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Feira de empreendedorismo é passeio para criança?

29 mar 2018
14h17
atualizado em 2/4/2018 às 12h29
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Foto: Mãe com Prosa

Fiquei muito surpresa ao ler o post publicado pela Feminaria, acusando o Sebrae de não acolher mães empreendedoras em um de seus eventos mais importantes.

Desde que comecei minha pesquisa sobre empreendedorismo materno, em 2012, mantenho contato com consultores de lá. Sempre atenciosos e dispostos a orientar. Já participei do Café com Empreendedoras, organizado pela Rede Mulher Empreendedora, que acontece mensalmente na sede localizada na Liberdade, em São Paulo. Ou seja: transito por lá de vez em quando e estranhei a atitude do Sebrae, relatada no texto assinado pela Ana Bavon.

Fui checar: ok, a Feira do Empreendedor proíbe a entrada de menores de 14 anos. Parece antipático proibir crianças em qualquer ambiente. Isso não significa que as mães empreendedoras não sejam bem-vindas, como acusa a Feminaria. Podemos ir, sem levar as crianças. Será que isso é tão absurdo? Fere os valores de uma sociedade contemporânea? Acho que não. Simplesmente, não é um ambiente seguro e preparado para receber crianças.

A Feira do Empreendedor recebeu 40 mil pessoas por dia no ano passado. Eu como mãe, não frequento multidões quando estou com a minha filha de 3 anos, por precaução e segurança.

Além disso, se o meu intuito é fazer contatos profissionais, ver palestras ou receber mentorias, o melhor a fazer é me concentrar nisso. Nem que seja por duas horinhas. Levar uma criança comigo não me deixaria tranquila para focar no trabalho.

Se não tiver com quem deixar a criança, tenho alternativas para seguir desenvolvendo o meu negócio, sem ir à feira. Posso ir ao Sebrae para uma consulta individual e gratuita, posso marcar uma mentoria com a própria Feminaria em uma ambiente mais acolhedor ou buscar outras tantas consultorias voltadas ao empreendedorismo feminino e materno que podem me apoiar.

Veja minhas sugestões num texto que publiquei recentemente por aqui

Se a ideia é dar um passeio com a minha filha, prefiro ir a um parque. Não a uma feira de empreendedorismo.

No meu livro "Minha mãe é um negócio", publicado pela editora Saraiva, alerto sobre um erro muito comum das mães: misturar filhos com o trabalho. Lá eu digo que é muito bacana levar a criança para visitar o escritório da mãe de vez em quando e ensinar para o filho desde cedo sobre o valor do trabalho e a realização que ele traz. Mas, fazer disso uma rotina ameaça a produtividade da mãe, da equipe e, para a criança, me parece pouco divertido. A não ser que o seu escritório seja bem preparado para isto. O que não é muito comum.

O empreendedorismo materno já exige tantos desafios… Levantar excesso de bandeiras dilui nossa energia e não fortalece o movimento que já é tão revolucionário. O que você acha? Vamos refletir? O assunto merece!

Veja também:

Mãe com Prosa
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