Dia Nacional do Combate ao Fumo: confira dicas práticas para largar o cigarro de vez
Data chama atenção para os perigos do cigarro, trazendo dados alarmantes sobre o tabagismo; confira dicas eficazes para parar de fumar
Hoje, dia 29 de agosto, marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo no Brasil. Criada pela Lei nº 7488 de 1986, a data tem como objetivo conscientizar a população sobre os malefícios do tabaco e incentivar medidas de prevenção. Desde então, tornou-se um convite para repensar hábitos e reforçar políticas públicas contra o cigarro.
Nos anos 1990 e 2000, o Brasil avançou com leis importantes, como a Lei Antifumo, que proíbe o tabagismo em locais coletivos, públicos ou privados, além de restringir propagandas e fumódromos. Esses passos ajudaram a reduzir o número de fumantes no país - mas o desafio continua.
Tabagismo no Brasil e no mundo
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta. Estima-se que 200 mil pessoas morram por ano no Brasil em decorrência do fumo, enquanto no mundo o número chega a quase 5 milhões de vidas perdidas anualmente.
Embora o Brasil seja referência internacional em políticas de combate, um alerta recente preocupa: de acordo com dados do Ministério da Saúde (2024), a proporção de adultos fumantes cresceu de 9,3% para 11,6% em apenas um ano - o primeiro aumento desde 2007. Hoje, entre 20 e 23 milhões de brasileiros adultos ainda fumam.
Os perigos do cigarro
A curto prazo
- Irritação das vias respiratórias: tosse, rouquidão e excesso de muco;
- Redução da capacidade respiratória e sensação de falta de ar;
- Alterações cardiovasculares: aumento da pressão e da frequência cardíaca;
- Perda do paladar e do olfato;
- Envelhecimento precoce da pele e manchas nos dentes;
- Maior vulnerabilidade a infecções devido à queda da imunidade.
A longo prazo
- Doenças cardiovasculares: infarto, AVC, insuficiência cardíaca;
- Doenças pulmonares crônicas: bronquite, enfisema;
- Diversos tipos de câncer (pulmão, boca, garganta, esôfago, bexiga, pâncreas);
- Impotência sexual e infertilidade;
- Envelhecimento acelerado dos ossos e maior fragilidade geral.
O fumo passivo também é altamente perigoso: pessoas expostas à fumaça de terceiros apresentam risco aumentado de câncer, doenças cardíacas, crises de asma, pneumonia e até complicações na gestação.
Os malefícios do cigarro eletrônico
Nos últimos anos, muitos jovens têm trocado o cigarro convencional pelos cigarros eletrônicos - também chamados de vapes ou pods. Mas a ideia de que eles seriam mais seguros é totalmente enganosa.
Os líquidos aquecidos no produto liberam nicotina em alta concentração, além de metais tóxicos como níquel e alumínio, e compostos cancerígenos formados pelo aquecimento. Entre 2019 e 2020, os Estados Unidos registraram mais de 2,5 mil internações e cerca de 60 mortes por lesões pulmonares relacionadas ao uso desses dispositivos. No Brasil, o Ministério da Saúde já notificou casos graves desde 2020.
Dicas para parar de fumar
Abandonar o cigarro não é fácil, já que a nicotina provoca dependência. Mas existem caminhos eficazes para vencer o vício:
1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Ajuda o paciente a identificar gatilhos, lidar com a ansiedade e mudar hábitos relacionados ao fumo. É uma das abordagens mais eficazes e está disponível no SUS.
2. Medicamentos e reposição de nicotina
Adesivos, gomas de mascar e medicamentos como bupropiona e vareniclina reduzem sintomas da abstinência. Mas lembre-se: ele deve sempre ser usado com orientação médica.
3. Rede de apoio
Compartilhar a decisão com amigos e familiares fortalece o compromisso. Grupos de apoio e acompanhamento psicológico aumentam as chances de sucesso.
4. Mudança de estilo de vida
Busque transformações na qualidade de vida que façam a diferença. Por exemplo: praticar exercícios físicos para aliviar o estresse e liberar endorfina; investir em alimentação equilibrada, rica em frutas e vegetais; beber bastante água para auxiliar na eliminação de toxinas; e reduzir o consumo de álcool e cafeína, que podem estimular o desejo pelo cigarro.
5. Evitar gatilhos
Nos primeiros meses, evite locais e situações que estimulem o tabagismo. Criar novos hábitos prazerosos ajuda a substituir o vício.
Um futuro livre do tabaco
Apesar dos avanços, o tabagismo ainda é responsável por mais de 8 milhões de mortes no mundo todos os anos. O Brasil segue como referência em campanhas educativas, leis restritivas e atendimento gratuito no SUS, mas enfrenta novos desafios com os cigarros eletrônicos.
Parar de fumar é um passo essencial para a saúde individual e coletiva. Com informação, apoio e políticas públicas eficazes, é possível construir um futuro com menos dependência da nicotina e mais qualidade de vida.