O que é 'Plastic Eating'? Entenda os riscos da nova moda de comer alimentos com plástico
A prática, que teve origem na China, incentiva o ato de mastigar comidas envoltas em plástico sem ingeri-las, com o objetivo de evitar o consumo de calorias
Uma nova tendência viralizou nas redes sociais nas últimas semanas e gerou preocupação entre profissionais da saúde. Chamada de 'Plastic Eating', a moda incentiva a mastigar alimentos embrulhados em plástico como uma forma de reduzir a fome, sem a necessidade de realmente ingerir a comida.
Origem e riscos da Plastic Eating
Os vídeos mostrando a prática surgiram inicialmente na plataforma chinesa Douyin e, em seguida, no TikTok, principalmente entre usuários europeus e americanos. Em um primeiro momento, a tendência pode parecer apenas mais um desafio das redes sociais, mas, na verdade, revela e até estimula transtornos alimentares.
Em entrevista ao 'La Nación', a nutricionista Laura Salzman classifica o comportamento de comer alimentos com plástico como um distúrbio, pois promove a restrição extrema, a má relação com a comida, a busca por gratificação imediata e, ao mesmo tempo, a privação do prazer. Por isso, ainda para o jornal argentino, o psicólogo Sergio Héctor Azzara afirma que a exposição a conteúdos desse tipo pode intensificar quadros preexistentes, afetando especialmente adolescentes.
Segundo o especialista, nessa fase, o cérebro ainda está em desenvolvimento. Com a falta de atividade nas áreas pré-frontais — ligadas ao controle de impulsos e à avaliação de riscos — e a maior sensibilidade à aprovação social, então, os jovens ficam mais suscetíveis a aderir a essas práticas perigosas, agravando questões emocionais ou desencadeando-as. "Isso os torna os particularmente vulneráveis a conteúdos virais que prometem soluções rápidas para o controle de peso ou para a melhora da imagem corporal", explicou.
Efeitos físicos e mentais
Além disso, conforme apontou Salzman, há impactos para a saúde física. Ela cita, por exemplo, problemas digestivos, atraso no crescimento e no desenvolvimento do corpo durante a puberdade. No caso das meninas, é comum a interrupção do ciclo menstrual, o que pode afetar a mente, aumentando o risco de ansiedade e isolamento social.
Médicos também alertam para perigos imediatos, como sufocamento pelo plástico e ingestão de micro ou macroplásticos. Os riscos maiores, no entanto, são para o emocional. "Para alguém insatisfeito com o próprio corpo, uma prática que promete dar a sensação de estar comendo sem consumir calorias pode parecer uma solução genial. No entanto, na realidade, reflete uma relação muito problemática com a comida", afirmou Salzman.