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Como os ultraprocessados podem afetar a fertilidade?

Pesquisa indica que consumo elevado desses alimentos pode interferir nos hormônios e reduzir as chances de engravidar

26 mar 2026 - 10h33
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O que vai ao prato pode influenciar muito mais do que energia e peso corporal. Uma nova pesquisa científica sugere que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode estar associado a fertilidade e dificuldades para engravidar, levantando um alerta importante sobre a relação entre alimentação e saúde reprodutiva.

Estudo aponta que alimentos ultraprocessados podem reduzir a fertilidade feminina; entenda a relação entre os dois
Estudo aponta que alimentos ultraprocessados podem reduzir a fertilidade feminina; entenda a relação entre os dois
Foto: Reprodução: Canva/Aflo Images / Bons Fluidos

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade McMaster e publicado na revista Nutrition and Health, analisou dados de mais de 2.500 mulheres. Os resultados indicaram que aquelas com maior consumo desse tipo de alimento apresentaram uma probabilidade significativamente menor de fertilidade - com uma redução estimada de até 60%.

Muito além das calorias

Durante muito tempo, os ultraprocessados foram associados principalmente ao ganho de peso e ao risco de doenças crônicas. No entanto, a pesquisa aponta que os efeitos podem ser mais amplos e complexos.

"A maior parte do que ouvimos sobre alimentos ultraprocessados se concentra em calorias e obesidade. Mas nossas descobertas sugerem algo potencialmente mais complexo - parece haver outro mecanismo em ação que pode refletir vias além de calorias ou peso, incluindo exposições químicas que foram hipotetizadas em estudos anteriores", explica Anthea Christoforou, autora sênior do estudo.

Ou seja, mesmo quando a ingestão calórica parece equilibrada, a qualidade do alimento e o grau de processamento podem fazer diferença.

O papel das substâncias químicas

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve a presença de compostos químicos nesses alimentos. Substâncias como ftalatos, BPA e acrilamidas, comuns em embalagens e no processo industrial, podem interferir no funcionamento hormonal.

"Alimentos ultraprocessados frequentemente contêm substâncias químicas como ftalatos, BPA e acrilamidas, que podem se desprender das embalagens ou até mesmo das máquinas de plástico utilizadas durante o processamento. Sabe-se que esses compostos interferem nos hormônios, e isso pode ser parte do motivo pelo qual estamos observando essa ligação", afirma Angelina Baric, coautora do estudo.

Como o equilíbrio hormonal é essencial para a ovulação e o ciclo menstrual, qualquer interferência nesse sistema pode impactar a fertilidade.

O que diferencia quem tem mais dificuldade

No estudo, mulheres que relataram infertilidade consumiam, em média, mais alimentos ultraprocessados - cerca de 31% da ingestão diária - e tinham menor adesão a padrões alimentares considerados saudáveis, como a dieta mediterrânea.

Esse tipo de alimentação, rico em frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras boas, apareceu como um fator positivo para a fertilidade. No entanto, esse efeito foi reduzido quando a obesidade entrou na equação, sugerindo que o peso corporal também influencia o processo.

Fertilidade começa antes da tentativa

Outro ponto importante destacado pelos pesquisadores é que a fertilidade não começa no momento em que o casal decide engravidar. Ela é construída ao longo do tempo, incluindo hábitos alimentares.

Mesmo pequenas mudanças podem ter impacto. Reduzir o consumo de produtos industrializados, priorizar alimentos naturais e prestar atenção à origem dos ingredientes são estratégias simples que podem ajudar a diminuir a exposição a substâncias ainda pouco compreendidas pela ciência.

"Não se trata de perfeição, mas sim de perceber como os alimentos são processados, escolher mais alimentos em seu estado natural e optar por ingredientes que você reconhece. Mesmo essa simples mudança pode diminuir a exposição a coisas que ainda não entendemos completamente", diz Baric.

Um olhar mais amplo sobre a saúde reprodutiva

Apesar dos resultados relevantes, os autores reforçam que o estudo aponta associações, e não uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, o impacto potencial é significativo, especialmente considerando o alto consumo de ultraprocessados no dia a dia.

Mais do que uma restrição, a proposta é ampliar a consciência sobre escolhas alimentares. Em um cenário em que fertilidade, saúde hormonal e bem-estar estão cada vez mais conectados, olhar para o prato pode ser um dos primeiros passos. No fim, a mensagem é simples: cuidar da alimentação não é apenas uma questão de saúde imediata, mas também de futuro.

Bons Fluidos
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