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Oprah Winfrey revela que ganhou 9 kg após parar de usar as canetas emagrecedoras

A obesidade tem um componente neuroendócrino e metabólico forte, e o corpo tende a 'lutar' contra a perda de peso

16 jan 2026 - 18h34
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Provavelmente, você já deve ter ouvido falar que quando alguém para de usar as canetas emagrecedoras costuma recuperar todo o peso ou até ultrapassar o que pesava antes. E Oprah Winfrey decidiu parar a utilização para descobrir se era verdade. "Fiquei sem o medicamento durante todo o ano passado e engordei aproximadamente 9kg. Queria me testar. Todo mundo dizia que eu ia engordar, e eu pensei 'vou provar que consigo, vou fazer trilha, me exercitar'... mas engordei", relatou ao programa 'Today'. Entenda porque isso acontece e como evitar:

De acordo com a especialista, há algumas formas de evitar o reganho que aconteceu com Oprah Winfrey, e resposta está no estilo de vida
De acordo com a especialista, há algumas formas de evitar o reganho que aconteceu com Oprah Winfrey, e resposta está no estilo de vida
Foto: Reprodução YouTube/TODAY with Jenna & Sheinelle / Bons Fluidos

Por que Oprah Winfrey e as pessoas recuperaram o peso?

Segundo a ginecologista com especialização em Medicina Integrativa e Funcional, Dra. Patricia Magier"a obesidade é um problema de saúde pública global, associado a diversas comorbidades, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e hipertensão. Os análogos do GLP-1 demonstraram eficácia na perda de peso ao reduzir o apetite, mas a descontinuação desses agentes leva ao reganho de peso, o que é um grande desafio clínico. Isso reforça a necessidade de estratégias terapêuticas a longo prazo para manter os benefícios do tratamento".

Principais responsáveis pelo reganho de peso

E como este assunto está ficando cada vez mais falado, estudos também estão analisando a temática e, assim, já conseguiram definir quais são os três principais mecanismos responsáveis pelo reganho de peso após a suspensão de medicamentos. São eles: ajustes hormonais transitórios, incapacidade do sistema nervoso central de regular o peso e disfunção das células beta pancreáticas.

"No primeiro caso, a retirada do medicamento pode gerar alterações compensatórias nos hormônios reguladores do apetite e do metabolismo energético, incluindo a leptina e a grelina. Além disso, o sistema nervoso central perde a influência do medicamento sobre os centros de controle do apetite e do gasto energético, resultando em maior ingestão alimentar. E, por fim, a exposição crônica aos análogos de GLP-1 pode levar à dependência da sinalização deste hormônio para manter a homeostase glicêmica e a regulação do peso", detalha.

A médica enfatiza que esses mecanismos explicam por que o metabolismo é adaptativo. "Quando o peso corporal diminui rapidamente, o organismo ativa mecanismos para restaurá-lo. Isso ocorre porque a obesidade tem um componente neuroendócrino e metabólico forte, e o corpo tende a 'lutar' contra a perda de peso", comenta.

Há maneiras que Oprah Winfrey poderia ter usado para evitar?

Ademais, de acordo com a especialista, há algumas formas de evitar o reganho, especialmente quando o assunto é a mudança de estilo de vida. "A obesidade, como uma doença crônica, requer controle contínuo, por isso modificações dietéticas, prática regular de atividade física e melhora do sono são mudanças inegociáveis para manutenção do peso perdido", explica a ginecologista. Abaixo, ela dá as principais dicais para evitar o reganho de peso:

Desmame gradual do medicamento

Caso haja a necessidade realmente de retirar, o ideal é fazer isso gradativamente. "A retirada abrupta pode causar hiperfagia compensatória. Reduzir progressivamente a dose ao longo de algumas semanas pode minimizar esse efeito. Alternar para medicamentos com meia-vida mais longa (como tirzepatida) pode ser uma opção para uma transição mais suave", explana.

Ajuste nutricional personalizado

"A dieta deve ser adaptada para manter a saciedade e evitar oscilações glicêmicas. É recomendável o aumento da ingestão proteica, que pode compensar a queda na saciedade induzida pelo GLP-1. Além disso, uma dieta rica em fibras mantém o efeito positivo na microbiota intestinal", diz a médica.

Introdução de terapias hormonais adjuvantes

Para mulheres no climatério (perimenopausa, menopausa e pós-menopausa), hormônios podem ser indicados para preservar a massa magra e evitar perda metabólica. "Além disso, a modulação do eixo testosterona/estrogênio pode ajudar no controle da composição corporal e evitar a regulação negativa do gasto energético".

Estratégias para manutenção da microbiota

"O uso de probióticos e prebióticos pode ajudar a preservar as adaptações benéficas induzidas pelos medicamentos. Dietas que favorecem a fermentação de fibras e produção de ácidos graxos de cadeia curta ajudam na manutenção do metabolismo energético", elucida.

Estímulo da atividade física

Treinos resistidos ajudam a manter a taxa metabólica basal elevada e evitam perda de massa muscular, um fator crítico para evitar o efeito rebote. "Exercícios aeróbicos também são indicados, pois melhoram a capacidade cardiovascular e ajudam a aumentar o gasto energético", diz.

Suporte comportamental e psicológico

Segundo a médica, terapias cognitivas comportamentais ajudam na reeducação alimentar e controle do apetite, enquanto o monitoramento contínuo evita deslizes e ajusta estratégias.

Por fim, a médica lembra que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial. "O sucesso no controle do peso vai além de qualquer medicamento isolado, e a abordagem personalizada e multidisciplinar é essencial para evitar o efeito rebote", finaliza.

*Matéria feita em parceria com Paula Amoroso, da Holding Comunicações

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