Carnaval e alta sensibilidade: como mulheres PAS podem curtir a folia sem esgotamento emocional
Médica psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi explica por que o excesso de estímulos pode ser especialmente desafiador para mulheres altamente sensíveis; saiba como atravessar a festa com equilíbrio
O Carnaval é sinônimo de música alta, multidões, luzes intensas e interações constantes. Mas, para muitas mulheres altamente sensíveis (PAS), essa combinação pode representar não apenas diversão, mas também sobrecarga física, emocional e sensorial pela ata sensibilidade.
Segundo a médica Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em saúde mental de mulheres neurodivergentes, a alta sensibilidade não é sinônimo de timidez ou introversão. "Cerca de 30% das pessoas altamente sensíveis são extrovertidas. Elas gostam de estar com outras pessoas, mas processam os estímulos de forma mais profunda e intensa. Isso significa que, mesmo se divertindo, podem sair extremamente esgotadas", explica.
O que pode acontecer?
De acordo com a psiquiatra, mulheres PAS tendem a absorver ruídos, emoções do ambiente, conflitos e até pequenas mudanças de energia com maior profundidade. Em períodos como o Carnaval, marcados por excesso de sons, luzes e contato social, é comum surgirem sintomas como fadiga social, irritabilidade, ansiedade e necessidade urgente de isolamento após os eventos.
Para evitar que a folia se transforme em exaustão, Dra. Thaíssa orienta que o primeiro passo é abandonar a culpa. "A mulher altamente sensível não precisa provar resistência social. Respeitar os próprios limites é uma forma de autocuidado, não de fraqueza", afirma.
Estratégias importantes
Entre as estratégias recomendadas estão selecionar com critério os eventos que realmente despertam interesse, estabelecer um tempo limite de permanência nas festas e reservar momentos de descanso antes e depois dos compromissos. Pequenos ajustes também fazem diferença, como buscar ambientes menos barulhentos, usar protetores auriculares discretos ou fazer pausas estratégicas em locais mais tranquilos.
A especialista destaca ainda que a alta sensibilidade traz potenciais valiosos. "Essas mulheres têm uma capacidade rara de perceber nuances, criar conexões profundas e ler o ambiente com sensibilidade. Em vez de se forçar a interações superficiais e excessivas, podem direcionar sua energia para conversas significativas, que são muito mais nutritivas emocionalmente", pontua.
Em um momento em que a saúde mental feminina ganha cada vez mais espaço no debate público, compreender a alta sensibilidade ajuda a ampliar o olhar sobre diferentes formas de vivenciar experiências sociais. "O Carnaval pode ser leve e prazeroso, desde que a mulher se escute. Diversão não precisa vir acompanhada de esgotamento", conclui Dra.
*Fonte: Assessoria Márcia Stival