Dry Martini exige tempo para ser apreciado
O dry Martini é um coquetel para bebericar, ou seja, ele favorece o tempo para conversas, impressões, juízos mais elaborados sobre a vida e o cotidiano. Um Martini também não é um chopp ou cerveja que se toma na mesa de um bar de forma descompromissada, aos grandes goles em meio a muita algazarra. Com a inconfundível sensação seca e marcante que o perfumado gin de um dry Martini oferece, ele praticamente exige do apreciador tempo para melhor aproveitá-lo. Não se bebe um Martini às pressas. Não se consegue bebê-lo de um único gole.
» Veja como preparar um dry Martini
A conversa em torno de um dry Martini é mais introspectiva, como o ambiente clássico de um bar de balcão, com luzes calibradas que iluminam as palavras. O dry é um clássico e não se rende a modismos passageiros, mesmo que em algum momento ele mesmo seja moda. A preparação dessa bebida faz exigências ao tempo. Segundos em excesso entre as pedras de gelo, ele água. Pouco contato com o gelo, ele não gela.
Origens do Dry Martini
No livro The Joy of Mixology, Gary Reagan busca a origem do Martini no Manhattan e não no Martinez, como usualmente se faz. A razão é simples. Ambos, Martinez e Martini, são adaptações do Manhattan, basicamente o mesmo coquetel com nomes diferentes. Tanto o Manhattan quanto o Martinez foram registrados pela primeira vez no Bartender's Guide, de Jerry Thomas, na edição de 1887. A diferença básica entre os dois é a troca do whiskey por gin.
Quanto ao Martini, Reagan aponta que para todos os efeitos ele e o Martinez são basicamente o mesmo coquetel. As alterações que ocorreram na bebida remontam o início do século XX, quando também o nome Martinez foi gradualmente deixando de ser empregado e o conhecido Martini ganhou espaço. A receita do Martinez levava um bitter, maraschino, vermute e Old Tom, um gin doce. Com o passar do tempo o coquetel foi se tornando mais seco, abandonando os demais ingredientes. Por volta de 1940, ele passa a ser preparado apenas com gin seco e vermute seco.
Nos anos 90, com a retomada da coquetelaria, o Martini ganhou plural. Ou seja, teve início uma onda de novas criações a partir do clássico celebrizado por James Bond. O mesmo Gary Reagan escreve que o nome Martini passou a ser dado para qualquer coquetel que se utilizasse das técnicas de preparação do Martini e fosse servido em sua clássica taça. A partir de então a imaginação criativa dos bartenders criou variações para todos os gostos, como comprova Kin Haasurd, no livro 101 Martinis.