Bebidas alcoólicas e calóricas do Carnaval: o impacto invisível
Excessos causam danos no metabolismo e no fígado
Dr. Vagner Chiapetti, endocrinologista e nutrólogo, explica como drinks açucarados e álcool em excesso afetam o organismo e favorecem o acúmulo de gordura no fígado
Durante o Carnaval, o consumo de bebidas alcoólicas costuma aumentar, e não apenas pela quantidade, mas também pelo tipo de drink escolhido. Misturas com refrigerantes, xaropes, energéticos e sucos industrializados elevam significativamente a ingestão de açúcar e calorias, criando um impacto silencioso no metabolismo e na saúde do fígado.
Segundo o endocrinologista e nutrólogo Dr. Vagner Chiapetti, esse excesso calórico líquido passa muitas vezes despercebido, mas pode gerar consequências importantes para o organismo.
"Bebidas alcoólicas calóricas são facilmente consumidas em grande volume e não promovem saciedade. Isso favorece o acúmulo de gordura e sobrecarrega o fígado, que precisa metabolizar tanto o álcool quanto o excesso de açúcar", explica o médico.
Açúcar líquido e álcool: uma combinação metabólica desfavorável
Drinks adoçados, como caipirinhas, batidas, bebidas prontas e coquetéis com energéticos, elevam rapidamente os níveis de glicose no sangue. Esse pico estimula a liberação de insulina, hormônio diretamente ligado ao armazenamento de gordura.
"Quando o consumo de açúcar é frequente, o organismo tende a direcionar esse excesso para o fígado, favorecendo o surgimento ou a piora da esteatose hepática", alerta Dr. Vagner Chiapetti.
Além disso, o álcool interfere na oxidação de gordura, fazendo com que o corpo priorize sua metabolização em detrimento da queima lipídica.
O impacto invisível na gordura no fígado
O consumo repetido de bebidas alcoólicas e calóricas pode intensificar processos inflamatórios no fígado, mesmo em pessoas que não apresentam sintomas aparentes.
"Muitos pacientes não sentem nada, mas exames mostram aumento de gordura hepática após períodos de excesso, como festas prolongadas. O fígado sofre em silêncio", destaca o especialista.
Esse quadro pode evoluir com resistência à insulina, aumento do colesterol e dificuldade no emagrecimento.
Estratégias para reduzir os danos durante a folia
Segundo o endocrinologista e nutrólogo, pequenas escolhas fazem grande diferença para minimizar os impactos metabólicos: "Optar por bebidas menos açucaradas, intercalar álcool com água e evitar consumo contínuo ao longo do dia são atitudes simples que ajudam a proteger o fígado", orienta Dr. Vagner Chiapetti.