e estabelecimentos comerciais não são obrigados a fornecer sacolas plásticas gratuitamente aos clientes.
A decisão derrubou uma lei da Paraíba que exigia a distribuição sem custo. Para o relator do caso, o ministro Dias Toffoli, a obrigatoriedade representava um peso financeiro para os comerciantes e poderia ferir o princípio da livre iniciativa. Segundo ele, quando não há escolha, a prática pode se aproximar de uma forma de "venda casada". Na prática, isso significa que o comércio pode deixar de oferecer sacolas, desde que não impeça o consumidor de usar embalagens próprias ou alternativas viáveis para levar as compras.
Mudança de hábito: incômodo ou oportunidade?
Enquanto fora do país as regras avançam com mais força, no Brasil o debate segue aberto, equilibrando sustentabilidade, direitos do consumidor e limites da atuação do comércio. Ainda assim, muitas redes já anunciaram o fim das sacolas plásticas descartáveis, apostando em alternativas mais duráveis, biodegradáveis ou reutilizáveis.
Algumas oferecem incentivos, como descontos ou programas de pontos, para quem leva a própria sacola. Outras investem em modelos mais resistentes, que suportam mais peso e duram muito mais do que as antigas embalagens descartáveis. Com o tempo, muitos consumidores relatam adaptação positiva: menos lixo em casa, menos desperdício e uma relação mais consciente com o consumo.
Um esforço compartilhado
A transição para sacolas sustentáveis não depende apenas de leis ou decisões judiciais. Ela envolve escolhas cotidianas, tanto de empresas quanto de quem passa pelo caixa do supermercado toda semana. Levar a própria sacola pode parecer um detalhe, mas faz parte de uma mudança maior: repensar hábitos automáticos e entender que pequenas ações, repetidas todos os dias, têm impacto real no ambiente. Em um mundo cada vez mais pressionado pelo excesso de resíduos, esse gesto simples ganha um novo significado.