Estudo aponta exercícios físicos que reduzem sintomas de ansiedade e depressão pós-parto
Movimento que acolhe! Descubra como a atividade física pode ajudar na saúde mental após o parto
O puerpério é um dos períodos mais intensos da vida de uma mulher. Entre noites mal dormidas, oscilações hormonais, novas responsabilidades e descobertas, o corpo e a mente passam por transformações profundas. Nesse cenário, uma simples caminhada ou uma aula de yoga podem ir muito além de exercícios físicos. Ela pode ser um momento de respiro, de reconexão e até de prevenção à depressão pós-parto.
Uma revisão de 35 estudos internacionais, publicada no British Journal of Sports Medicine e conduzida por pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, trouxe dados animadores: a prática regular de atividade física, mesmo em pequenas quantidades, pode reduzir em até 45% o risco de depressão pós-parto.
Um cuidado que vai além do corpo
O estudo em questão analisou a rotina de mais de 4 mil mulheres em 14 países e apontou que atividades como caminhada rápida, bicicleta, ioga ou treino de resistência, praticadas por pelo menos quatro dias na semana nos três primeiros meses após o parto, fazem diferença significativa na saúde mental. Até mesmo 80 minutos semanais já são suficientes para reduzir sintomas ansiosos e depressivos.
Além dos benefícios físicos e químicos, como a liberação de endorfinas e o equilíbrio hormonal, há outro ponto importante: os exercícios físicos se tornam um momento só da mulher, um tempo em que ela pode se ouvir, respirar e estar em outro ambiente - o que também favorecem o humor e a autoestima.
Baby blues ou depressão pós-parto?
Nem todo choro ou cansaço indica um transtorno. O chamado baby blues é um fenômeno comum, geralmente passageiro, relacionado às intensas mudanças hormonais e à adaptação à maternidade. Pode se manifestar com sensação de sobrecarga, irritabilidade, ansiedade e alterações de humor, mas costuma desaparecer sozinho em algumas semanas.
Por outro lado, a depressão pós-parto traz sintomas mais persistentes e intensos. Entre eles, tristeza profunda, apatia, dificuldade em sentir prazer, dúvidas constantes sobre a própria capacidade como mãe e, em casos mais graves, pensamentos sobre machucar a si mesma ou ao bebê.
Quando é hora de buscar ajuda?
A recomendação é procurar apoio psicológico ou psiquiátrico quando houver:
- Tristeza contínua por mais de duas semanas;
- Falta de energia ou vontade para realizar atividades;
- Ausência de prazer, mesmo em momentos que antes eram agradáveis;
- Sentimento de incapacidade diante dos cuidados com o bebê;
- Pensamentos preocupantes relacionados à própria vida ou à do filho.
É importante lembrar que esses sentimentos não são sinais de fraqueza, mas sim de que algo precisa ser cuidado com acolhimento e escuta profissional.
O puerpério pede leveza, apoio e tempo
Segundo o estudo canadense, a depressão pós-parto pode afetar até 19% das mulheres, mas muitos casos ainda passam despercebidos. Por isso, é essencial que o assunto seja tratado com empatia, informação e sem tabus. Com a devida orientação médica, a atividade física pode ser um gesto de cuidado e reconexão, ajudando a fortalecer não apenas o corpo, mas também a mente e o coração de quem está atravessando esse momento tão único e transformador.