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Mato Grosso suspende autorização para santuário receber novos elefantes; entenda

Entidade fica impedida de receber novos animais até o esclarecimento da morte de duas elefantas no final do ano passado; SEB afirma que medida é preventiva e já atua para regularizar situação

6 jan 2026 - 09h44
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A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) suspendeu de forma preventiva a autorização do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, de receber novos animais até o esclarecimento da morte de duas elefantas no final de 2025, menos de um ano após chegarem ao local, depois de terem sido resgatadas de cativeiros na Argentina.

O Santuário de Elefantes Brasil confirmou a suspensão e disse em nota que recebeu a decisão "com serenidade e responsabilidade institucional" e explicou que a medida impede apenas a chegada de novos animais, e que atividades consideradas essenciais seguem sendo realizadas, como cuidado, manejo, alimentação, acompanhamento veterinário e bem-estar dos elefantes que vivem no SEB.

Em nota, a Sema informou que o empreendimento possui licença e autorização vigentes e que a medida de suspensão deve se estender "até a obtenção e análise das informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança e dos padrões éticos de manejo".

"Atuamos há mais de uma década sob fiscalização contínua dos órgãos ambientais, sem nunca termos sofrido qualquer sanção ou apontamento relevante", acrescentou o Santuário de Elefantes, que afirma também já estar em contato com o governo mato-grossense para regularizar a situação (veja mais abaixo).

Registro de elefante no Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso.
Registro de elefante no Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso.
Foto: Reprodução/Santuário dos Elefantes Brasil/Facebook / Estadão

Morte de duas elefantes

As elefantas Pupy e Kenya morreram no final do ano passado após complicações de saúde. Elas foram resgatadas após passarem anos vivendo em cativeiro, na Argentina, e chegaram ao Santuário de Elefantes Brasil em 2025 (veja o vídeo acima).

A primeira a chegar foi Pupy, em abril. Ela foi transferida para o santuário após viver por mais de 30 anos no ecoparque de Buenos Aires, desativado recentemente. Ela morreu em outubro, com idade estimada em cerca de 35 anos, segundo o SEB.

O santuário descreveu a morte do animal como "repentina", após um período de desconfortos gastrointestinais. "O tempo de Pupy no santuário foi breve, mas profundamente significativo. Ela explorou, mudou e se permitiu confiar. Foi vista, amada — e nunca esteve sozinha", informou a instituição.

Já Kenya, oriunda do ecoparque de Mendoza, na Argentina, próximo à fronteira com o Chile, chegou ao santuário brasileiro em julho. Mais velha, com idade estimada em mais de 44 anos, passou a exercer, segundo o SEB, o papel de "irmã mais velha" de Pupy. A morte dela foi anunciada no dia 16 de dezembro.

Pupy chegou ao SEB em abril de 2025, mas morreu cerca de seis meses depois.
Pupy chegou ao SEB em abril de 2025, mas morreu cerca de seis meses depois.
Foto: Santuário de Elefantes Brasil/Divulgação / Estadão

"Após vários dias sem demonstrar sinais de que estava se deitando, Kenya finalmente se deitou na noite passada (em referência a 15 de dezembro). Ela pareceu se acomodar, e sua respiração ficou mais fácil. Durante toda a noite, não se mexeu — nem mesmo movimentou as patas; estava claramente muito cansada", descreveu o santuário.

Segundo o santuário, antes de ser resgatada e ser enviada ao Brasil, Kenya conviveu por décadas com diarreia crônica, além de ter recebido alimentação inadequada, sofrido infecções crônicas nos dentes (presas) e vivido sem cuidados médicos apropriados. "Essa era a realidade dela antes do santuário", diz a instituição.

No comunicado, o SEB afastou a possibilidade de que Kenya tenha transmitido tuberculose a Pupy ou de que a contaminação tenha ocorrido por contato entre espécies de habitats diferentes, conforme cogitado por seguidores do SEB nas redes sociais.

Na ocasião, o Ibama, que chegou a informar que faria uma visita técnica ao local, disse que não era possível afirmar se as elefantas que morreram foram vítimas recentes de maus-tratos ou de manejo inadequado. O órgão foi questionado pela reportagem sobre a visita que seria feita, mas não deu retornos à reportagem até a publicação do texto. O espaço segue aberto.

Suspensão do funcionamento

A notificação da Sema para suspender o funcionamento do SEB foi expedida no dia 23 de dezembro. A medida possui caráter preventivo e o Santuário de Elefantes Brasil terá um prazo de 60 contados a partir do último 23 para apresentar as informações e documentos solicitados pelo órgão ambiental.

A Sema-MT informou que o empreendimento possui licença e autorizações ambientais vigentes, mas que a suspensão permanecerá válida até a obtenção e análise das informações solicitadas pelo órgão ambiental.

O Santuário de Elefantes Brasil informou, em nota enviada à reportagem, que a suspensão afeta apenas o recebimento de novos animais e é válida até a análise de informações complementares solicitadas ao SEB.

Kanya morreu dezembro de 2025, cinco meses depois de chegar ao Santuário dos Elefantes Brasil, em Mato Grosso.
Kanya morreu dezembro de 2025, cinco meses depois de chegar ao Santuário dos Elefantes Brasil, em Mato Grosso.
Foto: Santuário de Elefantes Brasil/Divulgação / Estadão

"É importante esclarecer que o Santuário possui licença ambiental e autorização de funcionamento plenamente vigentes, conforme reconhecido pela própria Sema", afirma o órgão, que acrescenta: "Todas as demais atividades essenciais seguem normalmente, incluindo o cuidado, manejo, alimentação, acompanhamento veterinário e bem-estar dos elefantes atualmente sob nossa responsabilidade".

O Santuário diz que os protocolos de biossegurança, manejo e ética adotados pela entidade são adotados com autorização técnica da própria Sema, e afirma que está prestando os esclarecimentos necessários à pasta.

"Ressaltamos que praticamente toda a documentação requerida já havia sido entregue anteriormente, dentro do histórico regular de fiscalização do Santuário. Não temos qualquer receio em relação à análise técnica, pois prezamos pela transparência absoluta", acrescenta.

Criadouro científico

O Santuário de Elefantes Brasil foi criado para acolher elefantes resgatados de situações de cativeiro e exploração. Conforme o Ibama, o SEB é classificado como um criadouro científico de fauna.

O mesmo órgão destaca que a maior parte dos animais já encaminhados ao santuário foi direcionada ao local "com o objetivo de garantir melhor qualidade de vida e manejo adequado". "Muitos são provenientes de antigos circos ou de outros países. Sabe-se que boa parte desses elefantes é idosa, apresenta comorbidades e possui histórico delicado", disse o instituto após a morte das elefantas.

Além de Pupy e Kenya, outras duas elefantas também morreram pouco tempo após começarem a viver no santuário. Foram os casos de Pocha, resgatada em maio de 2022 e que morreu cinco meses depois, em outubro, aos 57 anos; e de Ramba, que chegou ao SEB em outubro de 2019 e morreu em 26 de dezembro do mesmo ano, por volta dos 65 anos.

Atualmente, cinco elefantes vivem no SEB: Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina - todas fêmeas. Esta última chegou ao local em 2022, junto com a mãe, Pocha. Os demais animais vivem no santuário há, pelo menos, cinco anos.

Estadão
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