Endometriose e lipedema costumam andar juntos e como identificar; entenda
Condições inflamatórias compartilham gatilhos hormonais e podem afetar a mesma paciente, tornando o diagnóstico um verdadeiro quebra-cabeça
A jornada de muitas mulheres em busca de respostas para dores crônicas costuma ser longa e solitária. Doenças como a endometriose e o lipedema, embora distintas em suas manifestações, compartilham uma série de semelhanças que vão desde os mecanismos hormonais até a demora no diagnóstico correto. O que pouca gente sabe, contudo, é que ambas as condições podem coexistir, tornando o quadro de saúde ainda mais complexo.
Lipedema e endometriose coexistem
"Ainda temos poucos estudos para afirmar uma relação de causa e efeito, mas, na prática clínica, não é raro atendermos mulheres que têm lipedema e, ao mesmo tempo, endometriose. Os mecanismos das doenças são semelhantes, com forte aspecto hormonal envolvido, além de compartilharem uma série de outros pontos em comum, incluindo processos inflamatórios, dor crônica e diagnóstico demorado", explica o cirurgião plástico Dr. Rafael Erthal, fundador da clínica Blue.
Na rotina médica, essa sobreposição impressiona. "No consultório, notamos uma forte associação entre o lipedema e endometriose, sendo que cerca de 40% das pacientes apresentam ambas as condições", revela a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio.
Entenda a diferença e os sintomas de cada uma
Para compreender a gravidade da sobreposição, é preciso entender o que cada uma dessas doenças crônicas provoca no organismo:
Endometriose
Doença inflamatória crônica em que as células do endométrio crescem fora da cavidade uterina.
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Sintomas principais: Cólicas incapacitantes, dor pélvica, dor na relação sexual, alterações intestinais/urinárias e dificuldade para engravidar.
Lipedema
Doença crônica do tecido adiposo, marcada pelo acúmulo desproporcional de gordura em pernas, quadris e braços.
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Sintomas principais: Dor, sensibilidade extrema ao toque, sensação de peso, inchaço e hematomas frequentes.
Nesse sentido, quando as duas patologias se encontram, os sintomas dolorosos se misturam. "A inflamação gerada pela endometriose pode funcionar como um gatilho para os sintomas do lipedema. Então, caso as doenças coexistam, não adianta focar apenas no tratamento de um. É preciso tratar simultaneamente", alerta Erthal.
O caminho para o tratamento integrado
A boa notícia é que o tratamento para ambas as condições evoluiu e exige, antes de tudo, uma mudança profunda no estilo de vida da paciente. Da mesma forma que a endometriose melhora com ajustes hormonais e rotina saudável, o lipedema responde muito bem a dietas anti-inflamatórias, práticas de atividade física, terapias compressivas e drenagem linfática.
Em suma, os especialistas reforçam que a dor nunca deve ser normalizada na rotina feminina. "Cólica incapacitante não é normal. Pernas doloridas, pesadas, com hematomas frequentes e aumento desproporcional de gordura também não devem ser banalizadas. A paciente não deve esperar anos para receber um diagnóstico", finaliza o cirurgião plástico, defendendo um olhar médico muito mais integrado e acolhedor para a saúde da mulher.
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