Jovens são mais otimistas sobre uso de IA na vida afetiva
Quase metade dos entrevistados com menos de 35 anos crê que "companheiros íntimos de IA" trarão mais felicidade, segundo estudo. Cenário, contudo, expõe divisões globais.Cerca de 50 % dos jovens adultos acreditam que relações sentimentais com a inteligência artificial (IA) vão melhorar a felicidade humana na próxima década, segundo os resultados de uma grande pesquisa internacional divulgados recentemente pela agência AFP.
O percentual diminui progressivamente nos grupos de idade mais avançada, chegando a apenas cerca de um quarto das pessoas com 55 anos ou mais, de acordo com o estudo.
Os avanços no desenvolvimento da IA levaram as pessoas a recorrer a chatbots como confidentes e parceiros sentimentais, enquanto os progressos na robótica têm contribuído para a fabricação de bonecas sexuais cada vez mais sofisticadas, o que levanta questionamentos sobre o impacto nas relações humanas.
A pesquisa, realizada com quase 10 mil pessoas nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Indonésia e Hong Kong, oferece um retrato desse "panorama moral em rápida evolução", segundo a empresa de pesquisas YouGov.
Ela também mostra "uma profunda divisão ideológica entre os mercados ocidentais e os asiáticos", sendo estes últimos aparentemente mais receptivos ao sexo e ao romance facilitados pela tecnologia.
No que diz respeito ao apoio emocional, 48 % de todos os entrevistados entre 18 e 24 anos e 47 % dos que têm entre 25 e 34 anos afirmaram acreditar que os "companheiros íntimos de IA" - uma categoria que engloba desde chatbots até bonecas sexuais - vão melhorar a felicidade humana na próxima década.
Quando a mesma pergunta foi feita com foco em conexão mais profunda e bem-estar sexual, os números caíram para 32 % e 38 %, respectivamente. Em ambos os aspectos, as pessoas mais velhas se mostraram menos otimistas.
O impacto psicológico dos chatbots em pessoas vulneráveis tem sido acompanhado de perto nos últimos tempos, depois que algumas famílias relacionaram a morte de vários adolescentes nos Estados Unidos ao uso de IA.
Em setembro, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) exigiu que sete empresas, incluindo gigantes da tecnologia como Alphabet, Meta, OpenAI e Snap, fornecessem informações sobre como monitoram e lidam com os impactos negativos de chatbots projetados para simular relações humanas.
Divisão geográfica
A YouGov e a empresa de comunicação que encomendou o estudo, a Star X Gen, sediada em Tóquio, afirmaram à AFP que ficaram surpresas com a disparidade regional.
Na Indonésia, 50 % das pessoas - de todas as idades - disseram acreditar que a companhia de IA melhoraria a conexão e o bem-estar sexual.
O percentual foi de 34 % em Hong Kong e 24 % no Japão, caindo para 20 % nos Estados Unidos, 15 % na Alemanha e apenas 9 % no Reino Unido.
"Enquanto o público ocidental considera, em grande medida, a intimidade sintética como uma ameaça à proximidade humana autêntica, o público asiático parece cada vez mais disposto a integrar a IA em sua vida pessoal e física", afirmou Philippe Chan, da YouGov.
Embora o uso de chatbots para romance e sexo esteja se difundindo, sua materialização em robôs ou bonecos ainda está em estágio mais inicial. Dos 9.912 entrevistados, apenas 17 % disseram que considerariam usar uma "boneca íntima com IA", contra 59 % que afirmaram que não o fariam.
De modo geral, os adultos mais jovens se mostraram mais propensos do que os mais velhos a considerar o uso de uma boneca, e, no Japão e na Alemanha, o número de jovens dispostos a experimentar uma boneca foi quase o dobro da média nacional.
"Embora a população global em geral ainda se mostre cautelosa, a próxima geração está redefinindo ativamente os limites da vida sentimental", afirma o relatório.
No Japão, mais de um terço dos jovens adultos disse acreditar que bonecas com IA podem proporcionar uma sensação de amor, superando o número dos que discordam.
ee (afp, ots)
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