Meninas adolescentes são o grupo mais solitário do mundo, diz estudo
Estudo da OMS revela que meninas entre 13 e 17 anos formam o grupo mais solitário do mundo, com impactos profundos na saúde física e emocional
Quando se fala em solidão, é comum imaginar idosos vivendo isolados. No entanto, uma nova pesquisa revelou um dado alarmante: quase um quarto das meninas adolescentes, entre 13 e 17 anos, relatam sentir-se sozinhas, tornando esse grupo o mais solitário do mundo. A conclusão vem de uma Comissão sobre Conexão Social conduzida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que buscou entender a epidemia global de solidão e seus impactos.
Segundo a OMS, uma em cada seis pessoas no mundo se sente solitária. E essa sensação, definida pela entidade como um "sentimento doloroso" que surge quando alguém não tem os vínculos sociais que gostaria de ter, pode trazer consequências sérias para a saúde física e emocional.
Solidão e saúde: um risco silencioso
O isolamento social atinge até um terço dos idosos e um quarto dos jovens, mas a solidão não é exclusividade dessas faixas etárias. De acordo com a OMS, tanto a solidão quanto o isolamento estão associados a 871 mil mortes por ano, já que aumentam o risco de doenças cardíacas, AVC, diabetes, declínio cognitivo e transtornos mentais.
O Dr. Vivek Murthy, ex-cirurgião-geral dos Estados Unidos e copresidente da comissão, destacou: "Existem muitos fatores que impulsionam a solidão e o isolamento: a saúde física e mental precária, a marginalização social e o uso excessivo de mídias digitais, especialmente entre os jovens".
O retrato entre gerações
Os números mostram pequenas diferenças entre homens e mulheres no geral, mas variam conforme a idade. Entre idosos, por exemplo, mais mulheres relataram sentir solidão (13% contra 9,9% dos homens). Já entre adultos de 30 a 59 anos, os homens se mostraram ligeiramente mais solitários. Mas foi entre os adolescentes que o contraste mais chamou a atenção: 24,3% das meninas e 17,2% dos meninos disseram sentir solidão. Essa disparidade revela uma vulnerabilidade particular entre elas.
Por que as adolescentes são mais solitárias?
Especialistas apontam vários fatores. Mudanças hormonais típicas da adolescência podem intensificar emoções e gerar confusão, mas muitas vezes os sentimentos das jovens são minimizados, fazendo com que se sintam desvalorizadas. Além disso, o estresse escolar e a pressão social aumentam nessa fase, e a pandemia de COVID-19 agravou a situação, interrompendo um período crucial de socialização.
Outro ponto é o uso das redes sociais. Estudos mostram que meninas tendem a consumir mais conteúdo solitário e voltado para padrões de beleza e moda, o que impacta a autoestima e desencoraja interações sociais. Em contrapartida, meninos costumam usar o tempo de tela para jogos em grupo, que têm um caráter mais social.
Como ajudar adolescentes solitários
Para os pais, familiares e educadores, o primeiro passo é reconhecer que a solidão é um sentimento legítimo, comum e que merece ser acolhido. Conversar abertamente, compartilhar experiências pessoais e reduzir o estigma em torno do tema pode ajudar adolescentes a se sentirem menos isolados.
É essencial observar quanto tempo os jovens passam nas redes sociais e avaliar se esse uso está contribuindo para a conexão ou para o isolamento. Incentivar atividades físicas, hobbies e a participação em grupos de interesse também fortalece vínculos. E, quando necessário, procurar apoio psicológico especializado pode ser um caminho valioso.
Vale lembrar que estar sozinho não é o mesmo que ser solitário. Todos, inclusive adolescentes, precisam de momentos de introspecção. O problema surge quando a solidão se torna constante e começa a prejudicar a saúde emocional e social.