Pressão alta coloca mais de 1 bilhão de pessoas em risco, diz OMS
Relatório da OMS mostra que 1,4 bilhão de pessoas vivem com hipertensão e apenas uma em cada cinco controla a doença; países de baixa renda enfrentam os maiores desafios
A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, já afeta 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo. Isso de acordo com o novo relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado foi divulgado durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em parceria com a Bloomberg Philanthropies e a organização Resolve to Save Lives.
Apesar da gravidade, apenas uma em cada cinco pessoas consegue controlar a doença, seja com medicamentos ou com mudanças nos hábitos de vida. O relatório também destaca um contraste preocupante: apenas 28% dos países de baixa renda afirmam ter disponíveis todos os medicamentos recomendados pela OMS em farmácias ou unidades de atenção primária, contra 93% dos países ricos.
A pressão alta e seus riscos silenciosos
A hipertensão é uma das maiores ameaças à saúde global, pois está diretamente ligada a infartos, AVCs, doenças renais crônicas e até demência. Especialistas lembram que é uma condição tratável, mas que, sem medidas urgentes, continuará a provocar milhões de mortes prematuras e enormes prejuízos econômicos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um alerta: "A cada hora, mais de 1.000 vidas se perdem em decorrência de derrames e ataques cardíacos causados pela pressão alta, e a maioria dessas mortes poderia ser prevenida".
Barreiras no combate à hipertensão
O relatório mostra que 99 dos 195 países avaliados apresentam taxas de controle da pressão abaixo de 20%. A maioria dos casos está concentrada em nações de baixa e média renda, onde os sistemas de saúde ainda enfrentam desafios como:
- Políticas frágeis de promoção da saúde (especialmente relacionadas a tabagismo, álcool, excesso de sal e sedentarismo);
- Acesso restrito a aparelhos de medição confiáveis;
- Ausência de protocolos padronizados de tratamento;
- Equipes de atenção primária sem capacitação adequada;
- Medicamentos caros ou indisponíveis;
- Falhas na cadeia de suprimentos e na proteção financeira aos pacientes.
Um chamado global
A OMS reforça que controlar a hipertensão deve ser prioridade em todos os países. Além de salvar vidas, a prevenção e o tratamento adequado podem reduzir o impacto financeiro das doenças cardiovasculares, que já custaram trilhões de dólares às nações mais vulneráveis.
Apesar do cenário desafiador, alguns países conseguiram avanços expressivos. Bangladesh aumentou de 15% para 56% o controle da hipertensão em certas regiões, fortalecendo a triagem e o acompanhamento na atenção primária. Filipinas implementaram o pacote técnico HEARTS da OMS em serviços comunitários de saúde. Já a Coreia do Sul criou reformas que reduziram os custos de medicamentos e ampliaram a cobertura de tratamento, alcançando 59% de controle nacional em 2022. Esses casos mostram que integrar a hipertensão à cobertura universal de saúde e investir em atenção primária são caminhos viáveis para transformar a realidade de milhões.
No fim, a mensagem é clara: com vontade política, investimento contínuo e acesso a medicamentos, é possível mudar a narrativa e garantir mais saúde e longevidade para milhões de pessoas ao redor do mundo.