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Café e chocolate: confira os vilões ocultos da enxaqueca

Cafeína e outros estimulantes podem intensificar crises de enxaqueca

12 fev 2026 - 11h02
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Neurologista alerta que substâncias comuns podem mascarar a dor e intensificar crises em pessoas com cérebro geneticamente mais sensível.

A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, hereditária e complexa, que afeta cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde. Alguns ingredientes podem desencadear crises de enxaqueca e contribuir para a cronificação da doença, embora não a causem diretamente.

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Foto: Revista Malu

Segundo a neurologista Thais Villa, referência no tratamento da enxaqueca no Brasil, entre essas substâncias destaca-se a cafeína, que "é o principal estimulante do sistema nervoso central, encontrada naturalmente no café, em chás brancos e verdes, no cacau dos chocolates escuros, refrigerantes a base de cola e também em alguns medicamentos amplamente utilizados para o alívio da dor de cabeça, o que pode mascarar os sintomas e favorecer a cronificação da enxaqueca".

"Em pessoas que sofrem de enxaqueca, condição comum em indivíduos com um cérebro geneticamente hiperexcitado, a cafeína atua no sistema nervoso central, deixando-o ainda mais em estado de alerta. Além disso, por ter efeito analgésico, a substância pode mascarar a dor de cabeça; porém, quando o consumo é interrompido, o paciente tende a sentir dor mais intensa, além de apresentar queda no desempenho físico e mental", explica a especialista.

Outros alimentos prejudiciais

Na lista de substâncias que ativam o cérebro também entram os energéticos, os pré-treinos e diversos suplementos. Além disso, há alimentos ricos em glutamato monossódico, como temperos prontos, salgadinhos, biscoitos e molho shoyu, e outros com efeito termogênico, como pimentas fortes, gengibre, cúrcuma e canela.

A enxaqueca é uma doença crônica, sem cura, que acompanha o paciente desde o nascimento até o fim da vida. O acompanhamento especializado permite levar uma vida livre de dores por meio de um tratamento integrado, que combina mudanças no estilo de vida a intervenções modernas, como o uso da toxina botulínica e de medicamentos anti-CGRP. Portanto, esse cuidado previne a progressão dos sintomas e reduz o risco de complicações que comprometem a qualidade de vida.

Filhos podem "herdar" a doença

Segundo a neurologista Thais Villa, estudos recentes analisaram o DNA de milhares de pessoas com e sem enxaqueca e identificaram mais de 180 variações genéticas (SNPs) associadas à doença. "Essas alterações influenciam áreas do cérebro responsáveis pela regulação de múltiplos neurotransmissores, pelo funcionamento cerebral, pela percepção da dor, pelas funções cognitivas e pela regulação do humor.

Isso mostra que a predisposição genética não é uma sentença, mas indica que o cérebro da pessoa com enxaqueca é naturalmente mais sensível", explica a especialista.

Por se tratar de uma doença genética multifatorial, na qual a combinação de diversos genes com fatores ambientais aumenta o risco de desenvolvimento, a enxaqueca costuma se repetir nas famílias. O diagnóstico da condição em um dos pais dá ao filho cerca de 50% de chance de também apresentá-la.

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