Ramiro Calle, mestre de ioga e escritor: "Você está tão obcecado com o que será no futuro que acaba sendo desrespeitoso com seu parceiro ou não sabe ajudar o vizinho"
Especialista em desenvolvimento pessoal defende que a atenção ao momento presente pode transformar a forma como nos relacionamos
Vivemos presos ao que fomos e ao que seremos. Isso faz com que deixemos a vida passar sem vivê-la plenamente, esquecendo que o único momento em que realmente podemos viver é o agora. Não podemos habitar o passado nem viver no futuro.
Ramiro Calle passa décadas nos lembrando disso e fez novamente no podcast 'El sentido de birra'. O mestre de ioga e especialista em desenvolvimento pessoal acumula mais de 250 obras publicadas, e suas palavras soam como um tapa no rosto capaz de nos despertar.
Passamos a vida nos preparando para viver, mas parece que nunca chegamos a fazê-lo. Ruminamos o passado, projetamos um futuro que talvez nunca chegue e acreditamos na falácia da chegada. Enquanto isso, o único lugar onde a vida realmente acontece escapa por entre os nossos dedos. O presente passa sem que estejamos verdadeiramente nele. Ainda assim, tatuamos tempus fugit porque fica bonito e repetimos o memento mori dos estoicos com entusiasmo.
O problema não é o tempo passar, mas não vivermos nele
O conceito clássico de tempus fugit, de Virgílio, que pode ser traduzido do latim como "o tempo foge", nos lembra da importância de aproveitar cada segundo. Calle vai além e afirma que o problema não é a passagem do tempo, mas o fato de não o habitarmos. "Aqui, agora, neste momento, é a vida. Não importa o que fui ou o que vai acontecer. Se houver algo, eu verei. O importante é que agora estou com você", afirmou.
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