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Nova IA é capaz de 'ler' noite de sono e prever mais de 100 doenças; entenda

Estudo de Stanford mostra que dados de uma única noite de sono podem ajudar a prever doenças graves anos antes dos sintomas aparecerem

8 jan 2026 - 21h09
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Dormir mal costuma cobrar seu preço no dia seguinte - mais cansaço, menos foco, irritação. Mas um novo estudo sugere que o sono vai muito além disso: ele pode guardar pistas importantes sobre doenças que só apareceriam anos depois. Pesquisadores da Stanford Medicine desenvolveram um modelo de inteligência artificial capaz de identificar riscos de condições graves a partir de dados coletados em apenas uma noite de sono.

Uma nova inteligência artificial analisou o sono e conseguiu prever riscos de câncer, infarto e transtornos mentais; entenda
Uma nova inteligência artificial analisou o sono e conseguiu prever riscos de câncer, infarto e transtornos mentais; entenda
Foto: Reprodução: Karola G/Pexels / Bons Fluidos

Batizado de SleepFM, o sistema foi treinado com cerca de 600 mil horas de registros de sono de mais de 65 mil pessoas. As informações vieram da polissonografia, exame considerado o padrão ouro para estudar o sono, que monitora simultaneamente atividade cerebral, batimentos cardíacos, respiração, movimentos musculares, olhos e outros sinais fisiológicos ao longo da noite.

Um "mapa" completo do corpo enquanto dormimos

Durante o sono, o organismo entra em um estado único de observação. É isso que explica o potencial desse tipo de análise. Para o médico e pesquisador Emmanuel Mignot, professor de Medicina do Sono em Stanford e um dos autores principais do estudo, a riqueza dos dados é impressionante. "Registramos uma quantidade incrível de sinais quando estudamos o sono", afirma. "É uma espécie de fisiologia geral que observamos durante oito horas em um sujeito completamente cativo. É muito rica em dados".

Até pouco tempo atrás, apenas uma pequena fração dessas informações servia, de fato, na prática clínica. Com o avanço da inteligência artificial, os pesquisadores decidiram explorar esse verdadeiro "arquivo escondido" do corpo humano.

Quando a IA aprende a "linguagem do sono"

Para treinar o SleepFM, os cientistas dividiram quase 585 mil horas de exames em pequenos blocos de cinco segundos. Um processo semelhante ao que acontece quando modelos de linguagem aprendem palavras e frases. Segundo James Zou, professor de ciência de dados biomédicos e coautor do estudo, o objetivo era fazer o sistema compreender os padrões naturais do sono. "SleepFM está, em essência, aprendendo o idioma do sono", explica.

O modelo cruza dados como eletroencefalograma, eletrocardiograma, sinais musculares, pulso e respiração. Para que tudo isso "conversasse", os pesquisadores criaram uma técnica em que parte das informações está escondida, desafiando o sistema a reconstruí-las a partir dos outros sinais. "Um dos avanços técnicos foi harmonizar todas essas modalidades para que aprendessem a mesma linguagem", diz Zou.

Do diagnóstico atual à previsão do futuro

Depois de treinado, o SleepFM mostrou desempenho excelente em tarefas já conhecidas, como identificar estágios do sono e detectar apneia. Mas o passo mais ousado veio a seguir: usar os dados do sono para prever doenças futuras.

Os pesquisadores conectaram os exames a décadas de históricos médicos do Stanford Sleep Medicine Center. Mais de mil categorias de doenças foram analisadas, e em 130 delas o modelo conseguiu fazer previsões consideradas confiáveis apenas com base em uma noite de sono.

Os resultados chamaram atenção especialmente para: cânceres (como próstata e mama); doenças cardiovasculares, incluindo infarto; transtornos mentais; complicações na gravidez; doenças neurodegenerativas, como Parkinson e demência. Em muitos casos, o índice de acerto ultrapassou 0,8. "Um índice de 0,8 significa que, em 80% das vezes, a previsão do modelo coincide com o que realmente aconteceu", explica Zou.

O que o sono entrega mesmo em silêncio

Segundo os pesquisadores, um dos segredos está nos pequenos desajustes entre os sistemas do corpo. Situações em que o cérebro parece descansar, mas o coração ou a respiração se comportam de forma atípica, podem funcionar como sinais muito precoces de desequilíbrios futuros. Esses indícios são sutis demais para serem percebidos a olho nu, mas a inteligência artificial consegue identificá-los e interpretá-los como alertas silenciosos.

O estudo, publicado na revista Nature Medicine, reforça uma ideia que ganha cada vez mais força: o sono não é apenas um momento de descanso, mas um verdadeiro retrato da saúde geral do corpo. E, no futuro, uma simples noite bem monitorada pode ajudar a antecipar cuidados, orientar prevenção e transformar a forma como olhamos para o autocuidado - começando pelo ato mais básico de todos: dormir.

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