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ONU alerta para aumento da temperatura global em 2,6°C até final do século

Relatório denunciou recorde na emissão de gases do efeito estufa em 2025

21 out 2026 - 13h08
(atualizado às 14h00)
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Resumo
Relatório da ONU alerta que as emissões recordes de gases de efeito estufa em 2025 devem elevar a temperatura global em até 2,8°C até o final do século, superando a meta de 1,5°C do Acordo de Paris. O cenário se agravou com a saída dos EUA do tratado e a alta de poluentes em grandes economias. Para reverter o quadro e baixar o aquecimento a 1,5°C até 2100, cortes drásticos de até 69% nas emissões serão necessários até 2040, superando as metas atuais, consideradas perigosamente inadequadas.

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que as emissões globais de gases de efeito estufa permaneceram em níveis recordes em 2025. Segundo o documento, o planeta caminha para um aquecimento de 2,6°C até 2100, ainda que os governos cumpram os compromissos climáticos que assumiram.

Emissão de gases do efeito estufa seguem como uma preocupação global para o aquecimento
Emissão de gases do efeito estufa seguem como uma preocupação global para o aquecimento
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"As emissões permanecem em níveis recordes", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, acrescentando que "os planos climáticos nacionais e as políticas atuais são perigosamente inadequados, apontando para um aumento de temperatura entre 2,6°C e 2,8°C" até o final do século.

Guterres frisou que, diante do atual contexto, "não se pode mais evitar que as temperaturas superem 1,5°C", meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, de 2015.

Segundo o relatório, mesmo que as nações cumpram seus compromissos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as temperaturas globais, até o final do século, ainda estarão 2,6°C acima dos níveis pré-industriais.

Essas projeções são mais pessimistas do que as do ano passado ? que indicavam um aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C ?, em parte devido à saída dos Estados Unidos (o segundo maior poluidor do mundo) do Acordo de Paris e a uma revisão das estimativas referentes às emissões históricas.

Com base apenas nas políticas atuais, e sem levar em conta compromissos de melhoria, o aquecimento global pode chegar a 2,8°C até 2100 ? o dobro do nível atual.

Entre os seis maiores emissores do mundo, dados preliminares de 2025 indicam um aumento nas emissões nos Estados Unidos, na Indonésia e na China, em contraste com uma redução na Índia, na Rússia e na União Europeia.

A possibilidade de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C "desapareceu", aponta o relatório, após "décadas de ação climática insuficiente", principalmente por parte das nações ricas do G20, responsáveis por três quartos de todas as emissões.

No entanto, o documento apresenta um cenário mais favorável, no qual o aquecimento global atingiria um pico entre 1,7°C e 1,8°C, para depois recuar para um patamar abaixo de 1,5°C até 2100. Para alcançar esse resultado, as emissões globais precisariam ser reduzidas em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação aos níveis de 2025.

Para fins de comparação, segundo a ONU, caso os atuais compromissos globais sejam cumpridos, isso levaria a uma redução de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035. 

Ansa - Brasil
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